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Athos Moura

O ROCK CADA VEZ MELHOR DOCUMENTADO

O rock está cada vez mais melhor documentado. Isso é motivo de muita felicidade. Seja através de livros, blogs de tour report e DVD’s. Isso mostra a profissionalização do gênero e a preocupação dos envolvidos em preservar a sua história.

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Andrea Ariani

Virada Cultural 2009

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Sim, encarei. A Virada Cultural na Cidade de São Paulo aconteceu pelo 5º ano consecutivo mas essa foi a minha estreia no evento.

Uma observação antes de tudo: estavámos (fotógrafo e eu) devidamente credenciados como vários outros veículos e estudantes de jornalismo mas, um dia antes, mesmo após a confirmação, a assessoria nos informou que a Prefeitura pediu para cortar todas as credenciais e só autorizar os grandes veículos (os de sempre que todo mundo sabe). Apesar das inúmeras desculpas, sabemos que as assessorias não tem muito controle mesmo sobre cotas e veículos, é um grande impasse selecionar. Mas daí a gente sempre perde espaço para os mesmos. Vamos lá, rock se faz na raça e ainda mais uma cobertura como essa.  Selecionei fotos e vídeos que vão dar uma ideia do que foi encarar quase 14 horas de Virada.

Numa programação tão extensa e variada, a ideia era acompanhar alguns dos shows que rolaram no palco rock na Praça da República e ver Dead Fish no CEU Aricanduva. Como era de esperar, muitas coisas surpreenderam e mudaram a pré-programação.

Como infelizmente perdi a abertura com o John Lord , fui direto para a República esperar pelo aguardado show do Camisa de Vênus. Mas as surpresas já começaram antes de chegar no Centro porque devido as obras de expansão do metrô, a Praça está parcialmente interditada e a sabe-se lá porque a estação simplesmente ficou fechada e causou um certo transtorno para quem queria chegar ao Centro e também para quem continuaria até o final da linha, e que não tinha nada a ver com a Virada.

Muita, muita, muita gente em todos os cantos e lugares, impossível não esbarrar em alguém. Uma maratona para chegar até a Praça e conseguir mais ou menos um lugar para tentar ver alguma coisa. O palco era baixo e a única que dava para ver mesmo era o teto com a faixa enorme escrita Virada Cultural em verde. Se não dava para ver nitidamente a banda o que distraia era o que acontecia em volta. Muitos modernos misturados com famílias, grávidas e crianças,  e seres que pareciam saídos de uma máquina do tempo, desde metaleiro anos 80 fã de rock farofa, até rockabilly de topete, era uma mistura sem fim de visuais. Mas as previsões de garoa e frio estavam erradas, a noite começa agradável e ficou assim até o início da madrugada.

Dia 2 de maio, 22 horas. Começa a cobertura.

Muitas câmeras amadoras e profissionais tentando registrar. Banheiro químico “estacionado” era a atração a parte, já que o excesso de gente em cima do coitado fez o teto de algumas cabines estouraram fazendo as pessoas cairem na privada que sabe-se lá Deus como estava o estado.

Em termos de estrutura de alimentação e banheiros públicos, não houve o que reclamar: nos arredores muitos bares, restaurantes e padarias ficaram funcionando senão 24hs, mas boa parte da Virada o que, lógico, movimenta a economia local além fazer ambulantes, hotéis, lanhouse e tudo que cerca essa estrutura funcionar e faturar. Muito policiamento e ambulâncias circulando por todos os pontos, mas não se soube de ocorrências graves, a não ser eu, particularmente, saber de amigos fotógrafos que tiveram equipamentos roubados ou tiveram dedos quase quebrados por esbarrar em grupo de ignorantes.

O Joelho de Porco entrou no palco animadíssimo e raríssimas pessoas conheciam o som, o ponto era estratégico para circular e garantir espaço para ouvir o Camisa já que sem telões, ver era quase impossível a não ser que você encarasse subir numa árvore, subir em alguma estrutura, em cima da banca de jornal ou se aventurar em cima do banheiro químico.

Mas o som nessa hora estava muito ruim e sem caixas espalhadas em pontos da praça como aconteceu nas atrações da Praça do Patriarca, quase não chegava lá atrás, então se ouvia muito pouco do show. Uma pena já que os caras são muito engraçados, todos vestidos de terno e gravata borboleta. O ponto alto foi “México Lindo” que, quem conhecia, cantou o refrão. Um trechinho do show aqui.

No quesito horário, as atrações estavam pontuais e por vezes até adiantadas do programado. Ponto positivo para a organização. Isso fazia com que quem estava indo de um ponto a outro para curtir conseguiu ver sem problemas de atrasos ou alterações.

Enquanto o Nasi (ex-vocal do Ira!) agitava o palco Raul (programação especial só de Raul Seixas em comemoração aos 20 anos sem o maluco na Terra), era a vez do Wando  receber uma tonelada de calcinhas voando em sua direção. Ares de parada gay como disse alguém já que além das tiazinhas e canalhas, muitos casais homos também fizeram parte da platéia. O palco do Arouche só exibiu os clássicos desse naipe e foi um dos que mais recebeu gente, claro. Reginaldo Rossi, Benito di Paula e Odair José arrastam multidões.

 camisa na virada 300x199 Virada Cultural 2009

Era a vez do Camisa, lindo no palco abrindo com “Simca Chambord”. A banda, apesar de não oficialmente ter decretado seu fim, há muito não se reunia para tocar. E essa foi uma das gratas surpresas dessa Virada. Com Ivan Busic (do Dr. Sin na bateria), Robério Santana (Baixo), Karl Franz Hummel (guitarra base), Luiz Carllini (guitarrista, que já tinha tocado mais cedo em outro palco com o Tutti Frutti) tocaram clássicos como “Bete Morreu”, “Hoje”, “Só o fim” e ”O Adventista”. O destaque vai para o sempre sensacional vocalista Marcelo Nova, falando o tempo todo com o público e os novos arranjos especialmente em “Negue” e em “Eu Não Matei Joana D´arc” que encerrou o set. A longa “Correndo o Risco” e “My Way” foram as surpresas. Feliz de quem estava mais perto do palco e querendo curtir o show porque lá atrás além de não conhecer ou dar a devida importância, muita gente só se preocupava em garantir lugarpara o “Velhas Virgens” que viria na sequência.

Veja “Simca Chambord” aqui:

Era quase 1:10 da manhã e qualquer deslocamento para outro palco ou simplesmente circular era quase como estar numa procissão, com a  diferença de estar cercado de fanáticos mais legais. Fui para o Vale do Anhagabaú onde rolou performances de grupos de dança, com palcão e cadeirinhas e outros mais no meio do caminho com empilhadeiras e conteiners. Incrível a criatividade,  foi bem legal ver. Passei antes pelo Teatro Municipal que era um dos únicos espaços que tinha telão porque dentro aconteciam as apresentações como do Tom Zé e fora a galera também acompanhava. Nos intervalos do show, filmes do Festival de Curtas de São Paulo.

Muito legais também foram as projeções que rolavam no prédio da Prefeitura , tinha várias.

Uma pausa para comer e depois fui pro palco da Conselheiro Crispiniano, lá a programação era de bandas de jazz ou instrumental. E sem a loucura das multidões, estava mais sossegado para curtir e fotografar.

macaco bom by gabriel1 300x198 Virada Cultural 2009

 

2:30h Macaco Bong no palco. Foi a grande surpresa da minha programação já que não tinha mesmo a intenção de vê-los mas foi bom ter sido convencida e ter mudado de ideia.

O trio de Cuiabá/MT tem 5 anos de formação, mas já ganharam destaque em vários veículos por suas performances cheias de energia e por seu som nada convencional e muito bem executado. A banda já tocou em vários festival como Grito Rock festival (MT), Festival Calango (MT), Goiânia Noise Festival (GO), MADA festival (RN), 5º Festival Demosul (PR) e  Laboratório Pop Festival (RJ). O disco lançado ano passado, Artista Igual Pedreiro, foi eleito o melhor disco independente de 2008 e antes disso receberam ótimas críticas da mesma Rolling Stone  que concedeu o prêmio.  “Bananas For You All” é uma das que fazem parte desse disco e que agitaram o bom público presente. Mais um show empolgante, com direito a corda arrebentada na guitarra do Kayapy e mosh dele e do baixista Ney na galera. Quem não conhecia saiu fã e feliz com a apresentação. Para quem não se prende sempre ao mesmos artistas, estilos e gosta de algo diferente, vale a pena ouvir.

Se a opção não era ver o tributo pro Tim Maia, nem tão pouco Chico César e o Beto Barbosa, o jeito foi andar para espantar o frio do início da manhã e ver o que rolava enquanto aguardava os shows a partir das 6h. Apesar de boa parte das pessoas terem ido embora ou estarem mais concentradas nos locais dos eventos, muita gente ainda estava na rua. Na São Bento e XV de Novembro eram os sons de DJ’s e eletrônicos que agitavam. Pouco empolgada para encarar, fui de novo fazer a peregrinação em busca de algo legal pra ver nos intervalos.

