Archive for the tag 'são paulo'

Andrea Ariani

NOTAS DO QUE ROLA NO ROCK

Na correria mas postando aqui porque tem muita coisa legal acontecendo.
Veja os destaques:

*Festa de 9 anos do Inkognitta
*Campanha Pró-Pedreira
*Escola de Rock forma primeira turma
*DIY Fest em São Paulo
*Almanaque Digital de Tatuagem
*Quer fazer um livro? Conheça o projeto Sala de Leitura
*Autoramas em tour gringa
*Reunião do Soundgarden?
*Nós viemos do Inferno Tour

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Athos Moura

O ROCK CADA VEZ MELHOR DOCUMENTADO

O rock está cada vez mais melhor documentado. Isso é motivo de muita felicidade. Seja através de livros, blogs de tour report e DVD’s. Isso mostra a profissionalização do gênero e a preocupação dos envolvidos em preservar a sua história.

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Andrea Ariani

Coaccion (MEX) e Social Chaos em São Paulo

SOCIAL CHAOS E COACCION - ESTUDIO CAFFEINE/SP - Por Andréa Ariani

coaccion2 150x150 Coaccion (MEX) e Social Chaos em São PauloNa última quinta-feira, 26, aconteceu o penúltimo show dos mexicanos do Coaccion em São Paulo. Esse foi mais um dos rolês que a banda fez no Brasil dentro da tour intitulada “Morte aos Tiranos”.

Depois de ter tocado no Espaço Impróprio (também em SP), a próxima parada foi o Estúdio Caffeine. O lugar… quem passa pela Avenida Jabaquara, próximo ao metrô Praça da Árvore, nem imagina que ali na Pitangueiras tem um pico de rock (e dos bons).

Se você também não conhecia ou se você não é de São Paulo e não tem a menor idéia do que estou falando, o lugar é um sobrado aparentemente comum mas dentro é totalmente decorado com grafite, tem os cômodos normais de uma casa mas são divididos por lounges, camarim e um deles com um mini estúdio, nas paredes a decoração são os inúmeros cartazes de shows e eventos promovidos pelo Sinfonia de Cães.

Para quem não sabe, o Sinfonia é um coletivo que incentiva e promove, de forma independente e através de parcerias, a cultura alternativa. Estava até sumido da minha memória reavivada ao olhar vários shows que, se não fui, lembro bem da divulgação.

O Caffeine é um dos QG´s do coletivo que desde o surgimento em 2003, realizou cerca de 30 eventos. E lá, para nosso bem, rolam sempre shows do estilo.

Para abrir, um ilustre convidado: Social Chaos.

sosialcaos 150x150 Coaccion (MEX) e Social Chaos em São Paulo

Apresentações dos caras é algo raríssimo de se ver. O trio mais crust do ABC paulista aproveitou bem a oportunidade e já já explico o porquê.

O local do show mesmo é uma sala normal, aparelhagem em dois cantos, um mic de cada lado, batera no meio, um abajur em cima dos amplis, um ventilador de cada lado, sem contar que,  lembrando que estamos dentro de uma casa, rola um esquema na porta anti-geral da polícia que pode estranhar a movimentação da galera e anti-vizinhos que podem chamar a polícia por causa do barulho, então para entrar precisa tocar a campainha e as vezes ficar no escuro para que o show não tenha que ser interrompido por causa da chatice alheia. Então, é  encosta a porta e tome som!

E é alto e o calor de derreter mas uma boa galera compareceu, coaccion3 150x150 Coaccion (MEX) e Social Chaos em São Paulotanto que mal dava pra se mexer. Formada por Borella no baixo e vocal, Pudol na guitarra e vocal e Caue na bateria, o Social abriu com ” Perdedores” e no set rolou também “Ciclo de traição”, “Carcere”, “Depois do fim o começo”, “Herança maldita” que muitos conheciam e cantaram e “Nazi die”, cover do Doom que encerrou o show e fez o chão de tacos tremer no pogo. Foi quase 1 hora de sonzera!

São 7 anos de banda e nesse tempo fizeram uma tour por 10 países da Europa e já teve seus sons lançados pelos selos UPS da Holanda e Filth Ear da Bélgica. Não há previsão de novo show na agenda mas você pode ouvir alguns que rolaram no show no Myspace.

No intervalo deu pra ver gente de bandas como Agrotóxico e o Redson do Cólera também colados para prestigiar.  O intervalo foi até curto na troca de bandas.

O Coaccion conheci na época que começou as divulgações para essa tour. Vi o show deles no dia 14/03 lá no Parada Obrigatória em Bangú (RJ) e a impressão já tinha sido boa. Mas a oportunidade de vê-lo de novo, na minha cidade, mais cedo e com menos bandas no set animou para que eu fosse e para que dessa vez pudesse, digamos assim, pudesse apreciar melhor o show.

