Archive for the tag 'livro'

Figura carimbada do underground carioca, e por que não nacional, Leonardo Panço lançou na internet mais uma de suas criações. Autor de dois livros publicados, e mais alguns para ir para gráfica, Panço disponibilizou um texto com suas memórias sobre a turnê europeia do Replicantes, em 2006, cuja a qual ele teve a oportunidade de acompanhar.

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Athos Moura

Jason lança raridades no Trama Virtual

O Jason é assim. Eles fingem que acabam e a gente finge que acredita. Mas sempre que podem divulgam alguma novidade. A boa nova da vez é que foram disponibilizadas no Trama Virtual da banda para audição e download,  16 músicas do álbum “Eu, Tu , Denis”; na fase de pré-produção, gravadas em 2000. Na página o internauta pode, ainda, ouvir todos os outros discos dos caras. Para acessar clique aqui.

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Andrea Ariani

NOTAS DO QUE ROLA NO ROCK

Na correria mas postando aqui porque tem muita coisa legal acontecendo.
Veja os destaques:

*Festa de 9 anos do Inkognitta
*Campanha Pró-Pedreira
*Escola de Rock forma primeira turma
*DIY Fest em São Paulo
*Almanaque Digital de Tatuagem
*Quer fazer um livro? Conheça o projeto Sala de Leitura
*Autoramas em tour gringa
*Reunião do Soundgarden?
*Nós viemos do Inferno Tour

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Athos Moura

O ROCK CADA VEZ MELHOR DOCUMENTADO

O rock está cada vez mais melhor documentado. Isso é motivo de muita felicidade. Seja através de livros, blogs de tour report e DVD’s. Isso mostra a profissionalização do gênero e a preocupação dos envolvidos em preservar a sua história.

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Athos Moura

Laranja Mecânica

AlexHoje vou falar de cinema. Quem nunca ouvir falar em A Clockwork Orange, ou melhor, Laranja Mecância. O Filme de Stanley Kubrick foi gravado em 1971 e todas as vezes que eu o vejo sinto que ele é atual. O filme é mais um que foi adaptado de um livro, que é homônimo e foi escrito por Anthony Burgess em 1962. Eu não tive a oportunidade de ler o livro, mas pelo que parece foi uma adaptação fiel.

 

 

 

É uma história futurista que retrata um jovem inglês de 15 anos no ano de 1995, chamado Alex. Ele tem uma gang e como toda boa turma de arruaceiros faz um monte de barbaridades, briga, estupra, assalta, invade e muito mais.

 

Não vou contar a história do filme porque tenho certeza que todos vão assistir. Quem já viu vai ver outra vez.

 

A questão que o filme propõe é muito ampla. Na verdade são as questões. O quanto um ser humano pode ser cruel com o próximo. Nos coloca para pensar o quanto nós valemos ou até que ponto temos que levar nossos princípios ao pé da letra. Expõe a força que o Estado tem na hora de reprimir. E o quanto podemos ser manipulados e mudar da água pro vinho.

 

Laranja Mecânica é um filme que influenciou toda uma geração. É impossível resistir ao filme. Todas as vezes que ele passar na TV você vai querer ver. Ele tem cenas ótimas que mudam o seu ponto de referência. Um exemplo clássico. Quando você escuta “I’m singing in the rain”, aposto que vem na sua memória Gene Kelly dançando e cantando na chuva, certo? OK. Na memória de todos aparece ele alegre na chuva. Mas, veja o filme. E uns dias depois escute a mesma música. E então volte aqui para me dizer do que lembrou. Veja abaixo o trailler do filme.

 

 

O filme teve a ótima atuação de Malcolm McDowell, o mesmo ator que fez Calígula.

 

Para quem gosta de rock, lá vai uma dica. O último cd do Sepultura se chama Alex e foi todo baseado no livro Laranja Mecânica.

livro 225x300 Gustavo Pelogia lança livro sobre a cena hardcore de São Paulo

Há algum tempo atrás fiz um post em meu fotolog falando sobre os livros de rock. E Acaba de chegar da gráfica o livro Diário de Palco, do jornalista, Gustavo Pelogia. O que a princípio seria apenas um TCC, ou a famosa monografia de término de faculdade virou um livro repleto de depoimentos de pessoal que vivem a cena hardcore de São Paulo. O livro será lançado no próximo dia 17, em São Paulo, na livraria Pop.

Bati um papo com Pelogia e conversamos sobre o livro, a cena e sobre EMO. Confira abaixo a íntegra de nossa conversa.

Por que você decidiu escrever esse livro?
Foi meu TCC da faculdade. Na verdade o nome era “hardcore?”, mas percebi que ele não respondia essa questão e as bandas não estão preocupadas em ter esse rótulo, era mais uma questão minha de “entender” a cena.

E qual o seu envolvimento com a cena?
Meu envolvimento com a cena é o mais próximo possível. Tirando o Cuper e o Alemão, com todos os outros entrevistados eu pude ligar ou falar no msn e dizer “aqui é o Pelogia, estou escrevendo um livro sobre a cena” e marquei com eles. Eu acompanho a cena desde 2002, quando montei o AlternativoRock.com, que hoje não existe mais. Em 2007 vim para São Paulo (sou de Taubaté/SP), pude acompanhar tudo mais de perto, e foi isso que viabilizou a produção do livro.

O que era o alternativorock.com?
Era um site de notícias, como Vale Punk, Besouros, Zona Punk. Meu início do jornalismo com o hardcore se deu através dele. Mas eu saia pra gravar entrevistas e falar frente a frente com as pessoas, coisa que os outros sites raramente fazem.

E como e por que você escolheu esses entrevistados?
Procurei escolher gente de bandas e nichos diferentes. Tem músicos, dono de selo, dono de loja, de casa de show e imprensa. A seleção foi de pessoas que eu conheço e sei que tem história na cena. Não foi uma seleção super apurada, mas acho que ela ficou interessante. Tem diferentes facetas de pessoas que “vivem” no mesmo lugar.