Saindo do Vale do Anhagabaú, passando pela Praça do Correio e subindo de volta em direção à República, passei pelo palco dos pagodes, que estava até que bem vazio, galera muito dispersada. As performances de artistas de rua eram meio de surpresa, você tinha que estar no lugar certo, na hora certa pra ver. Nem vi a sombra do palco da Luz (aquele do Raul) e continuei indo em direção ao Arouche. Antes disso passei pelo palco da São João, no palco gigante das bandas de reggae. Seis da manhã, Tribo de Jah no palco. A fumaceira não rolou muito forte mas acho que gente que esteve nesse evento que também aconteceu em SP, certamente ia curtir o show.

Fui em busca de um café já que dali um pouco quem estaria em ação era o Matanza.  Café tomado, 6:50, totalmente dia de novo e de volta à República para ver os cariocas.

“Eu nunca pensei que ia dizer isso mas, bom dia, nós somos o Matanza“. Jimmy (vocal) abre o show assim e muita gente resistiu até aquele momento para vê-los. Os shows deles tem fama de violento onde o pogo pega pesado mas alguns cansados não se importaram de ver o show mais de longe. Para quem tava mais lá atrás, o Angus Young baixou nesse cidadão e ao som pesadão ele era o mais animado do local. Heróico “Eu não gosto de ninguém”, “Bom é quando faz mal” e “Ela roubou meu caminhão” foi algumas do set que foi grande e cheio de hits como os fãs gostam e muitos que estavam lá especialmente para vê-los não deixaram de cantar todas.

Veja “Clube dos Canalhas”:

Muito gente dispersou ainda mais depois do show deles e se estava muito cedo para o CPM e depois dessa porrada não queria encarar o Vanguart, o jeito era sair fora mesmo.

Sem pernas para encarar o rolê de descer para ver o que rolava nos outros palcos, fiquei eu e o Andreh Santos do Open File heróicamente esperando o CPM.

Incrível como a luz do dia revela o tanto de sujeira que o povo deixa atrás de si. Encontrava-se de tudo no chão, inúmeros cacos de vidro, peças de roupa, garrafas de plástico e lixo de toda natureza, mas ainda dava pra escolher um local menos sujo onde colocar os pés. Impossível usar qualquer banheiro químico, tarefa encarada numa boa por bêbados e nóias de plantão. Muitos veículos  noticiaram que o clima lá na Praça da República estava tranquilo e que por volta de 4.000 pessoas, segundo a Polícia Militar, estavam em frente ao palco, mas cenas de vandalismo como essa, mesmo em má qualidade no vídeo ocorram por lá. Babaquice gratuita também na Virada.

Vanguart foi a trilha sonora para a conversa no intervalo entre um show e outro. E o surfista prateado estacionado para fotos era uma outra atração a parte. De noite teria sido mais bonito vê-lo mas tava legal mesmo de dia.

Sobre o Vanguart: a despeito de falar que a banda é ruim ao vivo, ou que é chata, digo que me surpreendi. Você pode até não gostar do estilo e confesso que não é o meu preferido mas o som estava quase de um CD e a galera bem empolgada para vê-los. “Semáforo” foi o destaque do set e a que fechou o show. 

O Sol já brilhava forte e a enquanto mais gente ia embora, um outro tanto boquiaberto com a bagunça e sujeira ia chegando para ver o show do CPM. Muitas meninas e meninos novos de galera ou acompanhado dos pais se misturavam com os malucos e virados como nós.

cpm virada por vagner 150x150 Virada Cultural 2009

Um pouco antes das 10h, o CPM entrou no palco, agitando o início da manhã de quem ia encarar a programação do domingo. No meu caso, foi o desfecho completando 12 horas de Virada.

Tempo curto e público variado foram certamente ingredientes que fizeram com que o show tivesse um set mais pop, com os hits radiofônicos como “Chegou a hora de recomeçar” que abriu o show. “Irreversível”, “Um minuto para o fim do mundo” e “Ontem” no set. Uma bola enorme tipo aquelas que rolavam no Hollywood Rock e Rock in rio, estilizada com o nome da banda, viajou nas mãos da galera por todo o espaço da Praça e chegou até a rua onde tava a parte da galera e voltou para a frente do palco intacta.

“Atordoado” foi o som diferente para os fãs já que poucos cantaram e “Escolhas, provas e promessas”, “Mais rápido que as lágrimas” e “Estranho no espelho” foram as que rolaram do Cidade Cinza. A música título fez falta e várias outras ficaram de fora mas o show foi legal e fechou com “Inevitável”.

Duas informações sobre esse show: não é a primeira vez que o CPM toca de dia. Estranho ver a banda falar bom dia e fazer o show que inclusive tinha iluminação (não entendi o porquê até agora), mas a banda já tocou em vários shows do Sesc e no Bem Brasil quando era de dia em horarios até mais cedo que esse da Virada e pra quem acompanha a banda há um tempo essa nao é a novidade.

E quem fez fotos e vídeos desse show é só entrar em contato com a banda fotolog eles vão postar alguns desses no site oficial, conforme o próprio Badauí (vocal) informou.

Confira aqui “Tarde de outubro”

Seguindo novamente para o Anhagabaú, o público já era outro, muitas performances de artistas de rua e estátuas vivas. Bravamente, ainda muita gente ainda encarava o bate estaca dos eletrônicos no Largo São Bento, encarando uma espécie de rave da virada.

Enquanto horas depois o Japinha (batera do CPM) era flagrado pela câmera da Globo no meio da torcida do Corinthians, algumas antes eu partia para a Zona Leste ver qual seria a do show do Dead Fish dentro do teatro do CEU Aricanduva.

Graças ao intrépido fotógrafo Marcos Bacon conseguimos as senhas para o primeiro show. Primeiro porque como o espaço lá é limitado para 450 pessoas por vez e no dia anterior o Cachorro Grande  também teve o mesmo “problema” de excesso e fez um show extra. Então, certamente com o Dead Fish seria igual. Chegando lá, eram três filas diferentes – duas com senhas garantidas mais outra com a galera que ficaria no stand by para ser remanejada para o show extra.

Quem abriu o show foi o Sprint 77, trio formado por Nei (guitarra e voz), Ado (baixo) e Fidelis (bateria) e tem um punk cantado em português, estilo 365 menos politizado e essencialmente paulistano, falando das baladas, trânsito e coisas que só acontecem na cidade. “James Brown” foi o destaque do set e a única música disponível no myspace da banda. Foi um show até curtinho, com a galera ainda sentada e comportada assistindo. Mas a expectativa do que poderia acontecer e se o povo ia se conter e não invadir era iminente – uma certa tensão de leve no ar.

dead fish na virada cultural ceu aricanduva 03 05 09 016 199x300 Virada Cultural 2009No intervalo de troca de palcos, no aúdio musiquinha japonesa, acústico do Rei Roberto e até Alexandre Pires gerando muitas risadas e gritaria geral. Mas a agonia durou pouco e luzes apagadas, a banda entrou e nada de ficar sentado. Todos assistiram nos seus devidos lugares mas impossível ver um show deles sentado. E eu, chique, vi na primeira fila.

Rodrigo (vocal) pediu para que a galera respeitasse o lugar e que apesar da estrutura adversa aquele seria o melhor show que estaríamos vendo na Virada. Um consolo para uma alma cansada e um aditivo que turbinou a empolgação dos presentes.

Surpreendemente abriram com a linda “Tupamaru” seguida de “Venceremos” e uma quase inaudível “Molotov”. Em “Iceberg” Rodrigo subiu o corredor no meio da galera e por vários momentos ficou com ela. “Noite” foi outra boa surpresa do set. A banda estava empolgada e o show foi como a grande maioria um som atrás do outro, sem muita conversa e sem poupar energia para o show extra que viria na sequência.


dead fish na virada cultural ceu aricanduva 03 05 09 186 300x200 Virada Cultural 2009Alguns poucos incidentes de alguns querem subir ou chegar mais perto foram contidos pela equipe do CEU. O restante do set foi mesclado com sons novos como “Contra todos”, “Shark attack” e “Dialética” seguidos de sons mais antigos como “Siga” e “Um homem só”. “Autonomia” e a sequência final de “Descartáveis”, “Sr., seu troco” e “Você” empolgaram o público que nessa última ensaiou até um mosh no lado direito do palco deixando a organização do CEU, pouco acostumada com isso, assustada. Mas as tiazinhas lá se empolgaram, curtiram  e ensairam uma dancinha contida com a performance da banda.

A primeira leva saiu feliz da vida, algumas entraram novamente na fila para o próximo e a maioria (como eu) foi para a casa descansar ou assistir algum dos jogos da final dos campeonatos estaduais. O show extra foi um set diferente, mais calcado em sons antigos mas não menos empolgante que o primeiro.