Um check sound rápido e foi só porradera: “Intro” e “En circulos” já fez a galera pular, agitar  e arriscar até uns mosh no espaço plano. A cada música o também trio se falava e alinhava o set enquanto a galera provocava gritando “Vai boliviano” e os três, já sacando alguns termos em português só sorriam. O batera e vocal Manuel ia começar a dar o toque pro próximo som enquanto alguém grita “Vai Godines”, fazendo referência ao personagem do Chaves - nem vem com essa, todo mundo conhece, gosta, assiste mil vezes os mesmos episódios e ainda dá risada. E lá foi risada geral também, inclusive dos próprios  entraram na brincadeira e começaram a identificar na platéia alguns outros personagens como o Professor Girafales e o Seu Barriga. Clima descontraído, muita energia e boa impressão tanto da banda e do público que, independente do espaço limitado, mas acho que até inclusive por isso, criou uma interação total. Sons dos splits e ep´s que a banda já lançou, fizeram parte do set. “Revolver”, “Inferior” e “Amordazado” (faixa título de um dos ep´s) foram outros que rolaram. “Inestable” fechou o show que teve só sons próprios.

Mais dessa banda que 2001 optou por fazer um crust/grind made in América Central, pode ser ouvido no Myspace.

Além da oportunidade de ver bandas boas e  não-convencionais, o bom foi saber que esses dois shows foram gravados (e inclusive nos intervalos de desmontagem de palco, ja estava o rolando nas caixas em boa qualidade). Um possível split daí será? Esperamos que sim!

No mais agradecimentos a Deise da Revoluta e Denito que organizou essa gig em São Paulo e ao pessoal do Sinfonia que nos recebeu lá para essa cobertura.

Enquanto aguardamos mais eventos, abraço o que os mexicanos postaram em sua biografia: “Por ahora es todo.. aun seguimos observando como ardes en tu proprio infierno”. Até o próximo, seja lá onde for.

Fotos por Andreh Santos

livro 225x300 Gustavo Pelogia lança livro sobre a cena hardcore de São Paulo

Há algum tempo atrás fiz um post em meu fotolog falando sobre os livros de rock. E Acaba de chegar da gráfica o livro Diário de Palco, do jornalista, Gustavo Pelogia. O que a princípio seria apenas um TCC, ou a famosa monografia de término de faculdade virou um livro repleto de depoimentos de pessoal que vivem a cena hardcore de São Paulo. O livro será lançado no próximo dia 17, em São Paulo, na livraria Pop.

Bati um papo com Pelogia e conversamos sobre o livro, a cena e sobre EMO. Confira abaixo a íntegra de nossa conversa.

Por que você decidiu escrever esse livro?
Foi meu TCC da faculdade. Na verdade o nome era “hardcore?”, mas percebi que ele não respondia essa questão e as bandas não estão preocupadas em ter esse rótulo, era mais uma questão minha de “entender” a cena.

E qual o seu envolvimento com a cena?
Meu envolvimento com a cena é o mais próximo possível. Tirando o Cuper e o Alemão, com todos os outros entrevistados eu pude ligar ou falar no msn e dizer “aqui é o Pelogia, estou escrevendo um livro sobre a cena” e marquei com eles. Eu acompanho a cena desde 2002, quando montei o AlternativoRock.com, que hoje não existe mais. Em 2007 vim para São Paulo (sou de Taubaté/SP), pude acompanhar tudo mais de perto, e foi isso que viabilizou a produção do livro.

O que era o alternativorock.com?
Era um site de notícias, como Vale Punk, Besouros, Zona Punk. Meu início do jornalismo com o hardcore se deu através dele. Mas eu saia pra gravar entrevistas e falar frente a frente com as pessoas, coisa que os outros sites raramente fazem.

E como e por que você escolheu esses entrevistados?
Procurei escolher gente de bandas e nichos diferentes. Tem músicos, dono de selo, dono de loja, de casa de show e imprensa. A seleção foi de pessoas que eu conheço e sei que tem história na cena. Não foi uma seleção super apurada, mas acho que ela ficou interessante. Tem diferentes facetas de pessoas que “vivem” no mesmo lugar.

Como você classifica o livro? Como um livro de contos, biográficos sobre essas pessoas, como que é?
Pra mim é uma coleção de perfis. Mas como eu digo no prefácio, é necessário levar em conta a data da entrevista (entre janeiro e outubro de 2008), pois algumas pessoas podem pensar ou estar em lugares diferentes hoje.

