Andrea Ariani

Resenhas de Cd´s

Duas bandas com 4 integrantes e 10 anos de carreira, ambas divulgando trabalho novo, 11 músicas em cada CD, rock do bom e sem frescura lideradas por duas lindas vocalistas. Para os meninos, dois belos colírios, para as meninas do rock, duas referências em estilo e atitude. Até onde vão as coincidências entre Juh Romero e Priscila Leone? Descubra aqui nas resenhas dos recém-lançados “Promo 2009″ do Killi e “Chiaroscuro” da Pitty.

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Um artista é considerado empreendedor e dono de sua carreira quando, ainda que tenha o aparato e estrutura de uma gravadora, além de fazer o básico de compor e tocar, também se envolve até a alma, ou melhor, de corpo e alma em cada processo do antes e o pós-lançamento de um novo trabalho: encarar horas e horas de estúdio, mais horas e horas de sessão de fotos, produção visual, concepção de capa, mais um tanto de horas gravando videoclipe, mas um bombardeio em divulgação em todos os canais possíveis e imagináveis. E quando saber quando isso tudo não é só uma estrutura armada pra pegar trouxa que consuma? Quando  é autêntico e, como no caso de quem falo aqui,  impõe esta postura desde de antes de sua primeira música virar grande hit e tocar alucinadamente em rádios e na MTV. Ela sabe que em grande mídia é assim: ou você usa a máquina a seu favor ou é engolido por ela.

Depois de dois discos de sucessos, incluindo também um DVD/CD um ao vivo, prestes a completar 10 anos de carreira e 32 de idade, dessa vez os seus antigos e novos fãs ou qualquer curioso que quisesse pode dar seu pitaco na produção do novo CD, saber com precisão muito próxima do tempo real, o que estava acontecendo num blog que fica dentro do site oficial da banda, criado especialmente para este fim. Alguns dos sons foram “testados” antes em shows ou em videos das gravações, tudo democraticamente aberto a críticas e sugestões. O nome do CD, inclusive, foi escolhido desta forma interativa.

Mais um com produção de Rafael Ramos e lançado no dia 11 de agosto,  “Chiaroscuro” é uma palavra em italiano que significa “Claro-escuro”. O quadro que ilustra a capa foi produzido durante a gravação por Catarina Gushiken (também estilista da Cavalera) e traduz o conceito do disco que é mostrar a dualidade do ser humano, ninguém é só bonzinho ou mauzinho o tempo todo e sim uma mistura dos dois extremos. Como diz o release, um intermédio entre leve e pesado. Luz e sombra. Céu e inferno, bom e mau, macio e áspero, doce e azedo. Também nesse conceito é que o faixa-a-faixa se constrói.

A primeira “8 ou 80″ é um rockão alto astral, que vai começando baixinha e devagar até ir crescendo com o vocal e explodir no refrão,e de cara traduz todo esse conceito que estamos falando, de estar entre extremos mas como opções de escolhas ao dizer que “me dou com os inocentes mas com os culpados me divirto mais”.
A primeira a já ter videoclipe e ser o primeiro hit e atual música de trabalho é “Me adora“, música  música chiclete, rockinho à la Jovem Guarda mas no velho jeitão, porrada com sutileza. “Medo”, a terceira, foi um dos primeiros sons a ser divulgado no blog, ter sido tocada ao vivo e que de certa forma, gerou toda essa participação sobre o que viria a ser o restante do CD.

O fato de estar mais leve e divertida não deixou as guitarras e peso de lado. A inovação ficou por conta de investidas na mistura de outros ritmos e foi feliz com o resultado. Exemplo disso é “Água contida”. Quando se fala em lágrimas e dramalhão logo se pensar em Tango e a primeira parte da música começa assim e vira rock moderno, meio londrino.

“Só agora” é uma baladona de amor e, apesar de linda, quebra o ritmo total, que só volta com “Descontruindo Amélia”, uma das mais legais do disco. Auto-estima feminina e vaidade positiva. Já a insconstância de humores, exigências de viver num mundo louco, se traduzem em “Fracasso” e Rato na Roda”.