Como você classifica o livro? Como um livro de contos, biográficos sobre essas pessoas, como que é?
Pra mim é uma coleção de perfis. Mas como eu digo no prefácio, é necessário levar em conta a data da entrevista (entre janeiro e outubro de 2008), pois algumas pessoas podem pensar ou estar em lugares diferentes hoje.

E depois que você escreveu o livro o seu pensamento sobre hardcore mudou?
Não. Eu só acho que as bandas precisam parar de ter medo do EMO. O Sandro e o Sonrisal falam um pouco sobre isso, mas não se incluem. O emo é uma parada dos anos 90, mas a mídia diz como se fosse só franjinha e criança chorando e como se tivesse nascido com o Nx Zero.

E o que é o EMO então?
O EMO é parte do hardcore, saca? Não do hardcore punk, mas é um braço do hardcore melódico. Se as bandas colocassem isso mais em evidência, não seria tão mal visto assim. Um dia eu fui trabalhar com a camisa da Fresno e putz. Eu entendi o que um EMO sofre.

Você acha que o próprio público ajuda que essa imagem seja feita dessa forma?
Sim, o EMO virou coisa de adolescente e a referência para eles é o que está na mídia. Não que seja ruim ter virado “coisa de adolescente” e tomado grandes proporções, mas o EMO é motivo de piada até dentro da cena, com as bandas. Porém, todas elas fazem uma baladinha, fazem alguma música mais EMO. Então elas deveriam assumir isso e contar quem são as referências. Boa parte dos músicos daqui provavelmente conhecem The Get Up Kids, Dashboard e um montão de bandas que eles chamam de EMO e ouvem. Por que é um problema assumir isso?

Você se considera um EMO?
Hoje não, mas eu já fui sim. Passava o dia ouvindo bandas EMO, usava sempre camiseta de bandas EMO, saia sempre de cinto de tachinhas. Isso era uma coisa muito sincera pra mim.

E por que não se considera mais?
Tem um amigo que diz que eu “sou da primeira geração dos EMOs de Taubaté”. E cara, numa boa: hoje mesmo eu joguei do CD para mp3 o primeiro cd da Fresno, que não ouvia tinha um tempão. Isso não me impede de adorar os Sex Pistols e o Dead Fish. E nem de passar o carnaval pulando marchinha. Porque descobri outras bandas e outros valores. Ainda ouço essas bandas EMO, com uma certa nostalgia daquele tempo, mas existem outros estilos que mexem comigo.

E tudo isso está refletido no livro?
Em partes, porque é claro que minha experiência na cena é base para fazer perguntas para os entrevistados. Mas não fala diretamente sobre mim, pois o livro é sobre outras pessoas.

Mas é um livro mais focado pro hardcore emocional, certo?
É um livro focado nestas pessoas. O Alemão fala sobre punk, o Fausto fala sobre sxe, o Fran é louco por Bad Religion. No meu ver, todos eles tem um pé no hardcore-punk, o que não os impede de falar sobre assuntos diversos. O Sonrisal fala sobre as faculdades que não terminou, o Alemão era dono de gráfica, o Felipe (Ideal) conheceu a Maria numa festa italiana. Eu acho genial conhecer esse lado das pessoas.

O lançamento vai ser só em São Paulo ou terá em outras cidades?
Por enquanto, vai ser só aqui. Tudo acontece no esquema “faça você mesmo” e com apoio das pessoas. Todo mundo que participou do livro, vai receber como pagamento um exemplar. Os fotógrafos cederam as fotos, as bandas vão tocar de graça, o equipamento de som é de um ex-chefe meu, que vai ficar lá trabalhando também.
Se alguém me chamar, é claro que quero ir pra outros lugares. Mas não sei como vai ser a recepção do livro, pois é o primeiro (que eu conheço) do hardcore que não fala e não foi escrito por uma banda especifica. Eu realmente espero que leiam daqui alguns anos e lembrem como era a cena hoje

E pra terminar, qual foi sua nota do TCC?
Foi péssima! haha tirei 8, enquanto a maioria do pessoal tava 9 pra cima. A (faculdade) Cásper é muito aberta com TCC, então tive o Gustavo Martins (jornalista/voz do Ecos Falsos) e o Marcelo Viegas (cientista político, jornalista e velho da cena) na banca avaliadora. Eles reclamaram do português e estavam muito certos. Tenho um grande problema com acentos e agora até no MSN eu fico com um dicionário do lado.

pelogia2 300x200 Gustavo Pelogia lança livro sobre a cena hardcore de São Paulo

Serviço:
Lançamento do Livro Diário de Palco
Dia 17/03 (terça-feira), 18h
Livraria Pop - R. Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 297
Entrada - Grátis
Exposição de fotos - Luringa e Mauricio Santana
Shows acústicos - Niper (Pull Down), Otávio Cavalheiro (ex-Falante) e Natashha
http://www.diariodepalco.com.br