E depois que você escreveu o livro o seu pensamento sobre hardcore mudou?
Não. Eu só acho que as bandas precisam parar de ter medo do EMO. O Sandro e o Sonrisal falam um pouco sobre isso, mas não se incluem. O emo é uma parada dos anos 90, mas a mídia diz como se fosse só franjinha e criança chorando e como se tivesse nascido com o Nx Zero.

E o que é o EMO então?
O EMO é parte do hardcore, saca? Não do hardcore punk, mas é um braço do hardcore melódico. Se as bandas colocassem isso mais em evidência, não seria tão mal visto assim. Um dia eu fui trabalhar com a camisa da Fresno e putz. Eu entendi o que um EMO sofre.

Você acha que o próprio público ajuda que essa imagem seja feita dessa forma?
Sim, o EMO virou coisa de adolescente e a referência para eles é o que está na mídia. Não que seja ruim ter virado “coisa de adolescente” e tomado grandes proporções, mas o EMO é motivo de piada até dentro da cena, com as bandas. Porém, todas elas fazem uma baladinha, fazem alguma música mais EMO. Então elas deveriam assumir isso e contar quem são as referências. Boa parte dos músicos daqui provavelmente conhecem The Get Up Kids, Dashboard e um montão de bandas que eles chamam de EMO e ouvem. Por que é um problema assumir isso?

Você se considera um EMO?
Hoje não, mas eu já fui sim. Passava o dia ouvindo bandas EMO, usava sempre camiseta de bandas EMO, saia sempre de cinto de tachinhas. Isso era uma coisa muito sincera pra mim.

E por que não se considera mais?
Tem um amigo que diz que eu “sou da primeira geração dos EMOs de Taubaté”. E cara, numa boa: hoje mesmo eu joguei do CD para mp3 o primeiro cd da Fresno, que não ouvia tinha um tempão. Isso não me impede de adorar os Sex Pistols e o Dead Fish. E nem de passar o carnaval pulando marchinha. Porque descobri outras bandas e outros valores. Ainda ouço essas bandas EMO, com uma certa nostalgia daquele tempo, mas existem outros estilos que mexem comigo.

E tudo isso está refletido no livro?
Em partes, porque é claro que minha experiência na cena é base para fazer perguntas para os entrevistados. Mas não fala diretamente sobre mim, pois o livro é sobre outras pessoas.

Mas é um livro mais focado pro hardcore emocional, certo?
É um livro focado nestas pessoas. O Alemão fala sobre punk, o Fausto fala sobre sxe, o Fran é louco por Bad Religion. No meu ver, todos eles tem um pé no hardcore-punk, o que não os impede de falar sobre assuntos diversos. O Sonrisal fala sobre as faculdades que não terminou, o Alemão era dono de gráfica, o Felipe (Ideal) conheceu a Maria numa festa italiana. Eu acho genial conhecer esse lado das pessoas.

O lançamento vai ser só em São Paulo ou terá em outras cidades?
Por enquanto, vai ser só aqui. Tudo acontece no esquema “faça você mesmo” e com apoio das pessoas. Todo mundo que participou do livro, vai receber como pagamento um exemplar. Os fotógrafos cederam as fotos, as bandas vão tocar de graça, o equipamento de som é de um ex-chefe meu, que vai ficar lá trabalhando também.
Se alguém me chamar, é claro que quero ir pra outros lugares. Mas não sei como vai ser a recepção do livro, pois é o primeiro (que eu conheço) do hardcore que não fala e não foi escrito por uma banda especifica. Eu realmente espero que leiam daqui alguns anos e lembrem como era a cena hoje

E pra terminar, qual foi sua nota do TCC?
Foi péssima! haha tirei 8, enquanto a maioria do pessoal tava 9 pra cima. A (faculdade) Cásper é muito aberta com TCC, então tive o Gustavo Martins (jornalista/voz do Ecos Falsos) e o Marcelo Viegas (cientista político, jornalista e velho da cena) na banca avaliadora. Eles reclamaram do português e estavam muito certos. Tenho um grande problema com acentos e agora até no MSN eu fico com um dicionário do lado.

pelogia2 300x200 Gustavo Pelogia lança livro sobre a cena hardcore de São Paulo

Serviço:
Lançamento do Livro Diário de Palco
Dia 17/03 (terça-feira), 18h
Livraria Pop - R. Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 297
Entrada - Grátis
Exposição de fotos - Luringa e Mauricio Santana
Shows acústicos - Niper (Pull Down), Otávio Cavalheiro (ex-Falante) e Natashha
http://www.diariodepalco.com.br

Nesta última semana estive por São Paulo. Lá, me encontrei com o vocalista da banda Dead Fish, Rodrigo Lima. Conversamos sobre o novo CD da banda, Contra Todos, que chega ás lojas na próxima terça-feira, dia 10. Também falamos sobre a saída do baterista e fundador da banda, Nô. E muitas outras coisas. Confira abaixo a entrevista exclusiva.
Ro+2 Entrevista exclusiva com Rodrigo Lima do Dead Fish

Novo CD na praça, Contra Todos. O que os fãs podem esperar dele? Aquela pegada do Dead Fish antigo que os fãs sentiram falta no último, Um Homem Só?

