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Athos Moura

EDITORIAL: Hardcore, vamos debater

Discutir o hardcore. Essa foi à função que Fausto Oi (Dance of Days), Fábio Sonrisal (Street Bulldogs e Hateen),  Rodrigo Lima (Dead Fish) e Capilé (Sugar Kane) tiveram que edesempenhar no último sábado, em São Caetano. Cerca de 100 pessoas saíram de casa naquele frio tenebroso para tentarem encontrar algum direcionamento. Ou apenas, uma simples resposta do que aconteceu com o hardcore.

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Athos Moura

Hardcore em debate

O hardcore brasileiro vai entrar em debate. Felipe (Ideal Shop e Records), Fausto Oi (Dance of Days), Fábio Sonrisal (Street Bulldogs e Hateen) e Rodrigo Lima (Dead Fish), são pessoas atuantes na cena paulista e nacional, e se reunirão no próximo dia 22, em São Caetano do Sul, para avaliar a atual situação da cena. O debate vai ser mediado pelo jornalista Gustavo Pelogia.
 
O evento será na Estação Jovem, Rua Serafim Constantino, s/n (em cima da estação de trem de São Caetano), com início as 13 horas e é gratuito. As bandas Zebra Zebra e H.E.R.O, farão shows. Quem for ai evento poderá visitar, ainda, uma exposição com fotografias de Maurício Santana que estarão na Estação Jovem durante todo o mês de agosto.
Andrea Ariani

Notas do que rola no rock

As novidades do que rola no rock estão no ar:

* Show de despedida do Ataque Periférico tem data definida
* Novo clipe do Rancid
* 2 anos de Indubio Records
* Rolling Stone mexicana declara seu fim
* Festival Usina da Cultura abre inscrições
* Autoramas em SP
* II Encontro Hardcore Extremo Oeste
* Gravação do DVD da Plebe Rude
* Novo livro do Baraldi
* Compilação de b-sides do Poison the well
* Inscrições abertas para o Demo Sul
* Novo do Alkaline Trio
* Novidades do Ação Direta
* Dance of Days no cinema
* Virada Cultural Paulista: 560 atrações em 20 municipios
* Tribos urbanas no CCBB

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Athos Moura

Respeite os mais velhos

Uma das primeiras coisas que nossos pais nos ensinam é respeitar os mais velhos. Nossa juventude, arrogância e vontade de ganhar o mundo não nos permitem aprender isso. E isso vem acontecendo constantemente no meio da nossa cena, seja ela hardcore ou não.

 

 

Alguns dias atrás, por curiosidade, fiz uma pesquisa no Orkut com o meu nome e achei algumas comunidades com o meu texto do Pay to Play. Achei um tópico que me assustou bastante. Nele um menino que não deve ter nem 18 anos não só aceita essa situação, como defende.

 

Entendo que ele tem todo o direito de pensar assim. O que realmente me chocou foram algumas declarações, digamos, de quem realmente está perdido. Ele diz que quem faz a banda vender ingresso está certo porque ele tem que fazer divulgação, pagar a banda principal, alugar som, contratar seguranças e afins. Fiquei me perguntando se essa não seria a função do produtor. Acho que me perdi no meio da caminhada que visa melhorar a cena.

 

Outro absurdo foi quando ele disse que as pessoas que reclamam desse esquema é porque tem bandas ruins e não se garantem em vender os ingressos. Fiz outra pergunta, não seria isso uma inversão de situação? Realmente quem tem uma banda boa e com público precisa vender ingressos?

 

Esses foram só alguns exemplos das barbaridades ditas por essa criança rebelde e sem a mínima noção do que é a cena. Agora o que tudo isso tem a ver com o título do texto? Simples, muito simples. Querendo ou não as gerações anteriores já passaram por muito mais problemas. E se tratando de hardcore, essas gerações não só enfrentaram problemas, mas construíram tudo isso que temos. Olhar para trás e ver como as coisas foram feitas faz parte do processo. Revisitar a história não é retrocesso, é apenas inteligência.

Athos Moura

Clima de bar

Olá amigos, como vão? Espero que bem. Nos últimos post’s o site tem recebido um grande número de acessos. O que me deixa muito feliz. Obrigado a todos que vem aqui, perder ou ganhar seu tempo.

