
No último dia 3 de abril, conversei com os fotógrafos Andreh Santos, Felipe Ramalho e Sueliton Lima, os criadores e administradores do Projeto Open File, que tem como objetivo reunir pessoas para encontros em torno de uma paixão: a arte de fotografar. Confira abaixo esse bate papo:
Primeiro se apresentem e digam como cada um começou a fotografar.
FELIPE- Eu comecei fotografando acho que faz um ano e pouco, comecei com uma câmera compacta, mas não tinha intenção nenhuma de fotografar e de ser uma coisa mais séria. Aí foi quando eu conheci o Andreh e comecei a me interessar um pouco mais por fotografia, comecei a correr mais a atrás, estou com câmera melhorzinha. Acho que estou evoluindo mais.
ANDREH - Comecei a fotografar em 2008 com uma camerazinha HP de 3.4 megapixels, não corri atrás de banda. Aí entrei numa empresa de designer e eles me pediram para cobrir um show que teve no Parque da Juventude, que teve Discarga, Voiced, Falante e eu conheci o Tux (Mauricio Santana). Ele me ajudou, correu atrás durante uns 6 meses para comprar a câmera, daí comprei a câmera e fui com ele pra fazer o primeiro o show, que foi do Good Intentions, e logo o primeiro já saiu na Revista Vegetarianos. Daí não parei mais de fotografar.
SUELITON - Comecei a fotografar há exatamente um ano e um mês e comecei a ter paixão pela fotografia através da Paula (namorada), ela tinha câmera. Comecei a fotografar com uma Nikon que era da Paula, 6 megapixels, que até hoje dá uma ajuda. Aí comecei a investir, coloquei na minha cabeça e comecei a investir mesmo. Comprei a minha XTI que é uma câmera melhorzinha, não é uma top mas para o começo está ótimo, é uma semiprofissional. E estou correndo atrás. Pretendo evoluir, tanto em questão de equipamento como na questão de técnica. E logo que eu comprei minha câmera, de cara, o primeiro show que cobri com a câmera nova, eu conheci o Andreh (Santos), que foi uma das únicas pessoas que me ajudou e que ajuda até hoje. É um lance que rola sem interesse, sem nada em troca. E uma das coisas que ele fala é que ele me ajuda e tem outras pessoas que ajudam ele. Esse show foi no Hangar, num show do Voiced. Inclusive foi a primeira vez que eu fui no Hangar.
O Open File começou esse ano e que foi uma idéia conjunta de vocês três muita gente já sabe, mas como rolou a idéia de montar o projeto? Desde quando essa vontade existe?
A - A idéia surgiu no começo do ano. Surgiu na verdade num rolê que tinha saído eu, o Felipe e mais dois moleques. Um fui pra pichar e outro foi por interesse. E a gente sempre estava saindo mas eu vi que o Fê, ele estava com uma compacta mas ele estava a fim mesmo de aprender. Um tava a fim de pichar e outro a fim de surrupiar as coisas que eu tinha tipo fotometria. Pode colocar isso aí, não tem problema não. E nesse dia que eu sai pra fazer fotos com o Tux, que foi o show do Good Intentions, conheci o Felipe. Ele queria as fotos do show e a partir daí que a gente começou a trocar idéia e montamos, mas tipo ainda não um encontro, foi meio “ah, vamos sair pra fotografar?”. A gente percebeu que esse pessoal do rolê não ia, não fazia encontro ; não se reunia e a gente estava empolgado mas a gente sentia que a galera não estava nem aí, não queria saber de nada e como a gente já se falava, eu trocava muita coisa com ele e ele comigo. No fim do ano na verdade, foi na Paulista, dia 27 de dezembro de 2008. A gente estava fazendo fotos.
F - Não, foi antes do Natal. Foi dia 22 de dezembro, dia 26 a gente fez no Ibirapuera.
A - E a gente estava andando e viu um grupo de fotografia que era do interior. Daí eu conversei e ficava pentelhando o pessoal “vamos fazer um grupo de fotografia”, ninguém respondia, era sempre “depois a gente conversa” e ninguém conversa mais. Mandei e-mail para todo mundo e falei: “A idéia é essa”. Quero um nome totalmente besta. No início era “Olho preto” depois virou “Black eye project”. Aí a gente escolheu um nome. Foi bem assim: Eu, Felipe e mais o outro moleque estavamos conversando no messenger e ele lá falou um nome mas ele não tava interessado, era sempre o Felipe que falava, dava as idéias. Daí um dia eu no messenger com o Fê, voltando do trampo,ele falou “Por que não Open File? . Daí eu: “Open File Project?”. E ele “Não, Projeto Open File”. Decidido o nome, na hora eu já fiquei louco e mandei e-mail pra todo mundo aprovar e a gente já marcou e montou o flyerzinho e corremos atrás.