Athos Moura

Leptospirose - Mula Poney

mula Leptospirose   Mula PoneyDepois de um full length e um split, o Leptospirose, de Bragança Paulista, lançou o seu novo CD, Mula Poney. A turnê de divulgação começou há alguns meses e já fizeram bons shows pelo nordeste.
Essa é a banda de hardcore com os melhores músicos do país. Velhote, o baixista, já tocou com grandes nomes do forró, com Elba Ramalho, Dominguinhos e Trio Virgulino. Ele é um baixista que não encontramos há tempos. Para mim ele supera Matt Freeman do Rancid, devido à velocidade das músicas do Leptos e a complexidade que ele impõe nas quatro cordas. Para os jovens que gostam de referências, ele é uma ótima, e o melhor, é influência nacional.
Vamos voltar ao Mula Poney. O disco foi gravado no Rio de Janeiro, no Estúdio Tambor, e produzido por Rafael Ramos da Deckdisk. As músicas são barulhos o tempo inteiro, porém, um barulho audível. É possível compreender cada nota executada.
As canções vão de influências como Dead Kennedys à Motorhead, colocadas em uma sequência que faz com que não percebamos quando as músicas mudaram. Mas sabemos que a faixa mudou. Todas elas são emendadas com maestria.
Outros destaques para o Mula Poney, além da boa gravação e execução, são a irreverência e sarcasmo das letras e nome das músicas. A arte gráfica ficou na responsabilidade de Daniel ET, do Muzzarelas, que fez um ótimo trabalho.
Dicas sobre o Leptospirose. O disco Invernada. Não tem a mesma qualidade do Mula, mas vale a pena ouvir e ter. O split Lecker, que lançaram com o Merda. Com esse split fizeram uma turnê na Europa. Tour essa que a primeira vista foi um fiasco, por causa do acidente. Contudo, levando em consideração tudo o que conseguiram pós-tour, podemos dizer que foi um sucesso.
O vocalista e guitarrista da banda, Quique Bronw, escreveu o livro Guitarra e Ossos Quebrados. Contando as histórias da tour da Leptos e Merda pela Europa. Ele ainda é dono, junto com Velhote, da Escola de Música Jardim Elétrico, em Bragança Paulista.
Para ouvir o Leptospirose: http://www.myspace.com/leptospirose
Para ver o Leptospirose: http://www.fotolog.com/leptospirose
Para saber sobre a escola Jardim Elétrico: http://www.fotolog.com/escolaeletrica ou escolajardimeletrico@gmail.com
Athos Moura

Merda - O Jogo dos Jovens

capa Merda   O Jogo dos JovensSabe aquela banda de música rock, chamada Merda!? Isso, aquela que bateu a van na Europa, quase não faz shows, lança cd’s semestralmente. Então, eles agora resolveram entrar para o ramo dos games e estão desafiando a Nintendo e tentam acabar com a febre do Play Station. Saiu, pela Laja Rekords, o jogo, Merda - O Jogo dos Jovens.
O jogo é composto por três fases, Cidade, Coqueiral e Inferno. Você é um cachorro vira-latas, magricelo e cheio e perebas. Para piorar você ainda é rosa. Seu objetivo é derrotar o príncipe Gi-Lili que é amiguinho de Satanás. Juntos, eles pretendem espalhar a maldição emo pela Terra.
O tutotial do jogo é apresentado por um homem fumando, bebendo cachaça, com o escudo do Flamengo no peito e de cavanhaque. Esse é homem é Jesus Cristo. Você é recomendado a pegar todas as Coca-Colas que aparecem na sua frente, pois, pasmem, ela é sua vida. Tome todaS as pingas que aparecerem. Ela produzirá a sua arma. Você mata seus inimigos com vômito. Caso a situação fique feia não pense duas vezes em chamar o amigo Speck. Ele é sinistro, pega um pega geral. fase+1 Merda   O Jogo dos Jovens
Na primeira fase, a Cidade, logo de cara um policial dá tiros de fuzil em você, um sambista joga seu pandeiro em sua direção, e tome cuidado, porque a porra do bandeiro volta e um certo Burzum Marley tenta te matar com baforada de Maconha. O chefão dessa fase é o Porco Policial, que vira um espécie de Super Saidin, quando leva uma mijada de um rato.
A fase seguinte é, Coqueiral. O nosso cachorrinho sai da cidade e vai para praia. Dessa vez os inimigos mudam. Agora nosso herói enfrenta um vendedor ambulante que joga coxinhas de galinha, um surfista que lança sua prancha e um pivete que fica soltando pipa. Cuidado! A maré sobe e você pode morrer afogado.
Para passar da fase é necessário matar a chefona do pedaço. Um mosquito da dengue pica a virgem mundialmente conhecida, Sandy, e ela vira Amy Winehouse. A arma da heroína (droga) girl são seus peitos moles e elásticos e um vômito podre que pula. Essa é a pior vilã de qualquer game que eu tenha jogado.
A última fase é o Inferno. O pobre cachorrinho enfrenta o perigoso Gi-Lili, o príncipe, também integrante do Nx Zero. O que acontece nessa fase eu não sei. Ainda não consegui passar pela Amy. Quem conseguir, por favor, me conte. Ah, e só pra terminar. Quando você morre, Jesus te zoa.
Abaixo, uma pequena conversa com Fábio Mozine. Dono da Laja Rekords e uma das mentes desocupadas que criou o jogo.

gilili Merda   O Jogo dos Jovens

Bandas lançam discos, porque lançar um jogo?
Tive esse ideia originalmetne junto com meu amigo Binho Miranda, o mesmo que tirou as fotos do livro do Brown e esta editando o vídeo da tour do Merda e Leptospirose na Europa. Quando do nada, surgiu um rapaz de São Paulo, chamado Mobral, bom nome. Ele me falou que queria fazer um jogo do Merda. Eu falei pra ele que já estava com essa ideia junto com outra pessoa, mas pedi pra ele me mandar o que tinha em mente. Quando ele me mandou o desenho do cachorrinho eu pedi pra ele continuar na hora. Ele já tinha bastante coisa escrita, ai ficamos em cima criando essas historinhas podres e acabou que saiu até bem antes do que a gente esperava, quem jogou até agora gostou. A ideia de continuar fazendo outros jogos esta de pé e já tem uns 5 novos pra serem feitos, todos de bandas por enquanto, e no futuro talvez outros sem ser de banda.

Como surgiu a ideia mirabolante de criar o Merda - O Jogo de Jovens?
O mobral já tinha algumas ideias no papel e passei outras e fomos agrupando, mexendo no som, mudando, testando, consertando alguns erros que fomos encontrando quando iamos jogando, melhorando outras paradas e deu nisso.

O que pretendem com o jogo? Virar novos Bill Gates?
A primeira parte da nossa missão foi cumprida, que era fazer algo pra gente se divertir e divertir nossos amigos. Assim como 90% das coisas que faço na Laja. Agora vem a segunda parte, que é essa mesmo, ganhar dinheiro. Vamos correr atras de pai-trocinadores pra bancar os jogos no site. E caso não encontremos esses patrocinadores, tudo bem, os jogos vão continuar sendo feitos sem patro mesmo.