As suas influências declaradas ainda continuam muito presentes nos novos sons. Impossível não lembrar de Queens of the stone age em “Trapézio” assim como não como não ligar os pontos em “A sombra” e já no primeiro acorde pensar que lembra Mars Volta.

Referência em cantores nacionais também estão lá. A exemplo de  “Admirável chip novo” (nome do primeiro disco), uma analogia com a música de Zé Ramalho (”Admirável gado novo”), “Todos estão mudos”, som que encerra também em clima alto astral o CD, faz refefência aos bons tempos do Rei Roberto. Se lá nos anos 60/70 todo estavam surdos, agora Pitty acha que sua geração precisa aprender a por mais a boca no mundo. Seja para falar sobre sobre o que te aflige ou te alegra, como diz o refrão, sempre vale a pena e alguém tem que fazer.
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 killi Resenhas de Cd´s

 

Em 10 anos de carreira muita coisa acontece na carreira de uma banda.
Entre lançar discos, fazer shows e tudo mais, inclue-se ai manter-se no estilo e encarar (e sobreviver) a mudanças ou perdas de integrantes. O Killi sempre foi respeitada no underground e foi naquela leva dos anos 90, umas que dificilmente você esquecia porque ter uma menina no vocal, fazer hardcore com instrumental forte e pesado e mesmo assim ilustrar com imagens fofas as capas dos discos e letras falar de amor sem pieguisse. Ganhou destaque exatamente por ser diferentes naquele universo que ainda estava longe da onda emo e que nivelou tudo e colocou grande parte do que veio depois no mesmo saco.

Fora desta peneira, a banda troca de vocalista que ninguém tinha idéia se iria segurar a onda.
Em 2007, “Automático e Gradativo” foi lançado e tanto no CD e muito mais ao vivo, Juh mostrou com seu  vozeirão que na hora de mostrar a que veio, qualquer baixinho se torna gigante. E agora o simplesmente intitulado “Promo 2009″ veio consolidá-la no posto e é sem dúvida uma das melhores cantoras do rock nacional.

Sim, o amor ainda continua no ar. Relacionamentos felizes, crises existenciais, distâncias, tudo que envolve o sentimento esta exposto, rasgado, pulsando em cada letra.

Pouco a pouco, o disco foi segundo divulgado no  e já está também totalmente disponibilizado na página da banda no Tramavirtual.  Alguns destaques são “Fantasmas”, a segunda faixa, inovação nos backing vocals e ”Praticando esquecer” que é, sem dúvida, o grande hit e grande trunfo do CD. Cure uma dor de cotovelo de um fora escutando esse “Tô nem ai” em alto estilo e  você nem vai lembrar no final daquele pé na bunda.
‘Automático e Gradativo”, virou faixa nesse CD - é o título do trampo anterior. “Valsa” já é conhecida de boa parte dos fãs. Na gravação está solo mas na versão ao vivo, Juh divide os vocais a Julia (vocal do Condessa Safira) que em 2007, durante a tour de bandas com meninas, a Zona Punk Girls Tour, fizeram um show no Hangar 110 e daí surgiu a gravação que também está na Trama. E o disco encerra, feliz, com a ensolarada ”Camiseta furada”.

O “Promo” é mais uma produção independente e a banda anda empolgadíssima com o resultado. O show de lançamento aconteceu em maio mas a tour está em pleno vapor. Seja no fotolog ou no twitter, fique ligado nas datas, e claro, ouça e baixe os sons.

 

Texto por: Andréa Ariani (correspondente em SP)

Nada relacionado.

One Response to “Resenhas de Cd´s”

  1. Césaron 16 ago 2009 at 22:52

    Só um adendo sobre a Pitty… na real “Admirável Chip Novo” nada tem a ver com “Admirável Gado Novo”… mas sim com “Admirável Mundo Novo”, livro de Aldous Huxley que dizia que no futuro as pessoas seriam pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as regras e as leis sociais.. sem religião e sem valor moral.

    abraço!

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