Vocês já foram convidados para algum outro grupo de fotógrafos em que cada um posta uma foto por semana? O que acham desse tipo de grupo? Limita ou dá chance de mostrar algo diferente das fotos de shows e bandas?
A - O meu ponto vista em relação a isso é que eu ficava muito estressado porque quando a gente foi montar era de a idéia de “sete fotógrafos se reunem”. Não existe essa de sete fotógrafos que se reunem; conversam pelo messenger e monta uma panela. Eu não vou citar alguns que tem mas eu acho chato. Teve encontro nosso que foi uma pessoa que foi e disse “eu quero sair do grupo”. Então, eu acho isso totalmente zuado. E nossa idéia de montar o grupo foi tirar um pouco isso.
S - Tirar totalmente né?
A - Tirar totalmente, você é livre. Se você é um grupo, não interessa se você é de um grupo de 7 pessoas, não importa se são sete ou 3 milhões de pessoas, cola na parada. Faz o seu corre e isso que começou a acontecer. E o que acho legal é que, em questão de reconhecimento, o pessoal viu que não é um grupo que é uma panela e sim um grupo que está querendo tirar as pessoas da panela. Tipo fotos de show: são pessoas que conversam entre si e ninguém mais pode entrar entendeu? fica uma panela, coisa totalmente fechada. Pode até ser o cara mais top que for, não entra. Não sei se por medo, se o pessoal pensa: “ah, vai tomar o meu lugar”, mas isso é um pouco do que acontece.
Vocês acreditam que o trabalho coletivo dá mais retorno que uma divulgação individual?
A - Eu acho que sim, porque tem por exemplo pessoas que vão no encontro e não tem câmera profissional. Tipo a Paula Mariana e a Luana Botelho.
F - E tira foto no nível de profissional.
A - E o legal é porque assim, a gente está trabalhando e estudando e aquele pouco que a gente tem, a gente passa para as pessoas. E aquelas pessoas que não tem uma câmera que podem fazer um trampo legal, ela passa para a gente. Então, rola meio que uma sociedade mesmo. Porque você começar a fazer uma parada sozinho, você fica bitolado e meio que se fecha pouco. Eu conheço vários casos de fotógrafos assim. “Ah, não faço foto em grupo porque eu sou tímido”. Mas acho que não é isso, acho que é um pouco de medo de que alguém cobre a maneira que aquela pessoa trabalha, entendeu? Eu vejo isso de muitos fotógrafos que estão na cena, tanto em fotos de modelos, como em foto de bandas. Já aconteceu de perguntar tipo “como faz esse tipo de fotometria?” “Aprende”. Entendeu? Sendo que a gente estava no encontro no Museu do Ipiranga e me pediram pra mostrar como fazia um efeito e eu mostrei. Sendo que o cara tinha uma câmera compacta, totalmente limitado e fez naquele dia -a- dia. Eu acho isso legal. Eu tenho um pouco do que o pessoal mulçumano tem, de que você tem que aprender a dar um pouco do que você tem para você receber aquele pouco de volta. É legal você ajudar os outros pra ser ajuda também né?

Como vocês definem o local dos encontros? Quais das edições até agora foi mais gente e qual vocês curtiram mais o resultado?
F - O encontro mais legal foi esse último em Paranapiacaba porque juntou pessoas que a gente não conhecia.
A - Alguns que a gente não conhece até agora. (risos)
F- E a gente perguntou como as pessoas ficaram sabendo e muitos foi por causa da nossa divulgação. Foi uma das melhores coisas de se poder escutar.
A - Teve um casal que viu pelo flickr o flyer e foi. A gente não mandou nada para ele e nem tem feito uma divulgação num nível ferrado porque começou agora. Acho que o de Paranapiacaba não foi tão divulgado quando o do Museu do Ipiranga mas a gente atingiu pessoas de Santos, da Paraíba, pessoas que simpatizaram com a parada. Com o grupo e tem sido muito legal. E a gente nunca pensou em tipo, fazer uma estratégia de marketing para divulgar a parada e tal. O Sueliton mesmo chegou porque curtiu a idéia, porque quer participar da administração, porque quer correr atrás, acho essa iniciativa legal. As pessoas estão apostando que eu não apostaria. Não esperava que tivesse tanta gente e que tivesse tanta repercussão. Hoje já tem gente de banda, por exemplo o Allyand (baixista) do Dead Fish falando do projeto. É bacana ter uma banda super conceituada falar do projeto. Não limita a só fotógrafos, mas gente de banda, modelos que vem falar com a gente. Gente que tem flickr lá do cu do Judas que chama a gente para postar fotos, então isso que é bacana e o melhor dessas paradas.