Cara, eu não sei. Eu não gosto muito de dar conselho para as pessoas. Eu acho que a gente teve muito prazer em fazer esse CD. Foi um CD em um ano muito difícil, mas foi um CD prazeroso. Eu acho que ele teve a vibe do Sonho Médio, mas talvez não seja o Sonho Médio. Eu acho que o Sonho Médio era em uma idade diferente, em um tempo de idéias diferentes, a gente acreditava em coisas diferente. Eu não sei se vai ser um substituto do Sonho Médio. Mas ele tem o prazer de gravado do Sonho Médio, entendeu?

E como foi a experiência de compor músicas com apenas uma guitarra. As músicas do novo disco vão estar mais simples por causa disso?

Eu gosto do ganho de simplicidade que a gente teve no Contra Todos, justamente por ser um integrante só o cara que fez as guitarras. Apesar de ser um cara taradão, um cara que gosta de faze arranjo, com uma guitarra só a gente conseguiu dialogar muito melhor a banda internamente, entendeu? E eu acho que a gente ganha em peso também. Talvez esse seja o CD mais pesado, nosso. Até mais que o Zero e Um.

Contra Todos tem uma música em inglês. Tinha tempo que vocês não lançavam músicas sem ser em português.

É, na verdade a música é inglês porque a placa que a gente viu lá em Recife que era Shark Attack, em inglês. Ai quando todo mundo chegou pra tomar banho de mar e viu a placa, assim, na minha cabeça de primeira veio a idéia de fazer uma letra em inglês, entendeu? Foi natural, bem tranqüilo.

contra+todos Entrevista exclusiva com Rodrigo Lima do Dead Fish
E como estão as letras do novo CD? Letras ótimas e reflexivas sempre foram características da banda.

Eu acho que as letras são mais diretas. Eu que sou o cara que faz a maioria das letras, eu não quero ser tão subjetivo. Eu acho que as coisas têm que estar mais na cara, assim. Todo mundo sabe o que está acontecendo, todo mundo sabe quem os filhos da puta do mundo e quem são os gente fina, entendeu? É bem óbvio isso. Então eu acho que é mais ou menos nessa linha que a gente segue, com simplicidade. Mas sem ser aquela coisa, eu não gosto de usar a palavra panfletária porque eu acho a coisa panfletária divertida. Mas é do indivíduo pro mundo, entendeu? Não partido do mundo para o indivíduo, entendeu? Eu só consigo hoje, escrever, partindo de mim, me tendo como exemplo, você como exemplo, alguém mais próximo como exemplo. Se for pra falar da fome no mundo eu prefiro falar da minha fome, da sua fome. Eu acho que é mais ou menos por aí.

Com o passar dos álbuns a banda sempre está mudando ou perdendo um integrante. Como vocês trabalharam isso para que a banda não perdesse sua identidade?

Todo mundo está perguntando isso, cara. Provavelmente a banda perde bastante de identidade agora com a saída do Nô. Ele vai fazer falta, é nítido e todo mundo sabe disso. Eu sinto isso, mas a coisa da gente ter convidado um cara mais velho e um cara que já conhecia a banda, justamente, vem pra tentar suprir. Eu não sei se isso vai acontecer ou não. A gente vai tentar suprir a nossa identidade em tudo que a gente construiu nesses anos. Ou de repente deixar alguma coisa para trás, sabe? Dentro do Dead Fish a gente sempre pensa assim, temos que fazer alguma coisa diferente pra agradar a gente e não pra agradar fulano ou cicrano. A gente tem que estar, internamente, gostando do que a gente faz. Agora com a saída do Nô existe uma boa possibilidade das coisas mudarem bastante sonoramente.

Depois desse tempo todo tocando, no ano passado, a banda, e você principalmente, passaram talvez pelo momento mais difícil da história do Dead Fish que foi a saída do Nô. Como foi o momento em que a ficha caiu e você percebeu que um dos fundadores da banda estava fora?