4:18 da tarde do dia 3 de maio, final do show, final da cobertura.

Lição que eu tiro da Virada? Use calçados confortáveis, vá com uma galera legal e disposta a assistir a atrações diferentes, leve agasalhos, dinheiro e ache um local limpo e sossegado para descansar, comer e recarregar as baterias para encarar a maratona. Tem gente de todo o tipo com as mais diversas intenções, tem que estar no clima de, guardada as proporções, encarar o style woodstock do evento.

Apesar dos cortes de verba e das limitações dos shows de punk/hardcore terem sido cancelados e ter rolado um HC fest tímido e sem programação empolgante muito longe dos grandes eventos , escondido até na própria programação, valeu a pena. 2010 sendo nesse nível ou melhor, estaremos lá.

Aqui mapa da virada para saber como foi o roteiro. Imagens, comentários e vídeos de tudo da Virada aqui, melhor até que o site oficial. Mais fotos do CPM e do evento aqui.

Créditos:

Video Joelho de Porco – http://www.youtube.com/user/w4mpx

Foto Camisa por Renato Luiz Ferreira, originalmente publicada aqui

Vídeo Camisa - http://www.youtube.com/user/lillyyk

Foto Macaco Bong por Gabriel Chiarastelli

Video Matanza – http://www.youtube.com/user/Aleapas

Foto CPM por Vagner

Video CPM – http://www.youtube.com/user/ronaldinho75

Fotos Dead Fish por Marcos Bacon

Andrea Ariani

Entrevista: Projeto Open File

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No último dia 3 de abril, conversei com os fotógrafos Andreh Santos, Felipe Ramalho e Sueliton Lima, os criadores e administradores do Projeto Open File, que tem como objetivo reunir pessoas para encontros em torno de uma paixão:  a arte de fotografar. Confira abaixo esse bate papo:

Primeiro se apresentem e digam como cada um começou a fotografar.
FELIPE- Eu comecei fotografando acho que faz um ano e pouco, comecei com uma câmera compacta, mas não tinha intenção nenhuma de fotografar e de ser uma coisa mais séria. Aí foi quando eu conheci o Andreh e comecei a me interessar um pouco mais por fotografia, comecei a correr mais a atrás, estou com câmera melhorzinha. Acho que estou evoluindo mais.

ANDREH - Comecei a fotografar em 2008 com uma camerazinha HP de 3.4 megapixels, não corri atrás de banda. Aí entrei numa empresa de designer e eles me pediram para cobrir um show que teve no Parque da Juventude, que teve Discarga, Voiced, Falante e eu conheci o Tux (Mauricio Santana). Ele me ajudou, correu atrás durante uns 6 meses para comprar a câmera, daí comprei a câmera e fui com ele pra fazer o primeiro o show, que foi do Good Intentions, e logo o primeiro já saiu na Revista Vegetarianos. Daí não parei mais de fotografar.

SUELITON - Comecei a fotografar há exatamente um ano e um mês e comecei a ter paixão pela fotografia através da Paula (namorada), ela tinha câmera. Comecei a fotografar com uma Nikon que era da Paula, 6 megapixels, que até hoje dá uma ajuda. Aí comecei a investir, coloquei na minha cabeça e comecei a investir mesmo. Comprei a minha XTI que é uma câmera melhorzinha, não é uma top mas para o começo está ótimo, é uma semiprofissional. E estou correndo atrás. Pretendo evoluir, tanto em questão de equipamento como na questão de técnica. E logo que eu comprei minha câmera, de cara, o primeiro show que cobri  com a câmera nova, eu conheci o Andreh (Santos), que foi uma das únicas pessoas que me ajudou e que ajuda até hoje. É um lance que rola sem interesse, sem nada em troca. E uma das coisas que ele fala é que ele me ajuda e tem outras pessoas que ajudam ele. Esse show foi no Hangar, num show do Voiced. Inclusive foi a primeira vez que eu fui no Hangar. 

O Open File começou esse ano e que foi uma idéia conjunta de vocês três muita gente já sabe, mas como rolou a idéia de montar o projeto? Desde quando essa vontade existe?
- A idéia surgiu no começo do ano. Surgiu na verdade num rolê que tinha saído eu, o Felipe e mais dois moleques. Um fui pra pichar e outro foi por interesse. E a gente sempre estava saindo mas eu vi que o Fê, ele estava com uma compacta mas ele estava a fim mesmo de aprender. Um tava a fim de pichar e outro a fim de surrupiar as coisas que eu tinha tipo fotometria. Pode colocar isso aí, não tem problema não. E nesse dia que eu sai pra fazer fotos com o Tux, que foi o show do Good Intentions, conheci o Felipe. Ele queria as fotos do show e a partir daí que a gente começou a trocar idéia e montamos, mas tipo ainda não um encontro, foi meio “ah, vamos sair pra fotografar?”. A gente percebeu que esse pessoal do rolê não ia, não fazia encontro ; não se reunia e a gente estava empolgado mas a gente sentia que a galera não estava nem aí, não queria saber de nada e como a gente já se falava, eu trocava muita coisa com ele e ele comigo. No fim do ano na verdade, foi na Paulista, dia 27 de dezembro de 2008. A gente estava fazendo fotos.

- Não, foi antes do Natal. Foi dia 22 de dezembro, dia 26 a gente fez no Ibirapuera.

A - E a gente estava  andando e viu um grupo de fotografia que era do interior. Daí eu conversei e ficava pentelhando o pessoal “vamos fazer um grupo de fotografia”, ninguém respondia, era sempre “depois a gente conversa” e ninguém conversa mais. Mandei e-mail para todo mundo e falei: “A idéia é essa”. Quero um nome totalmente besta. No início era “Olho preto” depois virou “Black eye project”. Aí a gente escolheu um nome. Foi bem assim: Eu, Felipe e mais o outro moleque estavamos conversando no messenger e ele lá falou um nome mas ele não tava interessado, era sempre o Felipe que falava, dava as idéias. Daí um dia eu no messenger com o Fê, voltando do trampo,ele falou “Por que não Open File? . Daí eu: “Open File Project?”. E ele “Não, Projeto Open File”. Decidido o nome, na hora eu já fiquei louco e mandei e-mail pra todo mundo aprovar e a gente já marcou e montou o flyerzinho e corremos atrás.

img 3281 150x150 Entrevista: Projeto Open FileVocês já foram convidados para algum outro grupo de fotógrafos em que cada um posta uma foto por semana? O que acham desse tipo de grupo? Limita ou dá chance de mostrar algo diferente das fotos de shows e bandas?
- O meu ponto vista em relação a isso é que eu ficava muito estressado porque quando a gente foi montar era de a idéia de “sete fotógrafos se reunem”. Não existe essa de sete fotógrafos que se reunem; conversam pelo messenger e monta uma panela. Eu não vou citar alguns que tem mas eu acho chato. Teve encontro nosso que foi uma pessoa que foi e disse “eu quero sair do grupo”. Então, eu acho isso totalmente zuado. E nossa idéia de montar o grupo foi tirar um pouco isso.

S – Tirar totalmente né?

A - Tirar totalmente, você é livre. Se você é um grupo, não interessa se você é de um grupo de 7 pessoas, não importa se são sete ou 3 milhões de pessoas, cola na parada. Faz o seu corre e isso que começou a acontecer. E o que acho legal é que, em questão de reconhecimento, o pessoal viu que não é um grupo que é uma panela e sim um grupo que está querendo tirar as pessoas da panela. Tipo fotos de show: são pessoas que conversam entre si e ninguém mais pode entrar entendeu? fica uma panela, coisa totalmente fechada. Pode até ser o  cara mais top que for, não entra. Não sei se por medo, se o pessoal pensa: “ah, vai tomar o meu lugar”, mas isso é um pouco do que acontece.

Vocês acreditam que o trabalho coletivo dá mais retorno que uma divulgação individual?
A – Eu acho que sim, porque tem por exemplo  pessoas que vão no encontro e não tem câmera profissional. Tipo a Paula Mariana e  a Luana Botelho.

F - E tira foto no nível de profissional.

A – E o legal é porque assim, a gente está trabalhando e estudando e aquele pouco que a gente tem, a gente passa para as pessoas. E aquelas pessoas que não tem uma câmera que podem fazer um trampo legal, ela passa para a gente. Então, rola meio que uma sociedade mesmo.  Porque você começar a fazer uma parada sozinho, você fica bitolado e meio que se fecha pouco. Eu conheço vários casos de fotógrafos assim. “Ah, não faço foto em grupo porque eu sou tímido”. Mas acho que não é isso, acho que é um pouco de medo de que alguém cobre a maneira que aquela pessoa trabalha, entendeu? Eu vejo isso de muitos fotógrafos que estão na cena, tanto em fotos de modelos, como em foto de bandas. Já aconteceu de perguntar tipo “como faz esse tipo de fotometria?” “Aprende”. Entendeu? Sendo que a gente estava no encontro no Museu do Ipiranga e me pediram pra mostrar como fazia um efeito e eu mostrei. Sendo que o cara tinha uma câmera compacta, totalmente limitado e fez naquele dia -a- dia. Eu acho isso legal. Eu tenho um pouco do que o pessoal mulçumano tem, de que você tem que aprender a dar um pouco do que você tem para você receber aquele pouco de volta. É legal você ajudar os outros pra ser ajuda também né?

img 3249 150x150 Entrevista: Projeto Open File

Como vocês definem o local dos encontros? Quais das edições até agora foi mais gente e qual vocês curtiram mais o resultado?
F - O encontro mais legal foi esse último em Paranapiacaba porque juntou pessoas que a gente não conhecia.