Vem mais jogos por aí? Talvez o Merda Guitar Hero?
Você acabou de nos dar uma boa ideia, obrigado. Vale lembrar que não será pago por ela, okay?

Os chefes das fases foram criados inspirados em alguém ou foi mera coincidência?
O porco policial é o porco policial né, hehe. A Amy é minha amante, a mulher dos meus pesadelos. o Gi-Lili, chefe máximo no final, representa o lixo musical que tanto amamos! Ah, vendi esses dias 2 cds do nxzero, porra, essa porra vende mesmo.

Por que o herói é um cachorro magricelo perebento? É uma alusão a alhum integrante da banda?
Aquele cachorrinho se chama “cachorrinho” é tipo um logotipo da banda e sempre aparece em encartes e cds do Merda, desde o primeiro lançamento. Cachorrinho é um heroi.

Agora vamos falar sério. Como foi feito o processo de criação do jogo?
Acho que até ja expliquei um pouco isso né. O Mobral já tinha alguma coisa em mente, ele me passou tudo que tinha, eu dei algumas sugestões, algumas imposições, hehe. Mas a gente se entendeu muito bem velho. O moleque conhece tudo do Merda e a gente se entendia. Uma das músicas do jogo, naquela hora que há a transformaçao dos monstros, não estava casando bem, estava um sambinha. Eu falei com ele, pedi pra ele procurar algo mais tenso, e ele encontrou a introduçao da música “eu te odeio II”, ou seja, ele tava completamente por dentro. O próximo jogo vai ser o Motoqueiro Doido, todo inspirado nos Pedrero, esse vai ter um som midi (igual do atari). A ideia foi do mobral também, mas agora eu já estou ajudando ele a criar os detalhes, tipo, matar nenem ganha x pontos, matar velha ganha tanto, beber gasolina, etc e por ai vamos.

O jogo está disponível para download ou só pode ser jogado no site da laja? Ele pode vir como bonus de futuros lançamentos da banda?
Por enquanto a ideia é fazer ali no site um mini portal de games de bandas da Laja, sem nenhuma pretenção de acontecer nada com isso, mas se a gente ficar milionário, vai ser legal pra caralho.

Há alguma possibilidade dos jogos serem disponilizados para outras mídias, talvez celulares?
É uma boa ideia, ja tivemos, mas é uma outra tecnologia, mas não é impossivel não. A gente quer colocar esse jogo pra download em outro sites também, talvez atraves de parcerias o jogo possa ser jogado em outro lugar, veremos.

Para jogar, clique aqui.

Athos Moura

A FEB E A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL


O INÍCIO DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

O conflito mais sangrento de todos os tempos começou, teoricamente em 1939. Mas já era arquitetado, desde 1919, quando foi assinado o Tratado de Versailles, no dia 28 de junho. Tratado o qual desagradou vencedores e vencidos. Os derrotados tiveram seus territórios divididos de forma irregular, tanto, étnica como geograficamente. Alguns, como Turquia e Hungria, foram mutilados. E para completar o Império Austro-Húngaro foi extinto. O descontentamento maior da parte dos vitoriosos ficou por conta da Itália. O país não obteve todos os benefícios que achava que merecia.

O país mais afetado foi à Alemanha. As 34 cláusulas do documento traziam medidas e exigências exageradas. O país foi obrigado a desocupar a Bélgica, Luxemburgo e França, precisou reduzir seu exército a cem mil soldados, entregou milhares de veículos, terrestre e marítimos, em perfeito estado para os aliados e sua força aérea foi abolida com a entrega de 1700 aviões aos inimigos.
Essas duras atitudes fizeram com que o economista inglês John Maynard Keynes, citasse em seu livro “As Conseqüências Econômicas da Paz”¹ , de 1919, que a próxima guerra seria questão de tempo devido às retaliações aplicadas à Alemanha. O principal foco de sua crítica foi à indenização de 33 bilhões de dólares, que os alemães teriam que pagar. Kaynes duvidou que o país tivesse condições de quitar a dívida. Essa pendência econômica faria com que os germânicos enfrentassem uma crise internar com desemprego e desvalorização da moeda, o que aconteceu, gerando assim uma insatisfação muito grande do povo e exacerbando o nacionalismo.
A recém-formada União Soviética se sentia marginalizada em relação aos outros países europeus, assim como a Alemanha. Para Stálin, o Tratado de Versallies era apenas uma trégua. A Alemanha, dizia ele, não poderia continuar a aceitar tamanhas limitações e condições aviltantes. O Tratado de Versailles proibia o rearmamento alemão. Os germânicos e soviéticos firmaram acordos secretos que permitiam as Forças Armadas Alemães (Wehrmach) a fazer testes com novos armamentos e treinar soldados na União Soviética.
Hitler, em 1923, tentou dar um golpe de estado e foi preso, passando 13 meses em cárcere. Durante esse período, o futuro líder da Alemanha escreveu seu livro, chamado Mein Kampf (Minha Luta). Seu conteúdo era tão arbitrário quanto contundente. Nele, o autor expunha todo o ideal do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, o Partido Nazista. No ano em que foi publicado, 1925, o livro já tinha vendido 1,5 milhões de exemplares. Nesse momento para Hitler chegar ao poder era preciso pouco.
Excelente orador, Hitler se tornou Fünher em 1933. Logo, suspendeu todos os direitos civis, dissolveu partidos políticos e sindicatos. Também se iniciou uma caça aos judeus, inaugurando em 23 de abril de 1933 o primeiro campo de concentração, em Dachau.
Hitler possuiu a patente de cabo durante a primeira guerra e mantinha aceso dentro de si o desejo de vingança. Em 1º de setembro de 1939 a Alemanha atacou militarmente a Polônia - que antes do Tratado de Versallies era território alemão - alegando violação de fronteiras. Inglaterra e França declararam guerra à Alemanha por violarem o tratado. Em menos de um ano os alemães já possuíam tropas na Polônia, Dinamarca, Noruega, Bélgica, Holanda e França.
Japão e Itália se aliaram a Alemanha em 1936 e 1937, respectivamente, quando assinaram o Pacto Anti-Comunista. Posteriormente em 27 de setembro de 1940, assinaram o Pacto Tripartidarista, que fez das três potências um triângulo forte.
A França se viu obrigada a assinar um armistício com os alemães em 22 de junho de 1940. Enquanto a Inglaterra viu-se desalojada de suas bases nos continentes, sendo forçosamente recluída a suas ilhas. Seus adversários Alemanha e Itália multiplicavam suas bases, porém os ingleses conseguiram oferecer resistência. Após feitos admiráveis dos britânicos os Estados Unidos resolveram auxiliar a Inglaterra e entrar na guerra.
O pacto entre Alemanha e União Soviética acabou quando em 22 de junho de 1941 os alemães promoveram a cruzada européia contra o comunismo. Alguns países que tinham pendências com os soviéticos fosse ideológica ou fronteiriça como Finlândia, Romênia e Hungria, auxiliaram a Alemanha nessa invasão.
Hitler queria vingar a Alemanha da vergonha e humilhação sofridas em decorrência da primeira guerra mundial. O seu desejo era dominar o mundo. Alguns historiadores e pesquisadores alegam que havia planos de implantar resistência nazista na Argentina. Mesmo com essa base não tendo sido construída o Brasil foi afetado diretamente pela guerra. Submarinos alemães afundaram navios brasileiros na costa nordestina. O presidente Getúlio Vargas, apesar de ser simpático ás idéias nazi-fascistas, declarou guerra ao eixo.

