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Athos Moura

LIÇÕES DE UM HOMEM E UM GAVIÃO

Alguns autores criam histórias, outros são tão bons que fazem essas histórias virarem verdades. Mas existem outros mais exepcionais, esses têm a capacidade de tornar essas verdades em mitos que permanecem vivos na mente das pessoas. E, o jornaista Luiz Carlos Sarmento era um desses autores que são produzidos em pequena escala.

Ele poderia ter escrito as histórias das mil e uma noites, tamanha era a sua habilidade com a escrita, criatividade e genealidade. O jornalista e também professor José Argolo esta escrevendo um livro sobre Sarmento – Luiz Carlos Sarmento: Crônicas de uma cidade maravilhosa – que sai ainda este ano. Em palestra concedida a alunos da FACHA Argolo comentou “Se eu fosse escrever no livro todas as histórias do Sarmento ele seria enorme com mais de mil páginas e seria caríssimo”. Argolo teve acesso ao acervo de Sarmento após a sua morte. Seus trabalhos lhe foram entregue pela viúva de Luiz Carlos Sarmento.

LUIZ CARLOS SARMENTO

Um homem que gostava de escrever, de ser repórter, que não sabia mandar, tinha muitos amigos e inimigos, e o maior deles esteve ao seu lado por quase toda a sua vida, o alcoolismo. Chegava muitas vezes bêbado à redação e seus amigos o mandavam ir até a escuta (onde fica o rádio de polícia) para dormir, porque lá o editor olhava e pensava que ele estava apoiado na mesa.

Escrevia matéria antes do fato ter acontecido, mandava informações para outras redações pensando que era a sua, sumia quando ia fazer uma matéria fora da cidade, enfim, muitas histórias pa contar.

Morreu nos anos 90 em casa de infarto. Um mal diagnóstico no hospital Souza Aguiar nos levou essa figura que hoje está esquecida pela maioria dos membros de sua classe.

O GAVIÃO DA MESBLA

Sarmento trabalhou nos principais jornais do Rio de Janeiro. Em uma de suas passagens pelo Jornal do Brasil, em 1959, ele inventou uma história, O Gavião da Mesbla. O jornalista era um ótimo bebedor. Em uma de suas saídas para um choppinho ele ouviu de um vendedor de pipocas que os pombos da Cinelêndia estavam sumindo. Pronto! História perfeita para um repórter não tão comprometido coma verdade absoluta.

Nos dias seguintes várias matérias foram publicadas falando sobre o gavião que comia os pobres pombos. A história foi aumentando e criando proporções maiores. O gavião ganhou um ninho, o relógico que ficava na torre do prédio da loja Mesbla, na rua do Passeio. A história criada por Sarmento fez vender muito jornal. A tiragem do jornal de 200 mil exemplares por dia passou para 800 mil. Mas, toda história precisa de um final. O editor do Jornal do Brasil na época mandou Sarmento dar um fim nessa história.

Dono de uma capacidade de criação extraordinária, o jornaista se transformou em diretor de teatro por um dia para o grande final do gavião. Sarmento contratou um homem e o caracterizou de caçador africano. Em pleno centro da cidade do Rio de Janeiro, este homem, armado caçava o animal. Uma equipe trabalhou com sarmento para armar a cena. Eles compraram um falcão Pelegrino empalhado e colocaram no alto da torre. O caçador ao avistar o animal deu um tiro. Um assistente de Sarmento empurrou o bicho que caiu duro abaixo da torre. Outro assistente já preparado jogou sangue de galinha no falção. O caçador e Sarmento foram até o local onde o animal estava e o trouxe enrolado em folhas de jornal. Tiraram uma foto que foi capa do jornal do dia seguinte.

O QUE UM VELHO JORNALISTA ENSINA PARA UM NOVO JORNALISTA

Luiz Carlos Sarmento proporciou para alguns alunos de jornalismo mais do que risadas de suas hilariantes histórias. Suas memórias perdidas com o tempo, mal preservadas pelos veiculos vez com que mergulhassemos no mundo das pesquisas. Metemos a mão na massa para desvendar um pouco sobre esse homem. Alguns foram mais além, outros nem tanto. Mas foi uma experiência possitiva, inegavelmente.