S - E o que eu mais legal em grupos de fotografia e que desde o começo eu acho foda é o lance de não rolar grana e todo mundo fazer isso porque gosta. Porque tipo, grupos de fotolog, como já foi citado, as pessoas nem se vem pessoalmente eu acho. Cada faz uma foto lá e posta um material novo, acho que fica nexo. E o diferencial do Open File é isso.
A - A gente fugiu um pouco do assunto mas nós tentamos marcar os encontros em lugares que as pessoas nunca foram e que tem curiosidade de ir. Tipo o Parque da Luz porque lá é uma atmosfera diferente, é meio drástico e bonito. Tem prostitutas, tem pessoas que vão para tirar foto, conversar, mas tem quem vai pra roubar, então está todo mundo no mesmo lugar, parece um mundo dentro de outro mundo. Agora que o grupo está maior a gente tem feito uma espécie de votação. Igual a Paranapiacaba. Eu sempre quis desde o começo e falava para o pessoal “vamos, vai ser legal, o lugar é bacana”. E foi muito bom.

São mais profissionais ou amadores que têm procurado fazer parte do projeto ou participado dos encontros? O que as pessoas procuram no Open File?
A - Tem modelos que têm procurado para servir tipo de cobaia mesmo porque fotografia é muito caro. Mas todo mundo tem uma ética de fotografia. Não é legal você chegar e só porque está aprendendo tirar do cara que está há 10, 15 anos, que é o ganha-pão daquela pessoa e tirar foto de graça. Teve a Iracema que a gente encontrou na Liberdade para conversar sobre o Museu do Ipiranga. Vi a menina, me interessei, queria casar com ela na verdade, mas ela não me deu bola e não deu bola até hoje.
F - E para que ela tirou foto então?
A - Porque ela é modelo e ficou legal. Ela querendo ou não querendo abriu as portas. Porque ela gosta de fotografia, entrou para o grupo, vai nos encontros e virou como modelo. Tem alguns lugares que foi temático e ela vai para fotografar.
S - E acaba sendo fotografada.
A- Acaba sendo fotografada porque ela é bonita. Mas já teve várias pessoas que vieram. Porque tem gente que não tem flickr ou fotolog só de bandas mas tem gente que tem foto de paisagens, tem gente que tem fotos de ambientes, animais e é legal porque a gente sai disso, chama mais atenção da pessoa. Você não é só um fotógrafo de banda, você é um fotógrafo completo.
S - Que entende de vários tipos de fotografia.
Mas para quem nunca foi como acontece, a pessoa chega lá com a camerazinha amadora para fazer a foto e tem um roteiro a seguir, vocês dão dicas, auxiliam nas captações?
A - Já assistiu algum filme falando do fim do mundo? Que um monte de pessoas começa a andar pra lá e pra cá e você não sabe pra onde? É assim.
S - É aleatório.
A- No Parque da Cantareira, que é o próximo não, aí já vai ter guia. Aí é legal porque vai uma pessoa para falar, em tal lugar aconteceu tal coisa. Quem for nesse extra do dia 10 vai ter guia e mais dois seguranças. E já me perguntaram se não é perigoso. Perigoso é mas por isso a gente tá procurando os meios de fazer com que a pessoa vá se sentindo mais segura. E o fato de ajudar, ajuda. Teve até um fato inusitado na Verdurada. O Fê tinha ido e só tinha fotógrafo ferrado tipo o Mauricio Santana, o Daigo, o Mateus, só tinha fotógrafo top no dia e ele entrou com uma camerizinha compacta, tinha era ele e mais uma menina. A menina ia na cara de pau mesmo mas o Fê ficou acuado e e eu falei, “vai lá e tira” e ele tirou. O Mauricio Santana também veio e falou “eu tirava foto com uma camerazinha pior que a sua”.
F - E isso só me deu mais coragem a ir atrás.
S - Pra mim também foi a melhor coisa.