O BRASIL DECLARA GUERRA

O Brasil cortou relações diplomáticas com a Alemanha, Itália e Japão em 28 de janeiro de 1942 durante a Reunião dos Chanceleres do Rio de Janeiro. Até então, a Alemanha era a maior exportadora de produtos manufaturados para o Brasil. Getúlio Vargas firmou com o terceiro Reich um acordo comercial que desagradou bastante os americanos, já que, o Brasil comprava mais dos alemães. Em 1938 as importações nacionais eram 25% provenientes da Alemanha e 24,2% dos Estados Unidos.

O presidente americano Franklin Roosevelt, sabendo da importância estratégica do Brasil, suportou pressões de empresários contrários à decisão do Brasil e aumentou a pressão diplomática em cima do país sul-americano. Vargas aos poucos foi se bandeando para o lado dos aliados e gradativamente os americanos ganharam espaço em nosso país.
Em 1942 o presidente brasileiro autorizou que fossem construídas bases americanas, aéreas e navais, no nordeste. O esquadrão naval VP-52 ficou lotado em Natal, a 3ª Força-Tarefa americana se transferiu para o Brasil. Sua Função era atacar submarinos e navios mercantes que tentassem trocar mercadorias com o Japão. Em troca os Estados Unidos montaram a primeira siderúrgica brasileira na cidade de Volta Redonda no Rio de Janeiro.
Desde o rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Alemanha até julho do mesmo ano, nada mais do que 13 embarcações brasileiras foram abatidas com cerca de 100 tripulantes mortos. Getúlio Vargas considerou os atentados como inerentes e preferiu não tomar nenhuma medida.
A população brasileira não manteve a mesma passividade do presidente, cobravam a entrada do Brasil na guerra. Opositores de Getúlio acreditavam que sua decisão de se manter neutro no conflito cabia ao fato de que seria uma contradição muito grande um governo autoritário que mantinha restrições ao povo lutar pela democracia.
Getúlio teve que sair de cima do muro em agosto de 1942. A versão oficial dos fatos, diz que no dia 15 o submarino alemão U-507 atingiu o navio brasileiro Baepensy em Maceió, matando 270 pessoas. Minutos mais tarde o mesmo submarino abateu o navio Araraquara deixando 131 pessoas sem vida. Sete horas depois o U-507 bombardeou o Aníbal Benevolo, 83 passageiros e 67 tripulantes faleceram.
Em aproximadamente oito horas o submarino Alemão matou 541 pessoas e di
minuiu em três navios a frota naval brasileira. A carnificina não parou por aí, dois dias depois o U-507 voltou a atacar afundando o Itagiba, assassinando 36 pessoas e o Arará onde 20 tripulantes morreram.
Diante de tais acontecimentos, Vargas cedeu. No dia 22 de agosto de 1942 foi decretado Estado de Beligerância. A população enfurecida pelos torpedeamentos pedia mais e fortaleceram a campanha a favor da entrada do Brasil no conflito na Europa. Então, em 31 de agosto foi decretado Estado de Guerra contra Alemanha e Itália. Durante os meses seguintes mais 19 navios mercantes brasileiros foram abatidos. A Força Aérea Brasileira impediu que outros navios fossem atacados desempenhando um importante papel protegendo toda a costa atlântica da América do Sul.
Conversas sobre o envio de um contingente brasileiro a Europa foram iniciadas. Vargas desejava criar uma força expedicionária para auxiliá-lo em dois aspectos: fortalecer internamente as Forças Armadas visando garantir maior tempo de apoio dos militares a sua ditadura e assegurar uma posição com relevante significação para o Brasil no cenário internacional.
Os Estados Unidos haviam prometido fornecer material bélico para o Brasil. Em janeiro de 1943 Roosevelt visitou a cidade de Natal, aproveitando a oportunidade Vargas insistiu para que o país recebesse as armas para que começasse a atuar ativamente nos combates.
Após certa demora, Washington liberou o material bélico para os brasileiros. Assim, os brasileiros começaram a sua movimentação até concluírem a estruturação da Força Expedicionária Brasileira em agosto de 1943. Para comandar as tropas no período de guerra o governo convocou o general Mascarenhas de Morais.

O BRASIL SE PREPARA E VAI PARA A LUTA

No início de março de 1943, o presidente Getúlio Vargas aprovou proposta do ministro de Guerra, general Eurico Dutra, sugerindo a criação da força expedicionária, mas condicionando-a ao recebimento do material bélico necessário inclusive para as tropas que garantiriam a defesa do território brasileiro. A proposta concretizou-se em 9 de agosto, através da Portaria Ministerial nº 4744, publicada em boletim reservado no dia 13 de agosto de 1943, que criou a Força Expedicionária Brasileira, formada pela 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE) e órgão não-divisionários. Sua chefia foi entregue ao general João Batista Mascarenhas de Morais.