A – Alguns que a gente não conhece até agora. (risos)

F- E a gente perguntou como as pessoas ficaram sabendo e muitos foi por causa da nossa divulgação. Foi uma das melhores coisas de se poder escutar.

A – Teve um casal que viu pelo flickr o flyer e foi. A gente não mandou nada para ele e nem tem feito uma divulgação num nível ferrado porque começou agora. Acho que o de Paranapiacaba não foi tão divulgado quando o do Museu do Ipiranga mas a gente atingiu pessoas de Santos, da Paraíba, pessoas que simpatizaram com a parada. Com o grupo e tem sido muito legal. E a gente nunca pensou em tipo, fazer uma estratégia de marketing para divulgar a parada e tal. O Sueliton mesmo chegou porque curtiu a idéia, porque quer participar da administração, porque quer correr atrás, acho essa iniciativa legal.  As pessoas estão apostando que eu não apostaria. Não esperava que tivesse tanta gente e que tivesse tanta repercussão. Hoje já tem gente de banda, por exemplo o Allyand (baixista) do Dead Fish falando do projeto. É bacana ter uma banda super conceituada falar do projeto. Não limita a só fotógrafos, mas gente de banda, modelos que vem falar com a gente. Gente que tem flickr lá do cu do Judas que chama a gente para postar fotos, então isso que é bacana e o melhor dessas paradas.

S – E o que eu mais legal em grupos de fotografia e que desde o começo eu acho foda é o lance de não rolar grana e todo mundo fazer isso porque gosta. Porque tipo, grupos de fotolog, como já foi citado, as pessoas nem se vem pessoalmente eu acho. Cada faz uma foto lá e posta um material novo, acho que fica nexo. E o diferencial do Open File é isso.

A - A gente fugiu um pouco do assunto mas nós tentamos marcar os encontros em lugares que as pessoas nunca foram e que tem curiosidade de ir. Tipo o Parque da Luz  porque lá é uma atmosfera diferente, é meio drástico e bonito. Tem prostitutas, tem pessoas que vão para tirar foto, conversar, mas tem quem vai pra roubar, então está todo mundo no mesmo lugar, parece um mundo dentro de outro mundo.  Agora que o grupo está maior a gente tem feito uma espécie de votação. Igual a Paranapiacaba. Eu sempre quis desde o começo e falava para o pessoal “vamos, vai ser legal, o lugar é bacana”. E foi muito bom. 

img 3274 300x200 Entrevista: Projeto Open File

São mais profissionais ou amadores que têm procurado fazer parte do projeto ou participado dos encontros? O que as pessoas procuram no Open File?
A – Tem modelos que têm procurado para servir tipo de cobaia mesmo porque fotografia é muito caro. Mas todo mundo tem uma ética de fotografia. Não é legal você chegar e só porque está aprendendo tirar do cara que está há 10, 15 anos, que é o ganha-pão daquela pessoa e tirar foto de graça. Teve a Iracema que a gente encontrou na Liberdade para conversar sobre o Museu do Ipiranga. Vi a menina, me interessei, queria casar com ela na verdade, mas ela não me deu bola e não deu bola até hoje.

F - E para que ela tirou foto então?

A – Porque ela é modelo e ficou legal. Ela querendo ou não querendo abriu as portas. Porque ela gosta de fotografia, entrou para o grupo, vai nos encontros e virou como modelo. Tem alguns lugares que foi temático e ela vai para fotografar.

S – E acaba sendo fotografada.

A- Acaba sendo fotografada porque ela é bonita. Mas já teve várias pessoas que vieram. Porque tem gente que não tem flickr ou fotolog só de bandas mas tem gente que tem foto de paisagens, tem gente que tem fotos de ambientes, animais e é legal porque a gente sai disso, chama mais atenção da pessoa. Você não é só um fotógrafo de banda, você é um fotógrafo completo.

S – Que entende de vários tipos de fotografia.

Mas para quem nunca foi como acontece, a pessoa chega lá com a camerazinha amadora para fazer a foto e tem um roteiro a seguir, vocês dão dicas, auxiliam nas captações?
A – Já assistiu algum filme falando do fim do mundo? Que um monte de pessoas começa a andar pra lá e pra cá e você não sabe pra onde? É assim.

S – É aleatório.

A- No Parque da Cantareira, que é o próximo não, aí já vai ter guia. Aí é legal porque vai uma pessoa para falar, em tal lugar aconteceu tal coisa. Quem for nesse extra do dia 10 vai ter guia e mais dois seguranças. E já me perguntaram se não é perigoso. Perigoso é mas por isso a gente tá procurando os meios de fazer com que a pessoa vá se sentindo mais segura. E o fato de ajudar, ajuda. Teve até um fato inusitado na Verdurada. O Fê tinha ido e só tinha fotógrafo ferrado tipo o Mauricio Santana, o Daigo, o Mateus, só tinha fotógrafo top no dia e ele entrou com uma camerizinha compacta, tinha era ele e mais uma menina. A menina ia na cara de pau mesmo mas o Fê ficou acuado e e eu falei, “vai lá e tira” e ele tirou. O Mauricio Santana também veio e falou “eu tirava foto com uma camerazinha pior que a sua”.

F – E isso só me deu mais coragem a ir atrás.

S - Pra mim também foi a melhor coisa.

A -  E foi legal que incentivou ele a fazer fotografia na hora, tem foto maravilhosas daquele dia. Tem gente que vai com camerazinha de webcam mas é muito apaixonado por fotografia, eu acho que é legal. Tipo uma das pessoas que foi e a gente não sabe o nome.

F – Depois que ele ler essa entrevista quem sabe a gente descobre.

A – Tem que procurar saber, é um molequezinho magrelo, de óculos, com barba por fazer. Ele chegou com camerazinha pequena e ficou meio assim porque pensa você está ali e chega uma pessoa com uma D90, uma XSI, chega alguem com uma compacta mas tipo top entendeu? Assusta mesmo. Por exemplo, em show tem muito fotógrafo em show.

S – Tem mais fotógrafo do que público.

A – Última verdurada que a gente foi tinha 9 fotógrafos em cima do palco e a gente quer mostrar que não existe só foto de show, existe vários tipos de fotos, Tem como vc sair ao livre e fazer fotos maravilhosas. Para de ficar bitolado em só show, vai respirar um pouco!

A – E o que é legal nas nossas saídas é que  se uma pessoa faz foto de uma casa, a outra pessoa vai lá e não vai postar a foto da mesma casa. E é legal porque a gente não precisa “educar” uma pessoa que tem uma compacta já está mais no espírito do que tem uma câmera profissional, uma D300 da vida. Não tem aquilo de que ah, eu fiz melhor, a outra respeita o que você fez, a sua visão artística da coisa, aquela parte poética.

Alguém já foi fotografar com celular?
A – Teve uma pessoa que estava com uma câmera compacta, que é o Leo. Ele fazia com a câmera e depois fazia com o celular. Legal porque esse é o grande barato de gostar de fotografia. Tem celular super equipado hoje. Tem um cara que foi no encontro andar de bicicleta, depois pegou o celular e fez fotos.

img 3244 150x150 Entrevista: Projeto Open FileDepois dos encontros, como o resultado dos trabalhos é divulgado? E as pessoas continuam mantendo contado depois de ter participado?
A – No começo nós mesmos pegavamos as fotos no e-mail e colocávamos as assinaturas. No último encontro, a gente abriu e todo mundo tem um logo do projeto. Onde você for postar tem que estar com a assinatura do projeto. E independente disso o pessoal que está entrando não é por interesse, é porque gosta de fotografia.

S – E é legal que o pessoal chega para os encontros e já identifica, já pergunta e sabe que nós somos do Open File.

Vocês são mais conhecidos pelas fotos que fazem mais fotos nos shows. E por conta disso já tem ou tiveram contratos com as bandas para fazer promo e claro fotos dos shows. O que isso trouxe de experiência? E se não fossem essas fotos, qual o tipo de trabalho gostariam de fazer?
F – No meu caso eu não tirava foto de show. Eu pegava a câmera, via uma latinha de coca caindo aquelas gotinhas de gelo, já tirava uma foto. Hoje eu sinto falta disso porque eu comecei a tirar muita foto de show e não tem mais isso. Foi quando eu comecei no Open File que voltou essa imaginação. Tanto que hoje em dia eu ja sinto falta de foto de show, faz tempo que não tiro foto de show. Com o Open file eu sinto que estou pegando um olhar mais fotográfico, estou evoluindo bastante, eu acho.