 

Nos três últimos textos recebi mais de mil visitas. Para um site que tem menos de um mês é um número expressivo. Baseado nisso, resolvi tentar conhecer meus leitores e tornar o clima cada vez mais intimista.

 

Peço que usem o espaço de comentários para se apresentarem, falarem de suas preferências, o que andam fazendo, etc. O espaço é livre, não há censura. Muito do que vocês falarem pode virar pauta.

 

Vou começar, quem quiser pode seguir o modelo, ou fazer da maneira que achar melhor.

 

Sou Athos Moura, carioca, 21 anos e jornalista, além de ser baixista da banda Ataque Periférico. Gosto de saber bastante sobre música, história e política. Sou apaixonado por guerras, as que passaram, as contemporâneas acho que poderiam não existir. Essa paixão trouxe um pedaço da minha infância de volta. Estou montando uma coleção de bonecos de guerra.

 

A maioria dos livros que leio são sobre história e guerra. Atualmente estou lendo o livro “Uma Breve História do Mundo”, de Geoffrey Blainey. Leio os jornais O Globo e Folha de São Paulo, todos os dias, e assino as revistas Aventuras na História e Época.

 

Minha preferência musical é hardcore, mas não me prendo a esse estilo. Ultimamente tenho escutado o novo CD do Dead Fish, “Contra Todos”. O novo CD do Repúdio, banda de punk rock aqui do Rio, ele se chama “Prá que Entender?”, produzido por Rafael Parra, meu sócio da A&R Produções e guitarrista do Ataque Periférico. O lançamento foi feito pelo selo Parayba Records. Outro disco que sempre está tocando aqui em casa é o Mula Poney, do Leptospirose. Há alguns dias eu fiz a resenha do CD, está em alguns post’s mais atrás, mas vou facilitar. Clique aqui e leia.

 

Bom, é isso. Basicamente, eu sou isso.

 

Grande abraço!

Athos Moura

A&R Produções

logo A&R ProduçõesVou realizar aqui um momento egocêntrico. Afinal que pai não tem orgulho do seu filho? A&R Produções foi (é) uma criação minha e do Rafael Parra que me enche de orgulho. Eu tenho uma admiração muito grande pelo trabalho que conseguimos realizar. No momento estamos parados, não sei se voltaremos, mas com certeza foi algo que valeu a pena.

Ok, tenho 21 anos, sou novo, podem falar que não entendo nada de rock, mas já estou na “cena” há sete anos. Tive a sorte de sempre me relacionar com as pessoas certas e tive como sócio um rapaz que entende muito do assunto. Tentamos contribuir para o profissionalismo da nossa cena, onde as bandas de fora eram pagas, tocavam em som de ótima qualidade, os ingressos eram baratos (R$ 4) e as bandas novas tinham oportunidades de tocar (sem vender ingressos ou pagar).

A produtora começou em dezembro de 2007 e encerrou suas atividades (espero que temporariamente) em dezembro passado. Ao todo foram realizados 14 shows em três casas diferentes, 48 bandas passaram por nós, bandas do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Brasília, Rio Grande do Norte, França e Estados Unidos. Vieram bandas de Grind, Punk, Thrash, Melódico, Old School, Metal, Rock n’ Rol e afins, prezamos sempre pela diversidade dos estilos.

Enfrentamos falta de incentivo, alguns shows com pouco público, críticas improdutivas, lidamos com inveja, recalque, falta de respeito e muitas outras coisas ruins que não valem a pena ser citadas. Mas posso garantir que os fatores positivos foram maiores, recebemos apoio, muito obrigado a Necrose, Ana Paula, Klotz e Audio Rebel; fizemos muitos amigos, trocamos experiências, histórias, contatos e admirações; aprendemos a trabalharmos melhor em cada show. Foi ótimo ter contato com cada integrante de banda, cada música, cada pessoa do público. Isso sim fez a diferença.