Eu acho que não caiu a ficha ainda. Eu fiz poucos shows com o Marcão. Eu gosto do Marcão, mas eu olho pra trás e ainda não posso cuspir. Esse é o meu sentimento. Então eu ainda sinto uma certa dor de barriga de vez em quando. Cara, eu acho que a gente fez escolhas, e agente procurou fazer escolhas pra se manter amigo, pra não virar um negócio. Já que a gente em parte está em um negócio, a gente está em uma gravadora e querendo ou não a gente é tratado como produto até certo modo. Eu acho que internamente a coisa não podia ficar um negócio. Então, a gente resolveu fazer escolhas e essas escolhas foram duras. Mas eu acho que a médio e longo prazo, isso vai ser bom pra todo mundo, inclusive pro Nô. A gente vai conseguir ter uma amizade, a gente vai conseguir rir de algumas coisas. Talvez ele vá ter uma mágoa durante muito tempo, de mim principalmente que foi o cara que fundou a banda com ele. Mas do jeito que estava não podia acontecer. As outras pessoas que saíram da banda eram pessoas que; na primeira formação os caras não quiseram voltar pra banda. Foi muito triste, foi muito chato. Na segunda formação eram caras que não eram, mas a gente se tornou amigos, mas não era uma coisa de raiz de ter se conhecido no colégio. Era mais ou menos isso, por isso que foi mais marcante essa coisa do cara sair. É mais marcante.

Falando no Marcão, pra vocês da banda, como está sendo tocar com ele? Por que quem conhece um pouco mais de música vê que ele é mais talentoso que o Nô.

Eu não acho que a questão é talento. Eu acho que a questão é técnica. Eu gostava da pegada do Nô, da forma punk que ele tinha de tocar. Ele tocava forte. E o Marcão é um cara que toca quase tão forte quanto o Nô. Eu acho difícil alguém tocar com o braço tão forte quanto do Nô. Mas ele é um reloginho. Ás vezes a gente tá tocando e eu estranho. Eu acho estranho e falo, pô, tem alguma coisa errada. A música começou em um tempo e está terminando no mesmo tempo, assim, ás vezes é até meio chato, sabe? Ele é um metronominho, e as vezes é estranho, entendeu? Mas ele é um cara talentoso pra caralho. É um cara que acrescenta muito.

Ele também toca no Ação Direta. Uma banda que tem uma agenda regular de shows. Isso vai fazer com que a quantidade de shows do Dead Fish diminua? Como vão administrar isso?

A gente vai ter que administrar Zander Blues, que é do Phillipe, Acão Direta, que é do Marcão e o 88 Não!, que é do Nego, do Allyand. Só eu, idiota que não fiz uma banda de projeto ainda. Mas eu acho que a gente consegue administrar isso numa boa. O Allyand que está fechando os shows, ele sempre dá um mês, um mês e meio de antecedência e fala pros caras, tem show tal dia e vê seu lado aí com a banda
. O Zander vai abrir uns shows em março, provavelmente a gente vá fazer uns shows com o Ação Direta e o 88 Não! no decorrer do ano. Mas é tranquilo.

show+df Entrevista exclusiva com Rodrigo Lima do Dead FishO Dead Fish este ano completa 18 anos e é uma banda mais velha do que muito dos seus fãs. Você acredita que essa renovação acontece por que motivo?

Eu respondi esses dias para um conhecido meu que também fez uma entrevista comigo, que eu não consigo explicar muito isso. Como o Dead Fish consegue se renovar ciclicamente e ter sempre uma molecada mais nova nos shows. Por exemplo, você não vê tanto nego velho no show. Quando você vê eles estão nos cantos, nos lugares pequenos. É impressionante, passa um ano, passa o outro ano e eu falo, cara, agora fodeu, a gente vai ter menos público. As pessoas vão conhecer menos o Dead Fish. A gente é uma banda velha, mal-humorada, com uns tipos feios no palco. Isso já não faz tanto sucesso com a gurizada, entendeu? Eu não consigo explicar. Muita gente acha que é por causa de como a gente procede no palco e também por a gente nunca querer falar pra um tipo de gente só. A gente tem uma banda de hardcore, mas a gente sempre tocou com todos os estilo. Eu acho que isso faz diferença também.

E o Projeto Peixe Morto? Li em uma entrevista que talvez vocês voltem para alguns shows.

Cara, eu gostaria de fazer o projeto, mas tenho que perguntar antes pro Nô o que ele quer.

E qual seria a formação da banda? As músicas foram gravadas depois do Afasia e a formação do Dead Fish mudou.

É, só ficou eu e o Allyand. Cara, eu acho que isso vai ficar por conta do Allyand. Ele que vai chegar e conversar com as pessoas e ver o que queremos fazer. Eu não quero que o projeto peixe morto fosse hardcore de novo. Eu queria que fosse um CD que agradasse a gente de outra forma, se é que a gente vai fazer alguma coisa de outra forma. Talvez fazer alguma coisa com dubby, eletrônico, não sei. Que fosse um projeto, entendeu?