S- Desde que eu encanei com esse lance de fotografia  a intenção foi só fazer foto de show. Mas ai eu comecei a perceber que é muito injusto. Tanto que no meu flickr fotos variadas, as de shows agrada o pessoal que vai no show, que tem banda, já as fotos no geral agrada a galera no geral. Isso que é legal.

F - Eu percebo isso bastante porque quando eu tirava minhas fotos “brisa” eu até recebia comentários. Já nas fotos de shows era só amigos e gente que foi no show, nenhum fotógrafo comenta nas fotos de show.

S - Eu faria nu artistico ( e nessa hora quase apanha da namorada)

Andreh/Sueliton – É por que dá dinheiro né? 

A – Só que você fotografaria com uma fralda né? (risada geral)

S – Eu faria foto jornalismo mas eu sei que tem que estudar demais. Nunca tentei mas deve ser muito foda, acho muito legal.

F – Eu queria fazer foto em moda, procurei um curso e não fui aceito.

A – Normal, acho que você tem que comer mais um pouco.

F – Sei que não tenho porte físico nem beleza para isso, mas tudo bem (risada geral). Mas meu foco mesmo é crescer profissionalmente e tirar foto em moda.

A – Eu aprendi que tipo dentro de foto de show é muito panela mas é algo que não vai acabar. Enquanto as pessoas não tiverem na mente  que ninguém quer tomar posse do espaço de ninguém. Teve vários, não só eu mais inúmeros que foram lesados tipos que não pra mim não são fotógrafos, acho que são como diz o Bertolino, seguradores de câmeras. Tem pessoas que vão ali só para tirar foto do show. Mas eu sinto que no designer quanto em fotografia, as pessoas precisam de alguém para se espelhar e é muito chato você ter como exemplo alguém que você vê mais pra frente que ela não é aquilo que você imaginou. Eu fico chateado em relação a isso.

Eu vou falar uma coisa que eu aprendi: fotógrafo não é aquele cara que tem uma 3DX tipo de linha, que pagou 35 mil reais nela. Fotógrafo é aquele que tem visão é um bom dedo para clicar. Tem gente que pensa que só porque comprou uma câmera melhor já se veste de ouro e senta num troninho.

 

img 3278 150x150 Entrevista: Projeto Open FileQuais os próximos encontros e objetivos do Open File e de cada um de vocês?
F – Além de ganhar dinheiro? (risos)

A -Fazer camisetas.

F – Acho que continuar apredendo e passando para as pessoas as técnicas e sair um pouco da rotina de show.

A – A idéia principal é ir para se distrair, fazer amigos, descontrair conhecer pessoas e a consequência é foto. Vai ter sempre pessoas que tem câmeras caras ou câmeras baratas mas amam fotografia. E fazer o máximo possível para o projeto não virar panela. Eu gostaria muito que isso virasse centenário.

S – Uma coisa que eu acharia legal mas é projeto meu, sem ser Open File é através da fotografia ajudar alguém. Nessas saídas que a gente faz, colar numa comunidade carente e mostrar a realidade daquela pessoa através das nossas fotos, arranjar donativos e quem quiser ser voluntário e ajudar nisso. que a coisa não fique só na diversão entendeu? Quero através do projeto ajudar pessoas.

 

Deixem um recado para quem está lendo essa entrevista , para quem estiver a fim de ir nos próximos encontros.
F – A gente vai já para o quarto encontro e muita gente ainda fica inibida de ir porque acha que não tem câmera adequada, fica com vergonha. O que eu digo é não importa o equipamento que você tem, você ama fotografia você é bem vindo ao Projeto Open File.

S – O recado é para as bandas, isso não se resume só ao projeto open file, mas em relação ao meio fotográfico. Independente da cena pelo amor de Deus dêem valor à fotografia . E venham para nosso grupo que não paga nada, ninguém tem fins lucrativos.

A – Só deixar avisado também que nos nossos encontros não podem ir para vender fotos. Todos os passeios são totalmente não-comerciais. E acho que, complementando o que o Su falou, acho banda tem que dar valor ao fotógrafo como fotógrafo tem que dar valor à banda. É uma união, um show precisa de um fotógrafo e o fotógrafo precisa registrar esse show. Tem gente que está começando agora e equipamento não se acha no lixo. Tem gente que paga quase 8 mil reais numa câmera e o cara cobrando 50 reais num show e a banda reclama. Do mesmo jeito que uma banda está correndo atrás para tocar, tem também o cara que quer crescer e um dia tirar foto de um Radiohead, umas bandas ferradas.

S – Se a banda não dá reconhecimento para o fotógrafo, como ele quer que a banda seja reconhecida? Como ele quer que as pessoas valorizem a música dele?

F – A gente quer para finalizar agradecer a todos que participaram do projeto.

A -É, tem gente de fora de São Paulo, como tem gente na Paraíba querendo montar, gente no Mato Grosso querendo montar. Isso é bacana porque assim tem que pensar coletivo, não só no próprio umbigo. Pensar em repassar a informação que ela aprendeu um dia. Quando você aprende uma coisa você logo quer o que? Guardar para você mesmo. Cada um tem visão das coisas. E acho que as pessoas tem que saber dividir o conhecimento em vez de guardarem para si mesmas, confiarem mais no seu próprio taco e mostrar que realmente é alguém. Por isso existem professores.

Quero agradecer a todos que acreditaram no projeto e a Andréa Ariani que está ajudando pra caramba, e a todo mundo que confiou. Quero que o Open File vire uma coisa igual mortadela, tipo “Projeto Open File – desde 1900 e  lá vai cacetada”.

F – Compareçam nos próximos encontros. Dia 10 na Cantareira, dia 26 no Templo Zulai e não tenham vergonha das suas câmeras.

 

Projeto Open File
Fotolog
Flickr

Fotos por Paula Mariana

Athos Moura

Muito além da fotografia

Cada dia que passa a tecnologia nos ajuda a chegar mais perto da perfeição. E com a fotografia não é diferente. Desde quando entramos na era digital as câmeras se tornaram mais amigas do homem e pessoas comuns podem tirar ótimas fotos. Porém, isso não faz de cada clicador um fotógrafo. Ainda existem algumas coisas que a tecnologia não criou, como: o olhar, a percepção e o sentimento. E O fotógrafo Maurício Santana, também conhecido como Tux, é um especialista nisso.

 

Seu interesse pela fotografia começou partindo de algumas negativas que recebeu de seu pai. Tux sempre quis usar a câmera da família para fotografar seu cães e seu pai nunca deixava. Então, resolveu comprar sua própria câmera. Os resultados sempre eram elogiados por quem via o material.

 

Com tantos comentários positivos ele resolveu investir na carreira. Primeiro começou fazendo vídeos, mas achava muito demorado o processo já que, ainda, teria que editar. Resolveu entrar de cabeça nos cliques por achar que o trabalho ficaria pronto mais rápido.

 

Com o passar de dois anos, tempo em que está na profissão, Tux se especializou em fotografar shows de bandas de rock. Suas fotos circulam em Fotolog’s, perfis de Orkut, Myspace’s e muitos outros meios de divulgação. Algumas de suas fotos já foram publicadas até no Japão. O motivo de suas fotos terem grande repercussão é simples, o próprio Tux explica. “Acho que o feeling seria o que descreveria melhor o meu trabalho, sei que consigo pegar o click na hora certa e que passa a emoçao para o publico”, comenta.

 

 

Tux já fotografou bandas de todo o Brasil e do exterior. Seu portifólio é extremamente rico. Muita gente reconhece seu talento, como é o caso da banda COnfronto. Os músicos o contrataram para ser o seu fotógrafo oficial.

 

Morador de São Paulo, ele pode ser achado facilmente em qualquer show de rock, principalmente os de hardcore, da cidade. Em ocasiões especiais você o encontra, talvez, na sua cidade. Sempre fazendo o que mais gosta. Clicando e deixando um momento registrado para a história.

 

Para ver o trabalho de Maurício Santana, clique aqui.

Nesta última semana estive por São Paulo. Lá, me encontrei com o vocalista da banda Dead Fish, Rodrigo Lima. Conversamos sobre o novo CD da banda, Contra Todos, que chega ás lojas na próxima terça-feira, dia 10. Também falamos sobre a saída do baterista e fundador da banda, Nô. E muitas outras coisas. Confira abaixo a entrevista exclusiva.
Ro+2 Entrevista exclusiva com Rodrigo Lima do Dead Fish

Novo CD na praça, Contra Todos. O que os fãs podem esperar dele? Aquela pegada do Dead Fish antigo que os fãs sentiram falta no último, Um Homem Só?