A maioria das pessoas diz que o hardcore é uma mentira, eu sei que é. Mas é uma mentira que trata da forma certa vale a pena. Nós acreditamos no Do It Yourself, mas não no DIY sem respeito ao próximo. Podemos ser Underground e profissionais ao mesmo tempo.

livro 225x300 Gustavo Pelogia lança livro sobre a cena hardcore de São Paulo

Há algum tempo atrás fiz um post em meu fotolog falando sobre os livros de rock. E Acaba de chegar da gráfica o livro Diário de Palco, do jornalista, Gustavo Pelogia. O que a princípio seria apenas um TCC, ou a famosa monografia de término de faculdade virou um livro repleto de depoimentos de pessoal que vivem a cena hardcore de São Paulo. O livro será lançado no próximo dia 17, em São Paulo, na livraria Pop.

Bati um papo com Pelogia e conversamos sobre o livro, a cena e sobre EMO. Confira abaixo a íntegra de nossa conversa.

Por que você decidiu escrever esse livro?
Foi meu TCC da faculdade. Na verdade o nome era “hardcore?”, mas percebi que ele não respondia essa questão e as bandas não estão preocupadas em ter esse rótulo, era mais uma questão minha de “entender” a cena.

E qual o seu envolvimento com a cena?
Meu envolvimento com a cena é o mais próximo possível. Tirando o Cuper e o Alemão, com todos os outros entrevistados eu pude ligar ou falar no msn e dizer “aqui é o Pelogia, estou escrevendo um livro sobre a cena” e marquei com eles. Eu acompanho a cena desde 2002, quando montei o AlternativoRock.com, que hoje não existe mais. Em 2007 vim para São Paulo (sou de Taubaté/SP), pude acompanhar tudo mais de perto, e foi isso que viabilizou a produção do livro.

O que era o alternativorock.com?
Era um site de notícias, como Vale Punk, Besouros, Zona Punk. Meu início do jornalismo com o hardcore se deu através dele. Mas eu saia pra gravar entrevistas e falar frente a frente com as pessoas, coisa que os outros sites raramente fazem.

E como e por que você escolheu esses entrevistados?
Procurei escolher gente de bandas e nichos diferentes. Tem músicos, dono de selo, dono de loja, de casa de show e imprensa. A seleção foi de pessoas que eu conheço e sei que tem história na cena. Não foi uma seleção super apurada, mas acho que ela ficou interessante. Tem diferentes facetas de pessoas que “vivem” no mesmo lugar.

Como você classifica o livro? Como um livro de contos, biográficos sobre essas pessoas, como que é?
Pra mim é uma coleção de perfis. Mas como eu digo no prefácio, é necessário levar em conta a data da entrevista (entre janeiro e outubro de 2008), pois algumas pessoas podem pensar ou estar em lugares diferentes hoje.

E depois que você escreveu o livro o seu pensamento sobre hardcore mudou?
Não. Eu só acho que as bandas precisam parar de ter medo do EMO. O Sandro e o Sonrisal falam um pouco sobre isso, mas não se incluem. O emo é uma parada dos anos 90, mas a mídia diz como se fosse só franjinha e criança chorando e como se tivesse nascido com o Nx Zero.

E o que é o EMO então?
O EMO é parte do hardcore, saca? Não do hardcore punk, mas é um braço do hardcore melódico. Se as bandas colocassem isso mais em evidência, não seria tão mal visto assim. Um dia eu fui trabalhar com a camisa da Fresno e putz. Eu entendi o que um EMO sofre.

Você acha que o próprio público ajuda que essa imagem seja feita dessa forma?
Sim, o EMO virou coisa de adolescente e a referência para eles é o que está na mídia. Não que seja ruim ter virado “coisa de adolescente” e tomado grandes proporções, mas o EMO é motivo de piada até dentro da cena, com as bandas. Porém, todas elas fazem uma baladinha, fazem alguma música mais EMO. Então elas deveriam assumir isso e contar quem são as referências. Boa parte dos músicos daqui provavelmente conhecem The Get Up Kids, Dashboard e um montão de bandas que eles chamam de EMO e ouvem. Por que é um problema assumir isso?

Você se considera um EMO?
Hoje não, mas eu já fui sim. Passava o dia ouvindo bandas EMO, usava sempre camiseta de bandas EMO, saia sempre de cinto de tachinhas. Isso era uma coisa muito sincera pra mim.