O Dead Fish continua com a postura de não tocar em eventos em que as bandas pagam para tocar? Já é uma rotina isso. Os produtores cobrarem das bandas novas. E cobrarem muito dinheiro.

É cara, essa é a cagada que a nossa geração deve sentir mais dor nos finqueters. Porque a gente batalhou por muito tempo pra ter um espaço. Um pequeno espaço para que todos pudessem usufruir. Apesar de alguns não poderem usufruir tanto com tanta regularidade, mas era para todos. E acontece que uma meia dúzia começou a tomar conta de certos espaços que existem. Acabou virando um grande jogo de mercado. Eu não sei se a culpa é nossa, se ela não é nossa. Eu acho que essa molecada está muito equivocada. Eles não olham pras coisas que aconteceram antes. Pra tudo que os mais velhos passaram. É até uma falta de respeito pelos caras que passaram, com as bandas que passaram, com as bandas de gente talentosíssima que esteve aí e passaram. Acabaram não sendo vistas. E isso de usar a banda como investimento, como se existisse um banco para desenvolvimento, sabe? É um negócio meio estranho. Agora, quanto aos shows eles diminuíram muito. Mas, foda-se. Foda-se! Eu não dou a mínima. que eu zelei a minha vida inteira foi por ter espaço e que esse espaço fosse para todos. Se não for desse jeito, sei lá, vou arrumar um emprego. Foda-se! Eu não vou tocar em uns eventos assim. A gente descobriu várias vezes que a gente tocou em eventos que os produtores cobraram das bandas. Isso foi extremamente constrangedor para gente. Eu lembro que quando a Allyand chegou para reclamar com um dos produtores, o Allyand é muito educado. Quem tinha que ter sido produtor era o Nô que é grosso pra caralho. O Allyand chegou pra reclamar do cara e o cara chegou e disse que os eventos de hoje são assim. Se não topássemos tocar a gente estaria cometendo um suicídio musical. Aí eu falei assim, cara, então nos matemos. Eu não posso compactuar com isso. Não é honesto, não é justo.

foto+promo Entrevista exclusiva com Rodrigo Lima do Dead Fish

O Dead Fish é de uma geração que sempre lutou bastante pelo underground. Como que é viver de underground no Brasil? Viver da banda.

As pessoas no Brasil não tem a mentalidade de que elas tem direito de pelo menos tentar viver do que elas querem. Eu já estive lá fora e vi qual é a realidade das bandas lá fora. As realidades das bandas lá fora são parecidas, só que é diferente. Você corre atrás e bota a cara, faz turnês longas, como o Confronto, por exemplo. Você consegue fazer algum dinheiro e você consegue viver modestamente daquilo que você quer, que é a música. Mas aqui não. Ou você é fodido pagando pra tocar ou você é o funcionário do Rick Bonnadio. Você não tem um meio termo pra isso. Você não cria uma rede. Aliás, a gente tentou criar uma rede. Existe a Abrafin, existe um monte de produtor bem intencionado Brasil afora que ás vezes perdem por chegar um cara junto na mesma localidade que ele que vai cobrar das bandas e ele não vai ser levado a sério. Porque é coisa menor. Essas coisas todas, sacou?

Em 2007 vocês tiveram a oportunidade de excursionar pela Europa. Como foi ter a experiência de tocar para outra cultura, fazer shows todos os dias e constatar as diferenças dos underground’s gringo e brasileiro?

Cara, a diferença musicalmente é pouca. Tem banda ruim, tem banda boa, tem banda excelente, tem banda de ótimos músicos e chata, tem banda de músicos de merda e boas. A diferença é a estrutura. Eu não sei. Eu não fui a muitos países da Europa. Dizem que na Espanha é uma porcaria, na Itália é uma porcaria. Mas na Alemanha e na República Tcheca, eles têm uma estrutura mínima. Eles fazem uma agenda pra você com dois ou três meses de antecedência, eles agilizam tudo. Perguntam o que você quer de backline. Não é um luxo isso. Você ter um equipamento mínimo pra você fazer o seu show. Não é o backline do Michael Jackson, não é o backline do Kiss e nem do Aerosmith. É um bakcline. E isso faz uma diferença extrema. Os caras falam assim, a gente tem isso pra vocês, X. E chega lá está X feito. Eu fiz uma sacanagem. Lá tem o Catering. Nunca me perguntaram no Brasil o que eu queria comer no show. E os caras de um Squat no meio da Alemanha Oriental Comunista dava tudo o que eu pedia. Inclusive no meio do catering eu disse que queria uma marca de chinapse da marca tal. Eu olhei uma marca alemã qualquer. E em todos os shows estavam a garrafa de chinapse, cara. É uma exigência babaca e falei isso eles não vão me dar. E foram lá e me deram. Não era difícil pra eles. Custava cinco euros e estava lá. Essa é a diferença.