A - E foi legal que incentivou ele a fazer fotografia na hora, tem foto maravilhosas daquele dia. Tem gente que vai com camerazinha de webcam mas é muito apaixonado por fotografia, eu acho que é legal. Tipo uma das pessoas que foi e a gente não sabe o nome.
F - Depois que ele ler essa entrevista quem sabe a gente descobre.
A - Tem que procurar saber, é um molequezinho magrelo, de óculos, com barba por fazer. Ele chegou com camerazinha pequena e ficou meio assim porque pensa você está ali e chega uma pessoa com uma D90, uma XSI, chega alguem com uma compacta mas tipo top entendeu? Assusta mesmo. Por exemplo, em show tem muito fotógrafo em show.
S - Tem mais fotógrafo do que público.
A - Última verdurada que a gente foi tinha 9 fotógrafos em cima do palco e a gente quer mostrar que não existe só foto de show, existe vários tipos de fotos, Tem como vc sair ao livre e fazer fotos maravilhosas. Para de ficar bitolado em só show, vai respirar um pouco!
A - E o que é legal nas nossas saídas é que se uma pessoa faz foto de uma casa, a outra pessoa vai lá e não vai postar a foto da mesma casa. E é legal porque a gente não precisa “educar” uma pessoa que tem uma compacta já está mais no espírito do que tem uma câmera profissional, uma D300 da vida. Não tem aquilo de que ah, eu fiz melhor, a outra respeita o que você fez, a sua visão artística da coisa, aquela parte poética.
Alguém já foi fotografar com celular?
A - Teve uma pessoa que estava com uma câmera compacta, que é o Leo. Ele fazia com a câmera e depois fazia com o celular. Legal porque esse é o grande barato de gostar de fotografia. Tem celular super equipado hoje. Tem um cara que foi no encontro andar de bicicleta, depois pegou o celular e fez fotos.
Depois dos encontros, como o resultado dos trabalhos é divulgado? E as pessoas continuam mantendo contado depois de ter participado?
A - No começo nós mesmos pegavamos as fotos no e-mail e colocávamos as assinaturas. No último encontro, a gente abriu e todo mundo tem um logo do projeto. Onde você for postar tem que estar com a assinatura do projeto. E independente disso o pessoal que está entrando não é por interesse, é porque gosta de fotografia.
S - E é legal que o pessoal chega para os encontros e já identifica, já pergunta e sabe que nós somos do Open File.
Vocês são mais conhecidos pelas fotos que fazem mais fotos nos shows. E por conta disso já tem ou tiveram contratos com as bandas para fazer promo e claro fotos dos shows. O que isso trouxe de experiência? E se não fossem essas fotos, qual o tipo de trabalho gostariam de fazer?
F - No meu caso eu não tirava foto de show. Eu pegava a câmera, via uma latinha de coca caindo aquelas gotinhas de gelo, já tirava uma foto. Hoje eu sinto falta disso porque eu comecei a tirar muita foto de show e não tem mais isso. Foi quando eu comecei no Open File que voltou essa imaginação. Tanto que hoje em dia eu ja sinto falta de foto de show, faz tempo que não tiro foto de show. Com o Open file eu sinto que estou pegando um olhar mais fotográfico, estou evoluindo bastante, eu acho.
S- Desde que eu encanei com esse lance de fotografia a intenção foi só fazer foto de show. Mas ai eu comecei a perceber que é muito injusto. Tanto que no meu flickr fotos variadas, as de shows agrada o pessoal que vai no show, que tem banda, já as fotos no geral agrada a galera no geral. Isso que é legal.
F - Eu percebo isso bastante porque quando eu tirava minhas fotos “brisa” eu até recebia comentários. Já nas fotos de shows era só amigos e gente que foi no show, nenhum fotógrafo comenta nas fotos de show.
S - Eu faria nu artistico ( e nessa hora quase apanha da namorada)
Andreh/Sueliton - É por que dá dinheiro né?
A - Só que você fotografaria com uma fralda né? (risada geral)
S - Eu faria foto jornalismo mas eu sei que tem que estudar demais. Nunca tentei mas deve ser muito foda, acho muito legal.
F - Eu queria fazer foto em moda, procurei um curso e não fui aceito.
A - Normal, acho que você tem que comer mais um pouco.
F - Sei que não tenho porte físico nem beleza para isso, mas tudo bem (risada geral). Mas meu foco mesmo é crescer profissionalmente e tirar foto em moda.