E por que não se considera mais?
Tem um amigo que diz que eu “sou da primeira geração dos EMOs de Taubaté”. E cara, numa boa: hoje mesmo eu joguei do CD para mp3 o primeiro cd da Fresno, que não ouvia tinha um tempão. Isso não me impede de adorar os Sex Pistols e o Dead Fish. E nem de passar o carnaval pulando marchinha. Porque descobri outras bandas e outros valores. Ainda ouço essas bandas EMO, com uma certa nostalgia daquele tempo, mas existem outros estilos que mexem comigo.

E tudo isso está refletido no livro?
Em partes, porque é claro que minha experiência na cena é base para fazer perguntas para os entrevistados. Mas não fala diretamente sobre mim, pois o livro é sobre outras pessoas.

Mas é um livro mais focado pro hardcore emocional, certo?
É um livro focado nestas pessoas. O Alemão fala sobre punk, o Fausto fala sobre sxe, o Fran é louco por Bad Religion. No meu ver, todos eles tem um pé no hardcore-punk, o que não os impede de falar sobre assuntos diversos. O Sonrisal fala sobre as faculdades que não terminou, o Alemão era dono de gráfica, o Felipe (Ideal) conheceu a Maria numa festa italiana. Eu acho genial conhecer esse lado das pessoas.

O lançamento vai ser só em São Paulo ou terá em outras cidades?
Por enquanto, vai ser só aqui. Tudo acontece no esquema “faça você mesmo” e com apoio das pessoas. Todo mundo que participou do livro, vai receber como pagamento um exemplar. Os fotógrafos cederam as fotos, as bandas vão tocar de graça, o equipamento de som é de um ex-chefe meu, que vai ficar lá trabalhando também.
Se alguém me chamar, é claro que quero ir pra outros lugares. Mas não sei como vai ser a recepção do livro, pois é o primeiro (que eu conheço) do hardcore que não fala e não foi escrito por uma banda especifica. Eu realmente espero que leiam daqui alguns anos e lembrem como era a cena hoje

E pra terminar, qual foi sua nota do TCC?
Foi péssima! haha tirei 8, enquanto a maioria do pessoal tava 9 pra cima. A (faculdade) Cásper é muito aberta com TCC, então tive o Gustavo Martins (jornalista/voz do Ecos Falsos) e o Marcelo Viegas (cientista político, jornalista e velho da cena) na banca avaliadora. Eles reclamaram do português e estavam muito certos. Tenho um grande problema com acentos e agora até no MSN eu fico com um dicionário do lado.

pelogia2 300x200 Gustavo Pelogia lança livro sobre a cena hardcore de São Paulo

Serviço:
Lançamento do Livro Diário de Palco
Dia 17/03 (terça-feira), 18h
Livraria Pop - R. Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 297
Entrada - Grátis
Exposição de fotos - Luringa e Mauricio Santana
Shows acústicos - Niper (Pull Down), Otávio Cavalheiro (ex-Falante) e Natashha
http://www.diariodepalco.com.br

Athos Moura

Dirty And Real Tour

No último fim de semana rolou a primeira de três parte da Dirty and Real Tour. Turnê organizada pelas bandas Plastic Fire, Auria e Preludio. Estive em São Paulo para conferir. Porém, fui apenas como espectador.  Hoje, quem preenche esse espaço é a jornalista Andréa Ariani.  Ela fez a resenha do show e gentilmente cedeu para o site.

DIRTY AND REAL TOUR - Preludio, Plastic Fire (RJ), Auria (ES), Index e Stronger Than before - Espaço Impróprio/SP - 28/02/09

 

Por Andréa Ariani

 

A idéia de reunir os amigos que tem banda e fazer um som juntos em algum lugar, no melhor estilo “do it yourself” é tão antiga quando o movimento que a originou. E a galera que se juntou para fazer a Dirty and Real Tour levou essa máxima ao extremo, já que além de amigos, o intercâmbio junta bandas de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, para tocarem nesses estados. Em cada edição esses três lugares serão representados por Preludio (SP), Plastic Fire (RJ) e Auria (ES) e o line up restante irá se revezar nas próximas datas.

 

A tour começou em SP, no Espaço Impróprio no sábado (28/02). Calor infernal e muita gente circulando pelo circuito de shows da Augusta. Se metade tivesse deixado por uma noite de assistir o show de bandas que se vê quase sempre, poderiam ter a oportunidade de ver de perto o que é o verdadeiro hardcore.