Sei do interesse de vocês em tocar pela América do sul. Vai rolar com a turnê do Contra Todos?

Cara, tomara. Porque já se vão sete anos de convites. Desde quando eu morava em Vitória eu tenho contatos no Chile, na Argentina, no Uruguai, Colômbia e até hoje nada. A gente é muito lerdo, cara. O bandinha do caralho de lerdo.

 Entrevista exclusiva com Rodrigo Lima do Dead Fish 10px 0px; WIDTH: 213px; CURSOR: hand; HEIGHT: 340px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ptaxshPJ5hI/SY5-oZzZGtI/AAAAAAAAAaQ/DJeO75Ihvuk/s320/foto+show+2.jpg" border="0" />Muita gente critica o fato da banda fazer parte de uma gravadora e não entende que o underground também precisa se profissionalizar. O que mudou pra melhor e pra pior quando o Dead Fish se envolveu com a DeckDisk?

Deixa eu abrir um parênteses aqui. Eu acho que o argumento do underground, muitas vezes é usado para encobrir incompetência, pra encobrir má fé, sacou? E falta de responsabilidade. EU vi isso durante 17 anos no meu país. Po, vocês estão querendo água no camarim, po, vocês já foram underground. Porra brother, não fode, saca? Underground não é sinônimo de eu foder você, sacou? A cena independente não é sinônimo de eu só ganho. É pra todo mundo. Se não for pra todo mundo não é uma cena. Agora, foi muito engraçado quando a gente foi acusado, quando a gente entrou na Deck e eu não vi as pessoas acusaram o Ratos de Porão, o Cólera e nem o Mukeka Di Rato. Eu tenho orgulho de estar na gravadora dos caras. Até porque eu enchi o saco muitas vezes do João Augusto e do Rafael falando sobre o Mukeka, falando dos Pedrero, falando da puta que pariu, entendeu? Eu não sei cara. Eu acho que, uma coisa que eu aprendi com o Nô. Inclusive eu falei isso até em outra entrevista. A gente aprende a interpretar sentimentos por trás de palavras. Quando a gente foi muito questionado sobre a gente ter entrado na Deck. A gente sempre foi uma banda muito independente. Eu lembro quando a gente gravou o Sirva-se!, nego chamou a gente de traidor do movimento da fita K7, do movimento Demo Tape. Ai quando a gente resolveu, porque era a única forma da gente se manter como banda, senti um certo, não sei se é certo dizer isso. Mas eu senti um ciúme no ar. Porque muita gente tentou, tentou e a gente disse não umas duas vezes. E quando tentaram a terceira a gente disse beleza. Rolou um certo ciúme, não sei. Eu não consigo interpretar bem. Teria que perguntar pro Nô. Porque o Nô é um bom interprete de sentimentos por trás de palavras. Mas eu acho que profissionalmente a gente aprendeu muito. Vendo as coisas grandes acontecerem, vendo a indústria acabando. Porque quando a gente entrou a indústria estava com meio barco dentro d’agua. Agora ela está só com a velinha de fora, entendeu? Então, a gente foi vendo isso acontecer e foi muito legal a gente ter visto isto internamente. A gente vê que muita coisa no Brasil que se diz profissional, que se diz democrática, não passa de um loby. Você tem os contatos, vê com quem é mais bem relacionado e consegue fazer mais as coisas. Nada justo. Isso acontece muito. Na economia de mercado eu acho que é mais ou menos assim. Mas no Brasil isso é mais potencializado. Eu acho que nossa herança latina, sei lá, nossa herança portuguesa.

O que passa na sua cabeça, quando você lembra do tempo em que montou o Dead Fish com um grupo de amigos que curtia andar de skate até hoje vendo que o trabalho deu certo e que vocês são uma das bandas de hardcore mais amadas do país.

