Athos Moura

O futebol na telona

Cinema e futebol, duas paixões nacionais, mas que curiosamente não se dão muito bem. Para entender o porquê disso, estive na Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e conferi o bate-papo do jornalista e cineasta José Carlos Asberg com o professor de Educação Física da UFRJ Victor Andrade de Melo, a mediação ficou por conta do jornalista da Sportv Guilherme Roseguini. Para ambientar o debate, foi exibido o documentário “Garrincha, alegria do povo”, de Joaquim Pedro Andrade.

Para ambos o futebol retratado no cinema brasileiro é de ótima qualidade, porém a população não o absorve. Asberg produziu o filme “1958: o ano em que o mundo descobriu o Brasil”, sobre o primeiro título mundial da seleção brasileira de futebol, e sentiu na pela a falta de público nas salas.

- Do ponto de vista comercial o filme foi um fiasco, mas ele é excelente. Filmar futebol é difícil porque geralmente a ficção não dá certo. O Brasil tem ótimos filmes sobre futebol. O problema é que o público não os conhece - disse Asberg.

Para Victor Andrade, autor do livro “Cinema & Esporte: Diálogos” o esporte mais fácil de ser encenado é o Boxe. Esporte não tão popular no Brasil, mas que consegue atrair a atenção das pessoas quando alguma história é montada.

- O boxe é fácil de ser filmado porque ele é previsível. O futebol não tem essa característica e isso o torna mais difícil. Filmar uma encenação de drible fica uma imagem falsa e o telespectador percebe isso - afirmou Victor Andrade.

Quando indagados pelo mediador porque os estádios ficam cheios e as salas de cinema não, os debatedores compartilharam a mesma opinião. Atribuíram ao Cinema Novo uma parcela da responsabilidade por afastar a população do cinema.

- O cinema era muito popular no Brasil na década de 70 com as Chanchadas. Era um gênero que divertia a população. O Cinema Novo veio com uma proposta diferente que era um cinema crítico, para fazer as pessoas pensaram. Apesar de fazerem belíssimos filmes, como os de Glauber Rocha, acho que naquele momento o público não estava preparado para esse rompimento e acabou se afastando das salas gradativamente - falou Asberg.

Victor Andrade concluiu seu colega:

- O público no Brasil que vai ao cinema é diferente do que vai aos jogos de futebol. No estádio às pessoas podem participar e nas salas elas precisam ser passivas. Então a maior parte das pessoas prefere assistir um jogo a ver um filme sobre futebol. Além de que no Brasil vivemos uma crise econômica há algum tempo. Ou ela tem dinheiro para ir ao jogo ou no cinema.

Trackback URI | Comments RSS

Leave a Reply