A 1ª comandada por um general-de-divisão, deveria compreender: um quartel-general constituído de estado-maior, estado-maior especial e tropa especial; uma infantaria divisionária comandada por um general-de-brigada e composta de três regimentos de infantaria; uma artilharia divisionária comandada por um general-de-brigada e composta de quatro grupos de artilharia (três de calibre 105 e um de calibre 155); uma esquadrilha de aviação destinada à ligação e à observação; um batalhão de engenharia; um batalhão de saúde, um esquadrão de reconhecimento, e uma companhia de transmissão. A tropa especial, além de um próprio comando, deveria incluir i comando do quartel-general, um destacamento de saúde, uma companhia do quartel-general, uma companhia de manutenção, uma companhia de intendência, um pelotão de sepultamento, um pelotão de polícia e uma banda de música.
A estruturação da FEB propriamente dita teve início com o envio de oficiais brasileiros aos Estados Unidos, para treinamento. Tratava-se de familiarizá-los com os métodos e táticas militares empregadas pelas tropas norte-americanas, substituindo os franceses, já ultrapassados, que ainda predominavam. Esses oficiais permaneceram por três meses na Escola de Comando e Estado-Maior de Fort Leavenworth.
No final de 1943 decidiu-se o destino da FEB: o teatro de operações do Mediterrâneo. Os poucos meses decorridos até o início do embarque das tropas foram gastos com planejamento das ações e treinamento. Finalmente na noite de 30 de junho, embarcou o 1º escalão da FEB, composto por cerca de cinco mil homens chefiados pelo general Zenóbio da Costa. Junto com eles, o general Mascarenhas de Morais e alguns oficiais de seu estado-maior. Em setembro, foi a vez do 2º e 3º Escalões, comandados respectivamente pelos generais Osvaldo Cordeiro de Farias e Olímpio Falconiére da Cunha. Até fevereiro de 1945, dois outros escalões chegariam à Itália, juntamente com um contingente de cerca de 400 homens da Força Aérea Brasileira, estes comandados pelo major-aviador Nero Moura. Ao todo, a FEB contou com um efetivo de um pouco mais de 25 mil homens.
Na Itália, a FEB uniu-se ás tropas do V Exército norte-americano integrante do X Grupo de Exércitos Aliados. Nesse momento, o objetivo das tropas aliadas ali sediadas era impedir o deslocamento alemão para a França, onde se preparava a ofensiva final aliada. Era necessário, assim, manter o exército alemão sob constante pressão. As primeiras vitórias brasileiras ocorreram em setembro de 1944, com a tomada das localidades de Massarosa, Camaiore e Monte Prano. No início do ano seguinte, os pracinhas participaram da conquista de Monte Castelo, Castelnuove e Montese. O conflito, no entanto, não se estendeu por muito mais. A 2 de maio, o último corpo do exército alemão na Itália assinou sua capitulação, e a 8, a guerra na Europa chegava ao fim, com a rendição definitiva da Alemanha.

OS TRIUNFOS NO CAMPO DE BATALHA

A missão mais importante que coube à FEB foi, sem dúvida, a tomada de Monte Castelo. A elevação, dominada pelos alemães, era uma posição estratégica que impedia o 4º Corpo de Exército de prosseguir a marcha até Bolonha, objetivo maior do comando das Forças Aliadas na Itália. No dia 24 de novembro de 1944 foi feita a primeira ofensiva. Depois de se apoderarem do monte Belvedere, ao lado de Castelo, os brasileiros sofreram uma violenta contra-ofensiva alemã que os obrigou a abandonar as posições já conquistadas. No dia 29 os Aliados iniciaram a segunda ofensiva a Monte Castelo, igualmente barrada pelos regimentos de infantaria alemães. No dia 12 de dezembro iniciou-se o também frustrado terceiro assalto dos expedicionários brasileiros a Monte Castelo, que não durou mais de cinco horas. Mesmo assim, as vanguardas da FEB conseguiram chegar além da metade do caminho programado.

O daí 19 de fevereiro de 1945 foi a data estabelecida pelo comando do V Exército para o início de nova ofensiva, que ficaria conhecida como Operação Encore. Nela seriam empregadas todas as forças do 4º Exército, visando a expulsar o inimigo do vale do rio Rena e persegui-lo até o vale do rio Panaro. A missão dos brasileiros seria desalojar os alemães de Castelnuovo de Vergato, do Monte Soprassasso e, mais uma vez, de Monte Castelo. A grande vitória finalmente ocorreu em 21 de fevereiro.
Para o coronel Manoel Thomaz Castello Branco, oficial de comunicações do 1º Regimento da Infantaria da Força Expedicionária Brasileira, a tomada de Monte Castelo foi mis do que só uma manobra militar bem-sucedida. “Com a conquista de Monte Castelo, esse sedento feito, a FEB saldou um de seus mais sérios compromissos na Itália, pelos aspectos morais que encerrava. O Monte Castelo já não era mais um simples objetivo a conquistar, mas um desafio a enfrentar e uma vingança a executar, cujo desfecho ou seria a consagração apoteótica ou a ruína acabrunhadora” ². Orgulhosamente ficamos com a primeira opção.
Do início de março a meados de abril de 1945 houve um período de menor número de operações. O comando aliado organizava, então, o plano final d
a campanha da Itália, a chamada Ofensiva de Primavera, destinada a levar com rapidez à derrota definitiva das tropas italianas e alemães. Foi estabelecido que caberia a FEB seguir na direção de Vignola, o que veio a acarretar os vitoriosos ataques a Montese e Zocca. A partir dessas vitórias iniciou-se a perseguição aos alemães que batiam em retirada. Seguiam-se o cerco a Colecchio, Fornovo di Taro, a rendição de divisões inimigas e a corrida para o vale do Pó. Prosseguindo em direção a Turim, os brasileiros ocuparam a cidade de Alessandria, em 20 de abril. De 8 de maio, data da rendição da Alemanha, até 3 de junho a FEB foi empregada na ocupação militar do território conquistado e começou a preparar o seu retorno ao Brasil.