Aprendeu-se como ira trás da informação, apurar se ela é verídica, documentar e a contar suas descobertas. Tívemos exemplos de camaradagem, nas trocas de informações entre os colegas; dedicação, na procura pelos documentos; e sentimos orgulho, quando uma de nossas colegas apresentou o resultado de seu trabalho. Sentimos uma inveja positiva. Um sentimento como hoje não consegui, mas amanhã pode ser a minha vez.

Além disso, foi reforçada para alguns a certeza de que o jornalismo é o caminho certo a se seguir como profissão. Foi gostoso fazer este trabalho. Sentir o gosto de sair detrás dos livros e ir para as ruas atuar.

Athos Moura

Por que os poetas choram?

Um poeta chora por alguém

É essa a sua função

Chora porque ama

Não é correspondido ou não atendem as expectativas de seu amor

Chora por ser sozinho mesmo rodeado de pessoas

Sempre haverá alguém mais esperto

Levará o seu amor embora

Mesmo que seja por uns dias

Mas ela gostará mais dos dias que esteve com o outro

Fará tudo que o poeta quis, mas com o outro

Enquanto isso o poeta chora

O que representou em anos corre junto com o rio

E o que o outro representou em dias nunca será esquecido

O poeta chora

Por ser uma flor e o outro ser o beija-flor

Sua essência foi sugada e ficou feio e murcho

Enquanto o outro posa de belo

O poeta morre

A cada dia que passa vendo o seu amor o rejeitando

Escutando que não está pronto para assumir tal posição

A vida do poeta não tem sentido

Ele sempre é visto como errado

Será que ele será visto como herói igual ao outro?

Não, o poeta é apenas um poeta e ponto

Um poeta nunca tem importância

Ele vive, chora, escreve e morre

Um herói não

Ele sempre será mais importante que um poeta

Os poetas te fazem chorar

Os heróis te fazem gozar

Os poetas te fazem lembrar

Os heróis te fazem esquecer

Um herói, é assim que o outro é sempre visto

Eles só tem uma função: acabar com os poetas e conseguem

E fazem isso da pior maneira

Levam o amor do poeta

Fazem o amor acreditar, confiar e admirar o herói

Como nunca fizera com o poeta

Agora o herói quer acabar com outro poeta

O amor volta ao sonhador

O que será desse amor depois da passagem do herói?

O poeta sente que não é ninguém comparado a ele

O poeta se mata todos os dias

Porque tem coração, um grande coração

E ter coração não é bom

Deixa-te frustrado sempre que tenta reviver algo bom

E te faz sofrer sempre

Porque só lembra as coisas ruins e não deixa serem esquecidas

O poeta chora, sofre e morre

Apenas porque tem lembranças

O poeta é feio, desajeitado e burro

Ele sabe apenas amar, será que sabe mesmo?

E o herói como era?

Como ele conseguiu ser mais importante que o poeta?

Mas foi tão pouco tempo

O poeta nunca terá resposta

Ele só ouve a imposição

Chora poeta!

Afinal não é pra isso que você serve?

Um poeta em situações como essa se tranca e produz

Mas esse poeta nem tempo para produzir tem

Como os poetas choram se nunca vi um chorando

Os poetas choram da pior forma

Por dentro se rasgando e se ferindo

Esses ferimentos jamais serão fechados

Sua alma é sensível e precisa ser bem cuidada

Ele precisa se sentir amado e não saber apenas

É difícil amar um poeta

Ele nasceu para sofrer

É assim que se dão bem em cima deles

Um poeta morre cedo

Ou pelo menos perde a vontade da vida cedo

Um herói destrói o coração de um poeta

E o que ele faz?

Chora

Eu não tenho vergonha de ser um poeta

É assim que sou

Sofro em silêncio

Escrevo meus sentimentos

Nascem palavras bonitas

Preciso ser amado não apenas com palavras

Mereço me tornar importante

P poeta quer escrever um livro

Um em que ele derrota o herói

Quando escreve o poeta se sente bem

Enquanto isso o poeta chora

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