Athos Moura

Dead Fish agita madrugada em São Gonçalo

Desde quando foi anunciado que Dead Fish tocaria em São Gonçalo com o Matanza, o público da cidade e da região metropolitana do Rio de Janeiro ficou ansioso. Afinal, houve uma onde de cancelamento de shows nos últimos meses. Mas dessa vez a produção nem pensou em cancelar nada. Melhor para todos, ninguém saiu perdendo. A festa Juicebox rolou no Clube Tamoio, no dia cinco de fevereiro, além de ficar cheia, contou com bons shows, boa organização e muita diversão.

A primeira banda a se apresentar foi o Ematoma, de São Gonçalo. Com um bom público já  presente, a banda que se definiu como speedcorepunk, teve dificuldades para acertar seu som. No início do shows os integrantes da banda brigaram com o técnico de som pedindo mais retorno de guitarra. O vocalista chegou a gritar com o técnico e levou o público ao delírio:

- Sem guitarra não  é rock, porra!

O som estava um pouco perdido, era difícil identificar as mudanças de notas. O público, formado por muita gente jovem, pareceu não se importar com isso e agitou o tempo todo. Mas sem querer desmerecer o som da banda, a juventude já fazia isso antes dos shows começarem, com as músicas que eram tocadas pelos dj ‘s.

Na sequência os niteroiense do Kombi Que Pega Crianças, apresentaram o seu hardcore irreverente. Com dez anos de estrada o grupo levantou toda a galera. Eles abriram o show com um cover, em versão hardcore, da Lambada “Chorando se foi”, gravada no Brasil pelo grupo Kaoma, em 1989. O som estava melhor equalizado do que da banda anterior. Foi uma ótima apresentação. Na plateia era difícil encontrar alguém que não cantasse as músicas. O vocalista, que a cada música colocava uma peruca ou um chapéu diferente, foi um show a parte. Ao fim do show, eles foram muito aplaudidos, com muito mérito.

Fechando as bandas de abertura, veio o Madame Machado, do Rio de Janeiro. Com um ska muito bem executado, a banda levou um som diferente para a moçada presente. E também, levaram irreverência, por quê não? Um dos integrantes da banda, que tocava corneta, subiu ao palco vestido de caveira, e animava a plateia com suas danças e poses. A banda também fez seus covers. Tocaram “Livin’la Vida Loca”  de Ricky Martin. Mas a surpresa maior foi quando tocaram um trecho de uma música do Iron Maiden, em versão ska. Foi sensacional. O público estava bastante animado, mas algumas pessoas se dispersaram. Para fechar a sua apresentação a banda tocou “Take on Me”, da banda A-Ha, mas na versão que o  Reel Big Fish gravou em 99.

Então foi chegada a hora que o público esperava. No palco a primeira das duas bandas grandes da noite, o Matanza. Público todo na frente do palco cantando as músicas emendadas. Um ótimo show. Com certeza os presentes não viram muitos shows da banda. Para quem já viu alguns concertos do grupo, o Matanza está soando um tanto quanto repetitivo. É  visível que a banda precisa de material novo, e pra ontem. Isso não quer dizer que o show tenha sido ruim, muito pelo contrário. A banda é boa e muito competente, senão os fossem não teriam chegado onde estão.

Quando o Dead Fish começou a tocar, o público interpretou como a última oportunidade de se divertir na quela noite. E o show começou quente. A banda tocou a música “Asfalto” e a roda e stage dive’s já começaram. Como de praxe, animadinhos subiam no palco e não pulavam, e tentavam agarrar o vocalista Rodrigo. Mas um rapaz sofreu com a falta de sorte. Em uma distração do jovem, Rodrigo puxou a sua cueca e deu o famoso cuecão no garoto, no melhor estilo máscara. Na madrugada avançada, a banda tocou 30 músicas. Na metade do show algumas pessoas começaram a ir embora, mas foram poucas. Azar o delas, que não viram a cena mais inusitada de muitos anos de rock. Enquanto a banda tocava ”Canção Para Amigos”, outro espertinho subiu no palco e pegou o protetor auricular do vocalista e se jogou no meio do público. E então, assim como Jesus andou sobre as águas, Rodrigo caminhou por cima das cabeças de algumas pessoas até encontrar o aprendiz de ladrão e lhe tomar os protetores. Enquanto Rodriga estava em sua busca, o público subiu no palco e cantou a música até que o vocalista retornasse.

Outros destaques foram as músicas “Canção Menor”, tocada em MPB e Mulheres Negras, que antes do refrão a banda tocou parte de “Step Down” do Sick Of It All. O dia também era motivo de festa por outro motivo. Era aniversário de Rodrigo. E ele deu de presente para o público, a sua camisa da sorte. De acordo com o próprio, ele fazia shows com a camisa há cinco anos. O pessoal que queria a camisa, realmente saiu no tapa por ela.

O show terminou por volta das 4:30 da manhã. Todos cansados, suados com o calor infernal que está fazendo porém felizes com a ótima noite de rock.

One Response to “Dead Fish agita madrugada em São Gonçalo”

  1. Juliaon 08 fev 2010 at 20:06

    A kombi que pega crianças é de São Gonçalo, não de Niterói.

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