ago 18th, 2009
40 anos de Woodstock
O mega festival completou na última semana 40 anos de sua realização, naquele lendário agosto de 1969. Woodstock foi o tipo de acontecimento tão emblemático que jamais será reproduzido da mesma forma – não nas mesmas proporções.
Até pela data comemorativa, centenas de livros foram lançados e relançados mas o documentário de mais de 2 horas de duração, dirigido por Michael Wadleigh, e editado por, entre outros, Martin Scorsese em 1970, é o único que conseguiu traduzir um pouco do espírito.
E por que foi tão importante?
Porque não foi só um evento musical que reuniu no mesmo palco alguns dos melhores artistas daquela geração, mas por ser um marco no movimento da contracultura. As pessoas no mundo todo anciavam por mudanças em tempos de guerra, repressão de costumes, de adequação às regras. Em maio do ano anterior, movimentos em Paris e outros isolados como os ocorridos na China, na Rússia e no Brasil que vivia intensamente os anos de chumbo da ditadura (acontecimentos como a invasão da UNB, entre outros), teve, digamos assim, um desfecho com o que houve naquela fazenda dos EUA. É um marco porque até então, e até hoje, não houve um evento que mobilizasse tantas pessoas em um só lugar em busca de ideais em comum.
Para entender Woodstock
“O que você faria se eu cantasse fora do tom?”, pergunta a letra da canção “With a little help from my friends”. A música dos Beatles que ganhou interpretação de Joe Cocker resume o espírito de Woodstock, festival que reuniu quase meio milhão de pessoas entre os dias 15 e 17 de agosto de 1969.
Os moradores de Middletown (Wallkill) não quiseram que o evento fosse realizado lá. Na última hora, os organizadores – Michael Lang, John Roberts, Joel Rosenman e Artie Kornfeld – tiveram de encontrar um outro local para os shows. Como se sabe, o evento acabou acontecendo em Bethel, comunidade rural a 145 km de Nova York, mas beirou o desastre total.
As cercas foram derrubadas, e logo os ingressos, vendidos a US$ 18, se tornaram inúteis. Woodstock, então, passou a ser um “concerto livre”. A organização esperava receber 200 mil pessoas ao longo dos três dias, mas em vez disso 400 mil fãs causaram congestionamentos quilométricos na região. E, para completar, as chuvas transformaram a fazenda em uma imensa poça de lama.Poderia ter sido uma calamidade, mas o que se viu foi uma geração formada por estudantes, artistas, trabalhadores e doidões de LSD celebrando a paz, o amor e a música – um cenário que acabou se tornando símbolo do lado alegre da década de 1960, em meio à irritação e aos protestos pela Guerra do Vietnã.
No momento em que a guerra estava no auge e o movimento contra o conflito dividia os Estados Unidos, principalmente separando as gerações, é talvez pouco surpreendente que os militares não quisessem se envolver com o que estava sendo visto como um festival hippie.
Ao lado de Cocker, então praticamente desconhecido, 32 atrações – incluindo artistas como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Santana, Creedence Clearwater Revival, Sly & the Family Stone, The Who, entre outros – ajudaram a compor a trilha sonora de um evento que se tornaria lendário. Muitas bandas se separaram ou seus integrantes morreram, mas Woodstock é ainda um dos marcos que definem os anos 60 no imaginário popular. A apresentação de Jimi, por exemplo, o fez sair de lá como lenda. A apresentação é aquela famosa, que certamente você já viu por ai, dele tocando o hino nacional dos EUA na guitarra, claro, e tocando fogo na mesma depois – tudo isso, na verdade, em protesto e repúdio á guerra.
Ecos do festival
A real é que Woodstock é tão significativo e povoa, mesmo que inconscientemente, tantas mentes por ser o pai dos festivais e grandes shows. Popularizou e tornou viável eventos que não necessariamente reuniam as pessoas em torno da música.
O que, por exemplo, Lolapalloza, Warped Tour, Vans Tour, Big Day Out e os inumeros festivais europeus e até o Rock in Rio, fazem é fruto daquela iniciativa.
Além de apresentações lendárias, marcos históricos em momentos inesqueciveis, Woodsto serviu de exemplo para os organizadores saberem tudo o que fazer e não fazer. Todos em fórmulas para dar ou não certo estavam ali – tudo em grande proporção: dívidas astrônomicas, congestionamentos monstruosos, logísticas absurdas de pessoas que vieram de várias partes e caminharam por horas porque não havia outra forma de chegar, uso de helicópteros para transportarem os artistas ao local dos shows, lama e caos que atolava carros e pessoas.
A forma de reunir artistas que não necessariamente tinham os sons em comum mas, certamente os mais constestadores da época, foram uns dos principais atrativos e o público aceitou essa diversidade. Tinha tudo para dar errado e mesmo assim foi um sucesso.
Outras edições comemorativas foram montadas inclusive a de 1994 que contou com bandas como Metallica e Nine Inch Nails – e foi muito criticada já que parte do casting não prega em suas letras paz, amor.. Foi extremante comercial e caça-níquel, longe dos ideiais do festival original. A apresentação do Metallica foi uma das mais polêmicas (confira e tente lembrar ou descobrir porque nesse video aqui).
Apesar de boa parte das bandas hoje já não mais existir ou não terem mais a formação original e seus organizadores ou parte do público serem respeitáveis senhores de família, criando netos e engordando a pança de cerveja, o que aquela geração nos deixou de herança foi a forma de curtir um evento, sem preocupação com o dia de amanhã – para eles, o mundo poderia explodir dali alguns minutos, mas aqueles dias fizeram esquecer de tudo para curtir a celebração.
E isso talvez nos faça repensar nossos conceitos já que hoje mais de 50 anos de capitalismo, engolimos a premissa de ingressos caríssimos para poder ver atrações cada vez mais estrelas em cachês astrônomicos.. nada de paz pela paz. Nem quando o objetivo é arrecadar fundos para instituições ou salvar o planeta do aquecimento global.
Muito mudou nos ideais sociais desde aqueles dias que tiraram o mundo do eixo. Aqueles acontecimentos nunca mais fizeram aqueles jovens e nós herdeiros, sermos ou enxergamos as coisas como antes. O ideal hippie, o flower power, se perdeu no caminho impondo muitas regras para um movimento que não queria ser adequar as regras ou a um sistema. Mas é romântico pensar que certamente foram mais felizes aqueles que tiveram histórias para contar naqueles já distantes dias de 1969.
Texto por Andréa Ariani (correspondente em SP
Fontes: G1 / Fotos Google
Nada relacionado.










Lançamento do livro “Woodstock”, na livraria Argumento (Leblon) com Dapieve e Jamari. 18 de Agosto às 19h. http://www.woodstockolivro.com.br/
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