Andrea Ariani

Resenhas Anti-Flag e Retrofoguetes

Uma é tipicamente brasileira e faz músicas para você curtir e dançar. A outra é uma das mais engajadas e ativas bandas punks dos EUA. E Mais do que fazer curtir, quer fazer você pensar, agir e mudar pelo menos um pouco do mundo ao seu redor. Confira as resenhas dos novos discos do e Retrofoguetes e Anti-Flag.

chachacha Resenhas Anti Flag e Retrofoguetes

RETROFOGUETES- CHA CHA CHÁ
Se ainda estamos congelando nos dias longos de inverno, para quem não dá a mínima para modismos e curte um som instrumental de responsa, “Cha cha chá”, o mais novo trabalho do Retrofoguetes pode muito bem ser a trilha sonora do seu próximo verão.

Depois de bens sucedidos lançamentos anteriores, participações em diversos festivais, premiações e até a trilha sonora de um comercial,  a banda, desde 2002, vem se firmando no cenário como uma das melhores bandas de surf music made in Salvador.

O disco  ”Cha Cha Chá” é  o primeiro lançamento que a banda faz pelo seu próprio selo, Indústrias Karzov e vem recheado de referências cinematográficas.  Algo que já é comum nas composições que desde sempre tem na literatura, HQ e ficção científica suas principais fontes de inspiração.  Mas não é qualquer referência,  nada de surf music sessão da tarde à la Monkeys; mas, por exemplo, “Vênus Cassino” cairia bem num Tarantino dos anos 90 ou até um versão mais inspirada de James Bond e por que não, do de um filme de máfia tipo O poderoso chefão.

A maioria das faixas são instrumentais. Destaques para “Constelácion” que começa calminha e descamba num tango de fazer Gardel parar de chorar e cair na pista; e “Maldito mambo” que, como o nome diz, é um mambão típico das bands latinas. Você certamente terá alguma referência chicana em mente quando ouvir. A mais rocker é “Fuzz Manchu” com uma guitarrona poderosa e “Um diabo em cada garrafa” que, sem dúvida, é uma das melhores do disco. A única com vocal é “Wreinning Rouning Mai Maind”, rockabilly cantado em inglês e como próprio título indica, dá uma força para que você não erre nada da pronúncia.

Não precisa ser da turma do pranchão para curtir e se jogar de cabeça. Corra já para ouvir! No myspace tem boa parte das músicas citadas aqui; lá também  há uma versão surf sensacional para “Bate o sino” (gravação dos discos anteriores).  Antes de mudar o seu verão, já te ajuda a mudar também a cara do Natal.

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antiflag Resenhas Anti Flag e Retrofoguetes

ANTI-FLAG - THE PEOPLE OR THE GUN
Desde 88 são quase 20 anos de história de uma das primeiras bandas punks formadas na Pensilvânia (EUA) que se tem notícia. E ao contrário do que se pensa, essa responsabilidade não pesa nos ombros e nem faz ser um fardo a carregar, já que diferente de muitos com mais ou menos tempo de estrada e que já mostram sinais de cansaço ou esgotamento criativo. O Anti-flag continua firme e forte nos seus propósitos. Para continuar indo na contramão anti-fascista das bandas que eles (e nós sabemos) são ou foram seguidoras dessa ideologia nos anos 80, a banda segue constestadora e engajada, fiel aos seus princípios desde a sua formação.

E por que continuar assim? De onde vem a inspiração? Como Justin Sane (vocal e guitarra) diz no release, “São os moleques, eles são o combustível. Quando as coisas vão mal ou alguma coisa não dá certo e nos perguntamos porque nos incomodamos com isso? Eu posso honestamente dizer, que tem a ver com todos esses moleques e outros punks que pegamos pelo caminho, que como nós, se importam com o que está acontecendo no mundo e estão tentando fazer o melhor para mudar de forma positiva (não importando o tamanho da mudança)”.

O disco começa com a raivosa “Sodom, Gomorrah, Washington D.C. (Sheep in Shepherds Clothing)”, que de cara justifica essa urgência de gritar e se fazer ouvir num mundo que se sente livre depois de oito anos de sistema Bush. E o dedo em riste apontado para a cara do sistema e para a sua dizendo “Acorde”, segue nas demais. Só notar os títulos  de “The Gre(A)t Depression” , “On Independence Day” ou “Teenage Kennedy Lobotomy”, que fecha o disco. A crise econômica também é tema em “The Economy is Suffering, Let It Die” ou as consequências dela em “You are fired (Take This Job).

“When All The Lights Go Out” se não é, deveria ser a faixa de trabalho. É um punk com a cara do Anti-Flag e uma das melhores, sem dúvida. “No War Without Warriors (How Do You Sleep?)” é a sétima faixa e título do blog da banda , lá tem o diário completo de todos os shows, além de curiosidades e fotos.

E  além de dar uma chacoalhada no mundo através das músicas, fazem parte dos próximos projetos a ideia é de levar a Warped Tour para países como Rússia, Estônia e para a nossa América do Sul . Esta nas prioridades da banda passar por lugares como esses onde o som poderá ser ouvido e que possam angariar comida e donativos para as comunidades carentes locais.

Além do contator dos gastos, tipo o inpostômetro no Viaduto do Café em SP, que conta todos os valores contabilizados com a guerra do Iraque minuto a minuto no site oficial,  a banda criou sua própria ONG, a Military Free Zone, sobre recrutamento de jovens e a Underground Action Alliance, um site para uma rede de justiça social. E participa também de uma campanha com o Greenpeace contra o aquecimento global. Veja mais aqui.

As 11 faixas de “The people or the gun”, o sétimo da carreira, foram lançadas oficialmente no último dia 9 de julho. Por alguns dias o disco ficou inteiro disponivel no myspace mas agora apenas algumas das faixas continuam lá. Confira, leia, divulgue e faça a sua parte. Se a sua banda do coração faz, o que você está esperando?

2 Responses to “Resenhas Anti-Flag e Retrofoguetes”

  1. CH Straatmannon 31 jul 2009 at 13:44

    Athos, obrigado pela resenha. Gostaria apenas de retificar uma informação que está incorreta. O disco Chachachá não é uma parceria com a Monstro discos, é um lançamento totalmente independente e fizemos pelo nosso próprio selo, o Indústrias Karzov. Os Retrofoguetes não fazem mais parte do cast da Monstro desde janeiro deste ano.

    Um abraço.
    CH(Retrofoguetes)

  2. Athos Mouraon 03 ago 2009 at 09:43

    Olá CH Straatmann. A informação está corrigida. A resenha é da colaboradora Andréa Ariani.
    Grande abraço!

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