MEMÓRIAS DE QUEM LUTOU E VENCEU

O presente trabalho desde seu início se propôs a buscar informações veiculadas na mídia para realizar em cima delas a pesquisa para a dissertação. Infelizmente a imprensa não deu muito valor para as tropas brasileiras no campo de batalha. Não identificamos nenhum repórter que tenha sido deslocado para os campos de batalha para ser correspondente e trazer notícias para nossa população. Os veículos compravam matérias de agências de notícias que tratam da guerra com o olhar americano.

Todas as informações sobre a FEB contidas no trabalho foram retiradas de livros escritos por ex-combatentes que relataram suas experiências e memórias. Esses relatos nos trazem a realidade do dia-a-dia no front de batalha. Agostinho José Rodrigues, tenente de infantaria à época dos combates escreveu em seu livro sua sensação ao entrar em conflito “Início de tarde. Estamos na “HORA H” – menos dez. Isto é, em dez minutos começa a descida dos pracinhas do Onze pelas ravinas, em direção ao vale. E, aí, estremecerá o front ante o berro ensurdecedor do canhão. E o crá-crá ritmado e contínuo da metralhadora. Mais do que da nossa, da “Lourdinha”. E, também, o chio seco do morteiro. Dos balaços que passam riscando o ar. Trajetórias que se cruzam e se confundem. Chio grosso. Chio fino. E principiamos a contar: “Essa é nossa. Essa é deles…”. Então, sentiremos aquele friozinho gélido a arrepiar a espinha. Dá para prever a sintonia de sons estranhos, cujos acordes ficam a repicar anunciando que começou a grande matança” ³.
A guerra não era apenas feita de combates sangrentos e constantes. As tropas se mantinham no ostracismo por semanas. Ainda no livro de Agostinho José Rodrigues, está registrado “Radiosa manhã. Sol constante. Nuvem alguma encobre o céu. Os canhões permanecem mudos como nas últimas semanas, nesta frente. Patrulheiros vasculham a terra de ninguém e, normalmente, regressam sem novidades” 4. De fato, era assim em todas as frentes de batalha. A falta do que fazer e a ausência de informações da guerra e da família eram os inimigos cotidianos soldados brasileiros.
Para solucionar essa situação, assim escreveu o general Ernani Ayrosa da Silva “Não há dúvida de que os recursos materiais, o preparo dos soldados e a bravura pessoal, geralmente, conduzem a vitórias retumbantes; mas o dia-a-dia do combatente é vencido pela malícia, pela imaginação e por ações de efeito psicológico, levando mais vantagem o mais engenhoso, o mais imaginativo” 5.
E os brasileiros, realmente eram criativos. Em meio ao inverno “nas horas de folga, nosso comandante estimulava a disputa de partidas de futebol. Ele não jogava mas escalava o capitão Sabrosa para o time mais fraco e ficava ao lado do campo gritando: ” Ô tchê, passa a bola para o capitão!” e em seguida gritava para os jogadores do time contrário: “Dá duro nele!” Quando o capitão Sabrosa chiava das entradas mais viris e queria dar uma chave de galão o comandante gritava: “Não reclama não, isto é jogo para homem!” 6.
O inverno rigoroso castigou todos os pracinhas, assim relata o sargento João Rodrigues Filho “Passei lá também por momentos muito difíceis! Em pleno inverno, com temperaturas que chegavam até 12 graus negativos, acordávamos mais ou menos as 06:00h, ainda escuro , para irmos fazer o “pre-fligth” nos aviões P-47. Íamos das barracas até a pista a pé, caminhando em valas com gelo (água congelada), e não tínhamos sequer um agasalho! Usávamos os cobertores para nos enrolarmos neles para nos aquecermos. Chegávamos aos aviões e eles estavam cobertos de gelo! Nós, os mecânicos dos aviões, usávamos vassouras para varrer o gelo que havia sobre as asas e o “canopy”. Fazíamos o “pre-flight” às 07:00h. A forte neblina (nevoeiro) impedia que os vôos se iniciassem antes das 11:00h! O pior é que nossos vizinhos, os americanos, dos outros esquadrões começavam o “pre-flight” às 09:00h ou 09:30h!” 7

O BRASIL APÓS A GUERRA

A participação no esforço de guerra aliado e, principalmente o envio da FEB ao front italiano, em 1944, levaram o governo brasileiro a supor que o país teria um papel importante a desempenhar nas negociações de paz pós-guerra, na qualidade de potência associada e aliado especial dos Estados Unidos. A reivindicação de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU transformou-se assim em meta prioritária da diplomacia brasileira, embora as negociações relativas ao formato da nova organização tenham ficado desde o início restritas ás grandes potências participantes das conferências aliadas.

O presidente Roosevelt chegou a defender a ampliação do número de membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU de forma a acomodar um país latino-americano, possivelmente o Brasil, também é verdade que a proposta foi logo posta de lado diante da oposição da Grã-Bretanha e da União Soviética. Isso não impediu, contudo, que o governo brasileiro continuasse a alimentar esperanças, realizando sucessivas consultar ao governo norte-americano. As respostas deste último eram vagas e ambíguas, o que mantinha vivo nas autoridades brasileiras um sentimento de prestígio, ainda bastante útil na manutenção da aliança Brasil-Estados Unidos. A visita ao Brasil, em fevereiro de 1945, do secretário de Estado norte-americano Stettinius constitui o exemplo mais significativo de forma como Washington alimentava as pretensões diplomáticas brasileiras a fim de obter concessões de natureza econômica e militar. Na ocasião, Stettinius garantiu a renovação de acordos para fornecimento de material atômico brasileiro aos Estados Unidos, naquele momento crucial para a fabricação da bomba atômica.
Compreendendo finalmente que o assento permanente no Conselho de Segurança estava fora de questão, o Brasil concentrou-se, a partir da criação da ONU da conferência de São Francisco, em junho de 1947, na candidatura a um assento não-permanente para o qual foi eleito em 1947.
A FEB perdeu 545 soldados que durante muitos anos no cemitério de Pistóia, na Itália. Em outubro de 1960, suas cinzas foram transferidas para o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, erguido no Rio de Janeiro, no recém-criado aterro do Flamengo. Sua participação no conflito foi importante pois tornou evidente a contradição vivida pelo Estado Novo, que enviava tropas para lutar pela democracia no exterior, mas internamente mantinha um regime ditatorial. O retorno dos contingentes da FEB precipitou, assim, a queda de Vargas em 1945.