A - Eu aprendi que tipo dentro de foto de show é muito panela mas é algo que não vai acabar. Enquanto as pessoas não tiverem na mente que ninguém quer tomar posse do espaço de ninguém. Teve vários, não só eu mais inúmeros que foram lesados tipos que não pra mim não são fotógrafos, acho que são como diz o Bertolino, seguradores de câmeras. Tem pessoas que vão ali só para tirar foto do show. Mas eu sinto que no designer quanto em fotografia, as pessoas precisam de alguém para se espelhar e é muito chato você ter como exemplo alguém que você vê mais pra frente que ela não é aquilo que você imaginou. Eu fico chateado em relação a isso.
Eu vou falar uma coisa que eu aprendi: fotógrafo não é aquele cara que tem uma 3DX tipo de linha, que pagou 35 mil reais nela. Fotógrafo é aquele que tem visão é um bom dedo para clicar. Tem gente que pensa que só porque comprou uma câmera melhor já se veste de ouro e senta num troninho.
Quais os próximos encontros e objetivos do Open File e de cada um de vocês?
F - Além de ganhar dinheiro? (risos)
A -Fazer camisetas.
F - Acho que continuar apredendo e passando para as pessoas as técnicas e sair um pouco da rotina de show.
A - A idéia principal é ir para se distrair, fazer amigos, descontrair conhecer pessoas e a consequência é foto. Vai ter sempre pessoas que tem câmeras caras ou câmeras baratas mas amam fotografia. E fazer o máximo possível para o projeto não virar panela. Eu gostaria muito que isso virasse centenário.
S - Uma coisa que eu acharia legal mas é projeto meu, sem ser Open File é através da fotografia ajudar alguém. Nessas saídas que a gente faz, colar numa comunidade carente e mostrar a realidade daquela pessoa através das nossas fotos, arranjar donativos e quem quiser ser voluntário e ajudar nisso. que a coisa não fique só na diversão entendeu? Quero através do projeto ajudar pessoas.
Deixem um recado para quem está lendo essa entrevista , para quem estiver a fim de ir nos próximos encontros.
F - A gente vai já para o quarto encontro e muita gente ainda fica inibida de ir porque acha que não tem câmera adequada, fica com vergonha. O que eu digo é não importa o equipamento que você tem, você ama fotografia você é bem vindo ao Projeto Open File.
S - O recado é para as bandas, isso não se resume só ao projeto open file, mas em relação ao meio fotográfico. Independente da cena pelo amor de Deus dêem valor à fotografia . E venham para nosso grupo que não paga nada, ninguém tem fins lucrativos.
A - Só deixar avisado também que nos nossos encontros não podem ir para vender fotos. Todos os passeios são totalmente não-comerciais. E acho que, complementando o que o Su falou, acho banda tem que dar valor ao fotógrafo como fotógrafo tem que dar valor à banda. É uma união, um show precisa de um fotógrafo e o fotógrafo precisa registrar esse show. Tem gente que está começando agora e equipamento não se acha no lixo. Tem gente que paga quase 8 mil reais numa câmera e o cara cobrando 50 reais num show e a banda reclama. Do mesmo jeito que uma banda está correndo atrás para tocar, tem também o cara que quer crescer e um dia tirar foto de um Radiohead, umas bandas ferradas.
S - Se a banda não dá reconhecimento para o fotógrafo, como ele quer que a banda seja reconhecida? Como ele quer que as pessoas valorizem a música dele?
F - A gente quer para finalizar agradecer a todos que participaram do projeto.
A -É, tem gente de fora de São Paulo, como tem gente na Paraíba querendo montar, gente no Mato Grosso querendo montar. Isso é bacana porque assim tem que pensar coletivo, não só no próprio umbigo. Pensar em repassar a informação que ela aprendeu um dia. Quando você aprende uma coisa você logo quer o que? Guardar para você mesmo. Cada um tem visão das coisas. E acho que as pessoas tem que saber dividir o conhecimento em vez de guardarem para si mesmas, confiarem mais no seu próprio taco e mostrar que realmente é alguém. Por isso existem professores.
Quero agradecer a todos que acreditaram no projeto e a Andréa Ariani que está ajudando pra caramba, e a todo mundo que confiou. Quero que o Open File vire uma coisa igual mortadela, tipo “Projeto Open File - desde 1900 e lá vai cacetada”.
F - Compareçam nos próximos encontros. Dia 10 na Cantareira, dia 26 no Templo Zulai e não tenham vergonha das suas câmeras.
Projeto Open File
Fotolog
Flickr
Fotos por Paula Mariana