 

Com um pouco de atraso da hora marcada para o início, a primeira banda da noite foi a paulista Stronge Than Before. Desde 2006 na estrada, Luís (guitarra), Steve (baixo), Jukinha (bateria) e o sempre simpático vocalista Sandrox, fizeram um show cheio de energia para botar a galera pra cima e preparar para o que viria na sequência. Tocando sons próprios, baseado no EP “Sincero, puro e veloz” lançado em 2007, “Futuro da humanidade” foi uma que rolou por lá. Enquanto a banda prepara material novo para o lançamento do primeiro CD, deu pra mostrar ao vivo o que vira a mistura de NOFX e Sick of it all cantado em bom português.

 

Do ABC, mais precisamente São Caetano, a próxima foi a Index. Alle (vocal), W (baixo), Bato (bateria), sem dúvida tem como pontos fortes a presença de palco e o peso das guitarras de Dé e Robson (que também toca baixo no Overlife Inc). A banda continua divulgando o CD “Aposta”, lançado em 2007. E, entre outras, tocaram “Luzes baixas”, “Torneios cegos” e “Por nós”.

 

Na sequência, o Auria. A banda do Espírito Santo é ao vivo exatamente o que descreve sua biografia no myspace: forte ligação entre a energia do hardcore junto com a melodia do punk rock. Lembra bastante Garage Fuzz, mas não como cópia mas como uma boa influência e muito de Rise Against e Millencolin, banda cujo guitarrista Zorzal tem o logo tatuado na perna. Com Rodrigo Lima (vocal do Dead Fish) de bermudão e chinelo na platéia, fizeram a estréia de seu novo baixista, Marcelo (que já tocou nas bandas Seven Red Notes, Hematófagos e “Chandelle”) e substitui o John que agora mora em SP. Destaque para o vocalista Rafael e para e para o som “Entrelugar”, que dá nome ao clipe e primeiro CD gravado em 2007.

 

Se dependesse da energia do vocalista Reynaldo, o Impróprio viria à baixo com o show da sua banda Plastic Fire. Os cariocas (Daniel na guitarra, Puruca no baixo e Erick na bateria) fazem um som poderoso e cheio de pegada. Enquanto o vocal corre, pula, salta, anda o palco inteiro e tem energia suficiente pra agitar o público presente e o que poderia estar lá. O set foi até relativamente curto mas “Negativo”, “Contra o tempo” e “Futuro” foram a uma mostra do que o hc tem que ser: muita atitude com músicas simples e diretas.

 

A mais aguardada e que fechou a maratona foi o Prelúdio. A banda acaba de lançar seu mais recente trabalho, “Vertical” (lançado pela Indubio recs) e por isso estão empolgados para tocar e o público também estava bem curioso para ver o resultado dos sons ao vivo. Como a grande maioria, não querem ser rotulados nesse ou naquele estilo, mas se dividem entre o hardcore melódico e por vezes agressivo e com boas letras. O set, claro, foi mais baseado nos novos sons, entre eles ” Auto exilio”, “Ação em reação” e a ótima “A décima letra que introduz um nome forte”. Não faltou também um cover de “Remedy” do Hot Water Music.

 

Parafraseando o Preludio, é fácil definir em poucas palavras qual será o espírito dessa tour: enérgico, direto e verdadeiro. Se por um lado não foi lotado, foi sincero. Amigos tocando para amigos.

Athos Moura

Muito além da fotografia

Cada dia que passa a tecnologia nos ajuda a chegar mais perto da perfeição. E com a fotografia não é diferente. Desde quando entramos na era digital as câmeras se tornaram mais amigas do homem e pessoas comuns podem tirar ótimas fotos. Porém, isso não faz de cada clicador um fotógrafo. Ainda existem algumas coisas que a tecnologia não criou, como: o olhar, a percepção e o sentimento. E O fotógrafo Maurício Santana, também conhecido como Tux, é um especialista nisso.

 

Seu interesse pela fotografia começou partindo de algumas negativas que recebeu de seu pai. Tux sempre quis usar a câmera da família para fotografar seu cães e seu pai nunca deixava. Então, resolveu comprar sua própria câmera. Os resultados sempre eram elogiados por quem via o material.