NOTAS


(1) O Globo, o globo 2000/16, pg: 328
(2) Veja, especiais online, segunda guerra, 2003
(3) RODRIGUES, Agostinho José. Terceiro Batalhão – O lapa
Azul. Rio de Janeiro: Bibliex, 1985 pg 138
(4) RODRIGUES, Agostinho José. Terceiro Batalhão – O lapa Azul. Rio de Janeiro: Bibliex, 1985 pg 45
(5) DA SILVA, Ernani Ayrosa. Memórias de um Soldado. Rio de Janeiro: Bilbiex, 1985 pg 65
(6) FILHO, João Rodrigues, www.sentandoapua.com.br/joomla
(7) Idem 6.

Athos Moura

DANTE ALIGHIERI E A DIVINA COMÉDIA


A HISTÓRIA DE DANTE

Dante era da cidade de Florença (Itália). Naquela época a Itália ainda não era unificada, ou seja, não era um país. Todas as cidades tinham poder de Estado (país). Florença era uma república que estava passando por inúmeras brigas políticas entre dois grupos os Guelfos e os Gibelianos. Os Guelfos apoiavam a igreja e o poder papal, já os Gibelianos defendiam o imperador da Germânia (Alemanha). Esse conflito começou na Germânia e se estendeu por grande parte da Europa.

Florença era governada pelos Guelfos que dividiram a cidade em dois pólos de poder. A família Donati representava a nobreza tradicional e a família Cerchi que representava a burguesia que cada vez mais enriquecia e aspirava maior participação política na cidade. Essa divisão fez a cidade realmente se dividir. As duas frentes deram origem a grupos que entravam em conflitos constantemente, os Brancos e os Negros.

Dante viveu exatamente essa época de conflitos. Ele era um homem muito culto e tinha formação em Literatura, Retórica e Filosofia, além de conhecimentos de Desenho, Música e manejo de armas. Dante sempre foi apaixonado por Beatriz Portinari, desde seus nove anos de idade. Ela casou com um banqueiro e morreu em 1290. Dante a via como casta e santa. Ele seguiu sua vida, casou teve três filhos, mas nunca esqueceu Beatriz.

Ele foi conselheiro e prior (um cargo do poder executivo de Florença). Como político tentou resolver os atritos entre os Brancos e Negros, apesar de sempre ter tido afinidade pelos Brancos, mais humildes. Ele tomou algumas medidas como expulsar da cidade as pessoas violentas. A maior parte delas eram representantes dos Negros, que claro, não ficaram nada satisfeitos com isso. Um deles foi o Poeta Guido Cavalcanti que era o melhor amigo de Dante. O grupo dos Negros começou a odiar Dante e exigiu do Papa a quem eles apoiavam uma providência. Bonifácio VIII, então pontífice pediu ajuda ao rei da França, Felipe, o Belo. Felipe mandou que seu irmão, Carlos de Valois fosse a Florença e punisse os Brancos. O que foi feito.

Em 1301 os Negros tomaram o poder em Florença. Dante retornava de uma viagem para Roma. Os Negros o puniram com exílio de dois anos e uma multa de cinco mil florins. Dante não pagou, então sua punição foi aumentada para exílio permanente e confisco de todos os bens. Caso voltasse a cidade ele seria assassinado.

Desde o início do exílio até sua morte Dante viveu em várias cidades da futura Itália, sempre querendo voltar a Florença, mas nunca o fez. Viveu de favores e esmolas. Muitos nobres admiravam sua arte. Nesse período ele começou a escrever a Comédia, que depois se tornou a Divina Comédia.

A DIVINA COMÉDIA

O livro é divido em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso. O personagem principal, Dante. Ele se fez personagem de seu livro. Na verdade a obra não foi publicada como livro. São vários poemas que foram sendo publicado conforme Dante os escrevia. São 100 cantos, 33 para Purgatório e Paraíso e 34 para o Inferno.

Dante retrata a si mesmo desde quando foi expulso de Florença e começou sua jornada na tristeza (Inferno) em busca da alegria (Paraíso). A jornada de Dantecomeça no Inferno, ele é levado por Vírgilio (autor de Eneida) para conhecer o lugar. Vê os pecadores sendo castigados por seus erros. No purgatório, local de purificação, ainda com Virgílio, ele encontra pessoas se redimindo de pecados, pecados morais, mas que podem ser perdoados.

Quando a jornada pelo Purgatório estava terminada Vírgilio o entregou a Beatriz, que o levou para conhecer o Paraíso, onde estão as pessoas que se redimiram de seus pecados, os que fizeram o bem e os governantes justos.

CURIOSIDADES

* Dante é considerado o fundador da Literatura italiana e até hoje é o seu principal autor.

* Dante morreu na cidade de Ravena, mas o povo de Florença tentou levar seu corpo para a cidade, onde construíram um luxuoso túmulo para ele. Porém os habitantes de Ravena não autorizaram. O túmulo em Florença permanece vazio.

* O livro inicialmente recebeu o nome de Comédia porque foi escrito em italiano e de forma simples. Exatamente o opostos da Tragédia. Antigamente as peças trágicas eram escritas em latim.

* No século XIV o também escrito italiano Giovanni Boccacio introduziu o adjetivo, DIVINA, ao título do livro, a partir de então, o livro passou a se chamar A DIVINA COMÉDIA.

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