jun 1st, 2009
Novo do Rancid
Já inteiro disponível na rede, o super aguardado novo lançamento do Rancid só será oficialmente (e mundialmente) lançado amanhã, dia 2 de junho. Leia aqui a resenha, dicas das melhores e todas as nossas impressões sobre “Let the dominoes fall”.
Como bons americanos, falando no sentido do bom patrotismo (mas sem ser piegas), sem esquecer as raízes e do que os levou a estarem onde estão, os caras Rancid não poderiam deixar de citar também nesse novo trabalho, suas referências, o lugar de onde vieram, a crise e as transformações mundiais que implicam nas mudanças locais e como isso se reflete e é devolvido para o mundo.
Traduzido em música, esse é o espírito desse novo disco: contar como acontecimentos como uma guerra, uma enchente, a passagem do tempo transformam cidades, como espaços novos surgem e coisas que deixam de existir. E também como a banda se transforma nesses quase 20 anos tocando juntos com praticamente a mesma formação e do compromisso de sempre trazer algo novo mesmo que falando dos mesmos assuntos, protestando, expondo opiniões, contando histórias para te motivar, te sintonizar, te fazer pensar ou simplesmente te fazer colocar o som para tocar e sair por ai para curtir.
Sem lançar nada inédito desde “Indestructible”, de 2003, o novo trabalho foi gravado no Skywalker Sound Studio de George Lucas e produzido pelo guitarrista do Bad Religion, Brett Gurewitz.
Conta com 19 faixas na edição normal e uma versão com faixas bônus e acústicas que totalizam 31 músicas. As gravações foram feitas em meio a tour pelos EUA e Canadá que a banda está fazendo com o Rise Against, The Riverboat Gamblers e Billy Talent.
Ainda sem exatamente um baterista fixo, Branden Steineckert (ex-The Used) participou das gravações e dá um suporte nos shows desde a saída de Brett Reed, que deixou a banda em 2006. E o disco sai novamente pela Hellcat Records (gravadora do Tim Armstrong – vocal – que tem no catálogo, entre outros, The Aggrolites, HorrorPops e Dropkick Murphys)
Destaque para algumas das faixas:
O disco começa alto astral com “East Bay Night”, que resume de cara esse espírito do disco já supra citado: estar, crescer e continuar bebendo da fonte de tantas bandas como Black Flag, Bad Religion e Circle Jerks, por exemplo, que surgiram naquela região e durante esses anos todos de cena continuam na ativa e sendo sempre referência. Esse espírito continua ecoando ao longo das faixas e permanece na raivosa e segunda música, “This place”.
O primeiro ska, que traduz o melhor da banda e pelo qual são reconhecidos, é “Up to no good” – canção dedicada aos amigos e que conta com Booker T da clássica banda Booker T. & The MG’s tocando órgãos e piano (ou o famoso B-3, in English).
A já videoclipada “Last one to die” fala das mudanças da banda nesses anos todos de estrada, sobre se renovar, fazer shows e, não por acaso, é a dita primeira música de trabalho – hit pronto, refrão chiclete, música para tocar no rádio.
“Disconnected” (que, apesar do nome, nada tem a ver com a clássica musica do Face to Face) é mais patriota de todas e traz uma curiosidade nos vocais: Lars (guitarrista e vocal) canta a primeira parte da música, Matt (baixista e vocal) a segunda e Tim canta a terceira com todas as vozes fazendo o coro no refrão. A bateria desta foi inspirada no estilo do Sham 69, segundo o baterista Branden Steineckert.
O disco é cheio de mudanças de ritmo, bem alocadas mas sem seguir determinada linha, ou seja, só o punk, só o ska, mas tudo isso misturado entre as faixas. A mais regueira é “Ain’t Worried”. Cheio de homenagens também, “New Orleans” é dedicada à cidade que a banda mais curtiu fazer shows até hoje e pelas referências musicais e todos o histórico e romantismo por trás da cidade, rendeu um punk gritado e rasgado para exaltá-la.
“Civilian Ways” é dedicada ao irmão do Tim, Greg, que lutou no Iraque. E conta a agonia de ser um familiar e esperar todo dia por notícia de saber se continua ou não vivo e em que condições volta para casa. Tim diz que sempre usou a música para se comunicar com a família, e como foi para ele acompanhar esse ano em que o irmão esteve lá, e ela quebra o clima do disco vindo numa baladinha folk com banjo: clima de bar e violão.
“The Bravest kids” e “Skull City” vêm numa trinca punk arrasadora, fechada por “LA River” que é pesadona, rápida e com um vocal contagiante e, sem dúvida, uma das melhores do discos.
A faixa título foi uma das primeiras a serem compostas e específica o que a banda parece querer que aconteça daqui para frente – deixar a vida se guiar pelos caminhos, deixar que as coisas aconteçam não importa de onde e como vierem, deixar se levar sem ter tantas certezas.

“Liberty And Freedom”, começa num estilo à la Johhny Cash e descamba num skazinho questionando a credibilidade da TV, seguida por outra forte candidata a melhor do disco “That’s Just The Way It Is”.
Sempre comparados ao The Clash pelo fato de serem um dos poucos a (com conhecimento de causa) fazer um ska punk de responsa, a boa “That’s Just The Way It Is Now” faltamente nos leva a essa referência imediata.
“The Highway” é punk acústico que fecha o disco e diz o que a banda amadurecida e segura do seu lugar na história, vem fazendo todos esses anos: compondo, vivendo na estrada, assumindo todos os riscos de protestar, tocar punk e dar a cara a tapa, mas acima de tudo estar aí sempre para tocar um sonzinho com os amigos.
Ouça o disco na íntegra no Myspace da banda. Lá também tem um faixa-a-faixa feito pelos próprios integrantes, que você pode conferir acessando aqui.
Nada relacionado.








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