 

Com tantos comentários positivos ele resolveu investir na carreira. Primeiro começou fazendo vídeos, mas achava muito demorado o processo já que, ainda, teria que editar. Resolveu entrar de cabeça nos cliques por achar que o trabalho ficaria pronto mais rápido.

 

Com o passar de dois anos, tempo em que está na profissão, Tux se especializou em fotografar shows de bandas de rock. Suas fotos circulam em Fotolog’s, perfis de Orkut, Myspace’s e muitos outros meios de divulgação. Algumas de suas fotos já foram publicadas até no Japão. O motivo de suas fotos terem grande repercussão é simples, o próprio Tux explica. “Acho que o feeling seria o que descreveria melhor o meu trabalho, sei que consigo pegar o click na hora certa e que passa a emoçao para o publico”, comenta.

 

 

Tux já fotografou bandas de todo o Brasil e do exterior. Seu portifólio é extremamente rico. Muita gente reconhece seu talento, como é o caso da banda COnfronto. Os músicos o contrataram para ser o seu fotógrafo oficial.

 

Morador de São Paulo, ele pode ser achado facilmente em qualquer show de rock, principalmente os de hardcore, da cidade. Em ocasiões especiais você o encontra, talvez, na sua cidade. Sempre fazendo o que mais gosta. Clicando e deixando um momento registrado para a história.

 

Para ver o trabalho de Maurício Santana, clique aqui.

Athos Moura

BANDAS MERECEM SER PAGAS?

Até que ponto ter uma banda é uma diversão? Será que é errado as bandas receberem para tocar? Em que momento os músicos devem começar a cobrar por suas apresentações? Uma discussão antiga e que gera muita polêmica, principalmente dentro do hardcore.

 

Não é de hoje que os jovens chamam banda A ou B de vendida porque assinaram com gravadoras e começam a cobrar por shows. A expressão mais usada, e a melhor de todas. “Já foram mais humildes”. Estou sempre pensando nisso e refletindo sobre o quanto nos achamos inteligentes e idealizados no hardcore e não conseguimos enxergar que uma banda pode ser para muita gente é um trabalho.

 

Antes de me aprofundar no tema vou dar uma notícia que talvez alguns ainda não saibam. Ou pior, fingem não saber. O capitalismo venceu. Há muito tempo tudo gira em torno do dinheiro.

 

Quem tem banda sabe o quanto é caro á manter. Não estamos só falando do básico de comprar instrumentos e pagar ensaios. Uma banda de verdade gasta com equipamentos, monta seu merchan, grava regularmente, prepara uma boa divulgação e faz shows, principalmente em outras cidades.

 

Bom, deu pra ver que uma banda séria tem muitos gastos. Não vamos a tratar como coitadinhas que porque gastam temos que dar uma gorjeta. Afinal, elas optaram por isso. Mas, elas fazem um trabalho e nós os consumimos. Logo, nada mais justo que haja um retorno financeiro.

 

O fato é que o público de um tempo pra cá se acomodou, os produtores ficaram cada vez mais espertos e as bandas muito burras e arrogantes. Essa prática adotada das bandas pagarem para tocar e os famosos shows gratuitos estão destruindo a cena. Os produtores (mal intencionados) convencem a banda de que estão fazendo um favor deixando eles tocarem. E o público, se senta cada vez mais na arrogante posição de sugar tudo o que pode de graça.

 

Temos que entender que o público que tem que pagar pelo show. Bandas e produtores (bem intencionados) estão trabalhando para o entretenimento das pessoas. Tudo em um show custa uma quantia qualquer. Os expectadores devem pagar as apresentações e os produtores pagarem som, equipe e bandas.

  

Obviamente que na realidade em que vivemos dentro do hardcore, nem todas as bandas vão ser pagas. Bandas novas estão lançando seu trabalho, ganhando público. Quase tudo é válido, lembre-se, quase tudo. Mas é fundamental que bandas de foram recebam uma ajuda de custo para arcar com suas despesas.

 

Sinto falta de uma integração e solidariedade entre as partes. A ausência de um elo que faça tudo se ligar e as coisas fluírem.

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