Cara, eu não sei. Eu não gosto muito de dar conselho para as pessoas. Eu acho que a gente teve muito prazer em fazer esse CD. Foi um CD em um ano muito difícil, mas foi um CD prazeroso. Eu acho que ele teve a vibe do Sonho Médio, mas talvez não seja o Sonho Médio. Eu acho que o Sonho Médio era em uma idade diferente, em um tempo de idéias diferentes, a gente acreditava em coisas diferente. Eu não sei se vai ser um substituto do Sonho Médio. Mas ele tem o prazer de gravado do Sonho Médio, entendeu?

E como foi a experiência de compor músicas com apenas uma guitarra. As músicas do novo disco vão estar mais simples por causa disso?

Eu gosto do ganho de simplicidade que a gente teve no Contra Todos, justamente por ser um integrante só o cara que fez as guitarras. Apesar de ser um cara taradão, um cara que gosta de faze arranjo, com uma guitarra só a gente conseguiu dialogar muito melhor a banda internamente, entendeu? E eu acho que a gente ganha em peso também. Talvez esse seja o CD mais pesado, nosso. Até mais que o Zero e Um.

Contra Todos tem uma música em inglês. Tinha tempo que vocês não lançavam músicas sem ser em português.

É, na verdade a música é inglês porque a placa que a gente viu lá em Recife que era Shark Attack, em inglês. Ai quando todo mundo chegou pra tomar banho de mar e viu a placa, assim, na minha cabeça de primeira veio a idéia de fazer uma letra em inglês, entendeu? Foi natural, bem tranqüilo.

contra+todos Entrevista exclusiva com Rodrigo Lima do Dead Fish
E como estão as letras do novo CD? Letras ótimas e reflexivas sempre foram características da banda.

Eu acho que as letras são mais diretas. Eu que sou o cara que faz a maioria das letras, eu não quero ser tão subjetivo. Eu acho que as coisas têm que estar mais na cara, assim. Todo mundo sabe o que está acontecendo, todo mundo sabe quem os filhos da puta do mundo e quem são os gente fina, entendeu? É bem óbvio isso. Então eu acho que é mais ou menos nessa linha que a gente segue, com simplicidade. Mas sem ser aquela coisa, eu não gosto de usar a palavra panfletária porque eu acho a coisa panfletária divertida. Mas é do indivíduo pro mundo, entendeu? Não partido do mundo para o indivíduo, entendeu? Eu só consigo hoje, escrever, partindo de mim, me tendo como exemplo, você como exemplo, alguém mais próximo como exemplo. Se for pra falar da fome no mundo eu prefiro falar da minha fome, da sua fome. Eu acho que é mais ou menos por aí.

Com o passar dos álbuns a banda sempre está mudando ou perdendo um integrante. Como vocês trabalharam isso para que a banda não perdesse sua identidade?

Todo mundo está perguntando isso, cara. Provavelmente a banda perde bastante de identidade agora com a saída do Nô. Ele vai fazer falta, é nítido e todo mundo sabe disso. Eu sinto isso, mas a coisa da gente ter convidado um cara mais velho e um cara que já conhecia a banda, justamente, vem pra tentar suprir. Eu não sei se isso vai acontecer ou não. A gente vai tentar suprir a nossa identidade em tudo que a gente construiu nesses anos. Ou de repente deixar alguma coisa para trás, sabe? Dentro do Dead Fish a gente sempre pensa assim, temos que fazer alguma coisa diferente pra agradar a gente e não pra agradar fulano ou cicrano. A gente tem que estar, internamente, gostando do que a gente faz. Agora com a saída do Nô existe uma boa possibilidade das coisas mudarem bastante sonoramente.

Depois desse tempo todo tocando, no ano passado, a banda, e você principalmente, passaram talvez pelo momento mais difícil da história do Dead Fish que foi a saída do Nô. Como foi o momento em que a ficha caiu e você percebeu que um dos fundadores da banda estava fora?

Eu acho que não caiu a ficha ainda. Eu fiz poucos shows com o Marcão. Eu gosto do Marcão, mas eu olho pra trás e ainda não posso cuspir. Esse é o meu sentimento. Então eu ainda sinto uma certa dor de barriga de vez em quando. Cara, eu acho que a gente fez escolhas, e agente procurou fazer escolhas pra se manter amigo, pra não virar um negócio. Já que a gente em parte está em um negócio, a gente está em uma gravadora e querendo ou não a gente é tratado como produto até certo modo. Eu acho que internamente a coisa não podia ficar um negócio. Então, a gente resolveu fazer escolhas e essas escolhas foram duras. Mas eu acho que a médio e longo prazo, isso vai ser bom pra todo mundo, inclusive pro Nô. A gente vai conseguir ter uma amizade, a gente vai conseguir rir de algumas coisas. Talvez ele vá ter uma mágoa durante muito tempo, de mim principalmente que foi o cara que fundou a banda com ele. Mas do jeito que estava não podia acontecer. As outras pessoas que saíram da banda eram pessoas que; na primeira formação os caras não quiseram voltar pra banda. Foi muito triste, foi muito chato. Na segunda formação eram caras que não eram, mas a gente se tornou amigos, mas não era uma coisa de raiz de ter se conhecido no colégio. Era mais ou menos isso, por isso que foi mais marcante essa coisa do cara sair. É mais marcante.

Falando no Marcão, pra vocês da banda, como está sendo tocar com ele? Por que quem conhece um pouco mais de música vê que ele é mais talentoso que o Nô.

Eu não acho que a questão é talento. Eu acho que a questão é técnica. Eu gostava da pegada do Nô, da forma punk que ele tinha de tocar. Ele tocava forte. E o Marcão é um cara que toca quase tão forte quanto o Nô. Eu acho difícil alguém tocar com o braço tão forte quanto do Nô. Mas ele é um reloginho. Ás vezes a gente tá tocando e eu estranho. Eu acho estranho e falo, pô, tem alguma coisa errada. A música começou em um tempo e está terminando no mesmo tempo, assim, ás vezes é até meio chato, sabe? Ele é um metronominho, e as vezes é estranho, entendeu? Mas ele é um cara talentoso pra caralho. É um cara que acrescenta muito.

Ele também toca no Ação Direta. Uma banda que tem uma agenda regular de shows. Isso vai fazer com que a quantidade de shows do Dead Fish diminua? Como vão administrar isso?

A gente vai ter que administrar Zander Blues, que é do Phillipe, Acão Direta, que é do Marcão e o 88 Não!, que é do Nego, do Allyand. Só eu, idiota que não fiz uma banda de projeto ainda. Mas eu acho que a gente consegue administrar isso numa boa. O Allyand que está fechando os shows, ele sempre dá um mês, um mês e meio de antecedência e fala pros caras, tem show tal dia e vê seu lado aí com a banda
. O Zander vai abrir uns shows em março, provavelmente a gente vá fazer uns shows com o Ação Direta e o 88 Não! no decorrer do ano. Mas é tranquilo.

show+df Entrevista exclusiva com Rodrigo Lima do Dead FishO Dead Fish este ano completa 18 anos e é uma banda mais velha do que muito dos seus fãs. Você acredita que essa renovação acontece por que motivo?

Eu respondi esses dias para um conhecido meu que também fez uma entrevista comigo, que eu não consigo explicar muito isso. Como o Dead Fish consegue se renovar ciclicamente e ter sempre uma molecada mais nova nos shows. Por exemplo, você não vê tanto nego velho no show. Quando você vê eles estão nos cantos, nos lugares pequenos. É impressionante, passa um ano, passa o outro ano e eu falo, cara, agora fodeu, a gente vai ter menos público. As pessoas vão conhecer menos o Dead Fish. A gente é uma banda velha, mal-humorada, com uns tipos feios no palco. Isso já não faz tanto sucesso com a gurizada, entendeu? Eu não consigo explicar. Muita gente acha que é por causa de como a gente procede no palco e também por a gente nunca querer falar pra um tipo de gente só. A gente tem uma banda de hardcore, mas a gente sempre tocou com todos os estilo. Eu acho que isso faz diferença também.

E o Projeto Peixe Morto? Li em uma entrevista que talvez vocês voltem para alguns shows.

Cara, eu gostaria de fazer o projeto, mas tenho que perguntar antes pro Nô o que ele quer.

E qual seria a formação da banda? As músicas foram gravadas depois do Afasia e a formação do Dead Fish mudou.

É, só ficou eu e o Allyand. Cara, eu acho que isso vai ficar por conta do Allyand. Ele que vai chegar e conversar com as pessoas e ver o que queremos fazer. Eu não quero que o projeto peixe morto fosse hardcore de novo. Eu queria que fosse um CD que agradasse a gente de outra forma, se é que a gente vai fazer alguma coisa de outra forma. Talvez fazer alguma coisa com dubby, eletrônico, não sei. Que fosse um projeto, entendeu?

O Dead Fish continua com a postura de não tocar em eventos em que as bandas pagam para tocar? Já é uma rotina isso. Os produtores cobrarem das bandas novas. E cobrarem muito dinheiro.

É cara, essa é a cagada que a nossa geração deve sentir mais dor nos finqueters. Porque a gente batalhou por muito tempo pra ter um espaço. Um pequeno espaço para que todos pudessem usufruir. Apesar de alguns não poderem usufruir tanto com tanta regularidade, mas era para todos. E acontece que uma meia dúzia começou a tomar conta de certos espaços que existem. Acabou virando um grande jogo de mercado. Eu não sei se a culpa é nossa, se ela não é nossa. Eu acho que essa molecada está muito equivocada. Eles não olham pras coisas que aconteceram antes. Pra tudo que os mais velhos passaram. É até uma falta de respeito pelos caras que passaram, com as bandas que passaram, com as bandas de gente talentosíssima que esteve aí e passaram. Acabaram não sendo vistas. E isso de usar a banda como investimento, como se existisse um banco para desenvolvimento, sabe? É um negócio meio estranho. Agora, quanto aos shows eles diminuíram muito. Mas, foda-se. Foda-se! Eu não dou a mínima. que eu zelei a minha vida inteira foi por ter espaço e que esse espaço fosse para todos. Se não for desse jeito, sei lá, vou arrumar um emprego. Foda-se! Eu não vou tocar em uns eventos assim. A gente descobriu várias vezes que a gente tocou em eventos que os produtores cobraram das bandas. Isso foi extremamente constrangedor para gente. Eu lembro que quando a Allyand chegou para reclamar com um dos produtores, o Allyand é muito educado. Quem tinha que ter sido produtor era o Nô que é grosso pra caralho. O Allyand chegou pra reclamar do cara e o cara chegou e disse que os eventos de hoje são assim. Se não topássemos tocar a gente estaria cometendo um suicídio musical. Aí eu falei assim, cara, então nos matemos. Eu não posso compactuar com isso. Não é honesto, não é justo.

foto+promo Entrevista exclusiva com Rodrigo Lima do Dead Fish

O Dead Fish é de uma geração que sempre lutou bastante pelo underground. Como que é viver de underground no Brasil? Viver da banda.

As pessoas no Brasil não tem a mentalidade de que elas tem direito de pelo menos tentar viver do que elas querem. Eu já estive lá fora e vi qual é a realidade das bandas lá fora. As realidades das bandas lá fora são parecidas, só que é diferente. Você corre atrás e bota a cara, faz turnês longas, como o Confronto, por exemplo. Você consegue fazer algum dinheiro e você consegue viver modestamente daquilo que você quer, que é a música. Mas aqui não. Ou você é fodido pagando pra tocar ou você é o funcionário do Rick Bonnadio. Você não tem um meio termo pra isso. Você não cria uma rede. Aliás, a gente tentou criar uma rede. Existe a Abrafin, existe um monte de produtor bem intencionado Brasil afora que ás vezes perdem por chegar um cara junto na mesma localidade que ele que vai cobrar das bandas e ele não vai ser levado a sério. Porque é coisa menor. Essas coisas todas, sacou?

Em 2007 vocês tiveram a oportunidade de excursionar pela Europa. Como foi ter a experiência de tocar para outra cultura, fazer shows todos os dias e constatar as diferenças dos underground’s gringo e brasileiro?

Cara, a diferença musicalmente é pouca. Tem banda ruim, tem banda boa, tem banda excelente, tem banda de ótimos músicos e chata, tem banda de músicos de merda e boas. A diferença é a estrutura. Eu não sei. Eu não fui a muitos países da Europa. Dizem que na Espanha é uma porcaria, na Itália é uma porcaria. Mas na Alemanha e na República Tcheca, eles têm uma estrutura mínima. Eles fazem uma agenda pra você com dois ou três meses de antecedência, eles agilizam tudo. Perguntam o que você quer de backline. Não é um luxo isso. Você ter um equipamento mínimo pra você fazer o seu show. Não é o backline do Michael Jackson, não é o backline do Kiss e nem do Aerosmith. É um bakcline. E isso faz uma diferença extrema. Os caras falam assim, a gente tem isso pra vocês, X. E chega lá está X feito. Eu fiz uma sacanagem. Lá tem o Catering. Nunca me perguntaram no Brasil o que eu queria comer no show. E os caras de um Squat no meio da Alemanha Oriental Comunista dava tudo o que eu pedia. Inclusive no meio do catering eu disse que queria uma marca de chinapse da marca tal. Eu olhei uma marca alemã qualquer. E em todos os shows estavam a garrafa de chinapse, cara. É uma exigência babaca e falei isso eles não vão me dar. E foram lá e me deram. Não era difícil pra eles. Custava cinco euros e estava lá. Essa é a diferença.

Sei do interesse de vocês em tocar pela América do sul. Vai rolar com a turnê do Contra Todos?

Cara, tomara. Porque já se vão sete anos de convites. Desde quando eu morava em Vitória eu tenho contatos no Chile, na Argentina, no Uruguai, Colômbia e até hoje nada. A gente é muito lerdo, cara. O bandinha do caralho de lerdo.

 Entrevista exclusiva com Rodrigo Lima do Dead Fish 10px 0px; WIDTH: 213px; CURSOR: hand; HEIGHT: 340px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ptaxshPJ5hI/SY5-oZzZGtI/AAAAAAAAAaQ/DJeO75Ihvuk/s320/foto+show+2.jpg" border="0" />Muita gente critica o fato da banda fazer parte de uma gravadora e não entende que o underground também precisa se profissionalizar. O que mudou pra melhor e pra pior quando o Dead Fish se envolveu com a DeckDisk?

Deixa eu abrir um parênteses aqui. Eu acho que o argumento do underground, muitas vezes é usado para encobrir incompetência, pra encobrir má fé, sacou? E falta de responsabilidade. EU vi isso durante 17 anos no meu país. Po, vocês estão querendo água no camarim, po, vocês já foram underground. Porra brother, não fode, saca? Underground não é sinônimo de eu foder você, sacou? A cena independente não é sinônimo de eu só ganho. É pra todo mundo. Se não for pra todo mundo não é uma cena. Agora, foi muito engraçado quando a gente foi acusado, quando a gente entrou na Deck e eu não vi as pessoas acusaram o Ratos de Porão, o Cólera e nem o Mukeka Di Rato. Eu tenho orgulho de estar na gravadora dos caras. Até porque eu enchi o saco muitas vezes do João Augusto e do Rafael falando sobre o Mukeka, falando dos Pedrero, falando da puta que pariu, entendeu? Eu não sei cara. Eu acho que, uma coisa que eu aprendi com o Nô. Inclusive eu falei isso até em outra entrevista. A gente aprende a interpretar sentimentos por trás de palavras. Quando a gente foi muito questionado sobre a gente ter entrado na Deck. A gente sempre foi uma banda muito independente. Eu lembro quando a gente gravou o Sirva-se!, nego chamou a gente de traidor do movimento da fita K7, do movimento Demo Tape. Ai quando a gente resolveu, porque era a única forma da gente se manter como banda, senti um certo, não sei se é certo dizer isso. Mas eu senti um ciúme no ar. Porque muita gente tentou, tentou e a gente disse não umas duas vezes. E quando tentaram a terceira a gente disse beleza. Rolou um certo ciúme, não sei. Eu não consigo interpretar bem. Teria que perguntar pro Nô. Porque o Nô é um bom interprete de sentimentos por trás de palavras. Mas eu acho que profissionalmente a gente aprendeu muito. Vendo as coisas grandes acontecerem, vendo a indústria acabando. Porque quando a gente entrou a indústria estava com meio barco dentro d’agua. Agora ela está só com a velinha de fora, entendeu? Então, a gente foi vendo isso acontecer e foi muito legal a gente ter visto isto internamente. A gente vê que muita coisa no Brasil que se diz profissional, que se diz democrática, não passa de um loby. Você tem os contatos, vê com quem é mais bem relacionado e consegue fazer mais as coisas. Nada justo. Isso acontece muito. Na economia de mercado eu acho que é mais ou menos assim. Mas no Brasil isso é mais potencializado. Eu acho que nossa herança latina, sei lá, nossa herança portuguesa.

O que passa na sua cabeça, quando você lembra do tempo em que montou o Dead Fish com um grupo de amigos que curtia andar de skate até hoje vendo que o trabalho deu certo e que vocês são uma das bandas de hardcore mais amadas do país.

Cara, eu acho que é o que me move ainda. É estar em uma coisa que eu comecei, que eu falei, eu quero isso pra minha vida. Quer dizer, eu quero me divertir com isso, começou comigo querendo me divertir com isso. Eu quero estar com meus amigos. Depois eu quero aprender isso. E quero isso pra minha vida. E o que me move é ouvir um cara que eu conheci há 17 anos me falar, cara você construiu uma carreira em um cenário independente em um país como o Brasil. Não vou me vangloriar disso. Mas meus amigos antigos falam, cara, você conseguiu fazer o impossível. Sem mudar. Sem flexionar a sua espinha. Cara, eu entrei em uma gravadora. Passei a ganhar menos em venda de CD. Tudo bem, eu abri mão disso. Mas também eu não deixei de abrir mão de falar do que eu queria. Então, o que me move é isso. É ver um moleque que me parou na rua. Eu odeio que os moleques me parem na rua. Sou muito bravo, sou muito mal educado ás vezes. Mas o moleque me parou na rua e falou assim, Rodrigo, e aí, tranquilo? Cara, eu tenho 19 anos. Eu comecei a ouvir você porque o meu tio que tem vinte e tal me mostrou e eu piro no seu trabalho desde então. Eu tinha oito anos. Hoje eu tenho 19. É a única coisa que me move de estar em uma banda. E de estar com os amigos, né cara? Eu espero que a gente consigo ainda manter o clima de amizade e não ser só profissionalismo, espero.

Obrigado e peça pra galera comprar o cd e não baixar em MP3.

Não cara, baixa aí. Se você não tem grana você baixa. O CD Contra Todos agora está bonitão, lindão, de digipack. Todo bonitinho. E provavelmente vai sair vinil. Então, baixa lá. Se você gostar, compra. Você continua ajudando a banda comprando o CD e baixando também.

Fotos do show: Maurício Santana – http://www.flickr.com/photos/tuxhc
Foto de divulgação: Luringa – http://www.flickr.com/photos/luringa
Foto abertura: Athos Moura – http://www.fotolog.com/athosmoura
Para os preguiçosos que não gostam de ler, eu disponibilizei o áudio da entrevista para download. Quem quiser baixar é só clica neste link: http://www.4shared.com/file/85011780/986d643f/Entrev1_Rodrigo_DF.html
Athos Moura

Merda – O Jogo dos Jovens

capa Merda   O Jogo dos JovensSabe aquela banda de música rock, chamada Merda!? Isso, aquela que bateu a van na Europa, quase não faz shows, lança cd’s semestralmente. Então, eles agora resolveram entrar para o ramo dos games e estão desafiando a Nintendo e tentam acabar com a febre do Play Station. Saiu, pela Laja Rekords, o jogo, Merda – O Jogo dos Jovens.
O jogo é composto por três fases, Cidade, Coqueiral e Inferno. Você é um cachorro vira-latas, magricelo e cheio e perebas. Para piorar você ainda é rosa. Seu objetivo é derrotar o príncipe Gi-Lili que é amiguinho de Satanás. Juntos, eles pretendem espalhar a maldição emo pela Terra.
O tutotial do jogo é apresentado por um homem fumando, bebendo cachaça, com o escudo do Flamengo no peito e de cavanhaque. Esse é homem é Jesus Cristo. Você é recomendado a pegar todas as Coca-Colas que aparecem na sua frente, pois, pasmem, ela é sua vida. Tome todaS as pingas que aparecerem. Ela produzirá a sua arma. Você mata seus inimigos com vômito. Caso a situação fique feia não pense duas vezes em chamar o amigo Speck. Ele é sinistro, pega um pega geral. fase+1 Merda   O Jogo dos Jovens
Na primeira fase, a Cidade, logo de cara um policial dá tiros de fuzil em você, um sambista joga seu pandeiro em sua direção, e tome cuidado, porque a porra do bandeiro volta e um certo Burzum Marley tenta te matar com baforada de Maconha. O chefão dessa fase é o Porco Policial, que vira um espécie de Super Saidin, quando leva uma mijada de um rato.
A fase seguinte é, Coqueiral. O nosso cachorrinho sai da cidade e vai para praia. Dessa vez os inimigos mudam. Agora nosso herói enfrenta um vendedor ambulante que joga coxinhas de galinha, um surfista que lança sua prancha e um pivete que fica soltando pipa. Cuidado! A maré sobe e você pode morrer afogado.
Para passar da fase é necessário matar a chefona do pedaço. Um mosquito da dengue pica a virgem mundialmente conhecida, Sandy, e ela vira Amy Winehouse. A arma da heroína (droga) girl são seus peitos moles e elásticos e um vômito podre que pula. Essa é a pior vilã de qualquer game que eu tenha jogado.
A última fase é o Inferno. O pobre cachorrinho enfrenta o perigoso Gi-Lili, o príncipe, também integrante do Nx Zero. O que acontece nessa fase eu não sei. Ainda não consegui passar pela Amy. Quem conseguir, por favor, me conte. Ah, e só pra terminar. Quando você morre, Jesus te zoa.
Abaixo, uma pequena conversa com Fábio Mozine. Dono da Laja Rekords e uma das mentes desocupadas que criou o jogo.

gilili Merda   O Jogo dos Jovens

Bandas lançam discos, porque lançar um jogo?
Tive esse ideia originalmetne junto com meu amigo Binho Miranda, o mesmo que tirou as fotos do livro do Brown e esta editando o vídeo da tour do Merda e Leptospirose na Europa. Quando do nada, surgiu um rapaz de São Paulo, chamado Mobral, bom nome. Ele me falou que queria fazer um jogo do Merda. Eu falei pra ele que já estava com essa ideia junto com outra pessoa, mas pedi pra ele me mandar o que tinha em mente. Quando ele me mandou o desenho do cachorrinho eu pedi pra ele continuar na hora. Ele já tinha bastante coisa escrita, ai ficamos em cima criando essas historinhas podres e acabou que saiu até bem antes do que a gente esperava, quem jogou até agora gostou. A ideia de continuar fazendo outros jogos esta de pé e já tem uns 5 novos pra serem feitos, todos de bandas por enquanto, e no futuro talvez outros sem ser de banda.

Como surgiu a ideia mirabolante de criar o Merda – O Jogo de Jovens?
O mobral já tinha algumas ideias no papel e passei outras e fomos agrupando, mexendo no som, mudando, testando, consertando alguns erros que fomos encontrando quando iamos jogando, melhorando outras paradas e deu nisso.

O que pretendem com o jogo? Virar novos Bill Gates?
A primeira parte da nossa missão foi cumprida, que era fazer algo pra gente se divertir e divertir nossos amigos. Assim como 90% das coisas que faço na Laja. Agora vem a segunda parte, que é essa mesmo, ganhar dinheiro. Vamos correr atras de pai-trocinadores pra bancar os jogos no site. E caso não encontremos esses patrocinadores, tudo bem, os jogos vão continuar sendo feitos sem patro mesmo.

Vem mais jogos por aí? Talvez o Merda Guitar Hero?
Você acabou de nos dar uma boa ideia, obrigado. Vale lembrar que não será pago por ela, okay?

Os chefes das fases foram criados inspirados em alguém ou foi mera coincidência?
O porco policial é o porco policial né, hehe. A Amy é minha amante, a mulher dos meus pesadelos. o Gi-Lili, chefe máximo no final, representa o lixo musical que tanto amamos! Ah, vendi esses dias 2 cds do nxzero, porra, essa porra vende mesmo.

Por que o herói é um cachorro magricelo perebento? É uma alusão a alhum integrante da banda?
Aquele cachorrinho se chama “cachorrinho” é tipo um logotipo da banda e sempre aparece em encartes e cds do Merda, desde o primeiro lançamento. Cachorrinho é um heroi.

Agora vamos falar sério. Como foi feito o processo de criação do jogo?
Acho que até ja expliquei um pouco isso né. O Mobral já tinha alguma coisa em mente, ele me passou tudo que tinha, eu dei algumas sugestões, algumas imposições, hehe. Mas a gente se entendeu muito bem velho. O moleque conhece tudo do Merda e a gente se entendia. Uma das músicas do jogo, naquela hora que há a transformaçao dos monstros, não estava casando bem, estava um sambinha. Eu falei com ele, pedi pra ele procurar algo mais tenso, e ele encontrou a introduçao da música “eu te odeio II”, ou seja, ele tava completamente por dentro. O próximo jogo vai ser o Motoqueiro Doido, todo inspirado nos Pedrero, esse vai ter um som midi (igual do atari). A ideia foi do mobral também, mas agora eu já estou ajudando ele a criar os detalhes, tipo, matar nenem ganha x pontos, matar velha ganha tanto, beber gasolina, etc e por ai vamos.

O jogo está disponível para download ou só pode ser jogado no site da laja? Ele pode vir como bonus de futuros lançamentos da banda?
Por enquanto a ideia é fazer ali no site um mini portal de games de bandas da Laja, sem nenhuma pretenção de acontecer nada com isso, mas se a gente ficar milionário, vai ser legal pra caralho.

Há alguma possibilidade dos jogos serem disponilizados para outras mídias, talvez celulares?
É uma boa ideia, ja tivemos, mas é uma outra tecnologia, mas não é impossivel não. A gente quer colocar esse jogo pra download em outro sites também, talvez atraves de parcerias o jogo possa ser jogado em outro lugar, veremos.

Para jogar, clique aqui.