Cara, eu acho que é o que me move ainda. É estar em uma coisa que eu comecei, que eu falei, eu quero isso pra minha vida. Quer dizer, eu quero me divertir com isso, começou comigo querendo me divertir com isso. Eu quero estar com meus amigos. Depois eu quero aprender isso. E quero isso pra minha vida. E o que me move é ouvir um cara que eu conheci há 17 anos me falar, cara você construiu uma carreira em um cenário independente em um país como o Brasil. Não vou me vangloriar disso. Mas meus amigos antigos falam, cara, você conseguiu fazer o impossível. Sem mudar. Sem flexionar a sua espinha. Cara, eu entrei em uma gravadora. Passei a ganhar menos em venda de CD. Tudo bem, eu abri mão disso. Mas também eu não deixei de abrir mão de falar do que eu queria. Então, o que me move é isso. É ver um moleque que me parou na rua. Eu odeio que os moleques me parem na rua. Sou muito bravo, sou muito mal educado ás vezes. Mas o moleque me parou na rua e falou assim, Rodrigo, e aí, tranquilo? Cara, eu tenho 19 anos. Eu comecei a ouvir você porque o meu tio que tem vinte e tal me mostrou e eu piro no seu trabalho desde então. Eu tinha oito anos. Hoje eu tenho 19. É a única coisa que me move de estar em uma banda. E de estar com os amigos, né cara? Eu espero que a gente consigo ainda manter o clima de amizade e não ser só profissionalismo, espero.

Obrigado e peça pra galera comprar o cd e não baixar em MP3.

Não cara, baixa aí. Se você não tem grana você baixa. O CD Contra Todos agora está bonitão, lindão, de digipack. Todo bonitinho. E provavelmente vai sair vinil. Então, baixa lá. Se você gostar, compra. Você continua ajudando a banda comprando o CD e baixando também.

Fotos do show: Maurício Santana - http://www.flickr.com/photos/tuxhc
Foto de divulgação: Luringa - http://www.flickr.com/photos/luringa
Foto abertura: Athos Moura - http://www.fotolog.com/athosmoura
Para os preguiçosos que não gostam de ler, eu disponibilizei o áudio da entrevista para download. Quem quiser baixar é só clica neste link: http://www.4shared.com/file/85011780/986d643f/Entrev1_Rodrigo_DF.html
Athos Moura

Merda - O Jogo dos Jovens

capa Merda   O Jogo dos JovensSabe aquela banda de música rock, chamada Merda!? Isso, aquela que bateu a van na Europa, quase não faz shows, lança cd’s semestralmente. Então, eles agora resolveram entrar para o ramo dos games e estão desafiando a Nintendo e tentam acabar com a febre do Play Station. Saiu, pela Laja Rekords, o jogo, Merda - O Jogo dos Jovens.
O jogo é composto por três fases, Cidade, Coqueiral e Inferno. Você é um cachorro vira-latas, magricelo e cheio e perebas. Para piorar você ainda é rosa. Seu objetivo é derrotar o príncipe Gi-Lili que é amiguinho de Satanás. Juntos, eles pretendem espalhar a maldição emo pela Terra.
O tutotial do jogo é apresentado por um homem fumando, bebendo cachaça, com o escudo do Flamengo no peito e de cavanhaque. Esse é homem é Jesus Cristo. Você é recomendado a pegar todas as Coca-Colas que aparecem na sua frente, pois, pasmem, ela é sua vida. Tome todaS as pingas que aparecerem. Ela produzirá a sua arma. Você mata seus inimigos com vômito. Caso a situação fique feia não pense duas vezes em chamar o amigo Speck. Ele é sinistro, pega um pega geral. fase+1 Merda   O Jogo dos Jovens
Na primeira fase, a Cidade, logo de cara um policial dá tiros de fuzil em você, um sambista joga seu pandeiro em sua direção, e tome cuidado, porque a porra do bandeiro volta e um certo Burzum Marley tenta te matar com baforada de Maconha. O chefão dessa fase é o Porco Policial, que vira um espécie de Super Saidin, quando leva uma mijada de um rato.
A fase seguinte é, Coqueiral. O nosso cachorrinho sai da cidade e vai para praia. Dessa vez os inimigos mudam. Agora nosso herói enfrenta um vendedor ambulante que joga coxinhas de galinha, um surfista que lança sua prancha e um pivete que fica soltando pipa. Cuidado! A maré sobe e você pode morrer afogado.
Para passar da fase é necessário matar a chefona do pedaço. Um mosquito da dengue pica a virgem mundialmente conhecida, Sandy, e ela vira Amy Winehouse. A arma da heroína (droga) girl são seus peitos moles e elásticos e um vômito podre que pula. Essa é a pior vilã de qualquer game que eu tenha jogado.
A última fase é o Inferno. O pobre cachorrinho enfrenta o perigoso Gi-Lili, o príncipe, também integrante do Nx Zero. O que acontece nessa fase eu não sei. Ainda não consegui passar pela Amy. Quem conseguir, por favor, me conte. Ah, e só pra terminar. Quando você morre, Jesus te zoa.
Abaixo, uma pequena conversa com Fábio Mozine. Dono da Laja Rekords e uma das mentes desocupadas que criou o jogo.

gilili Merda   O Jogo dos Jovens

Bandas lançam discos, porque lançar um jogo?
Tive esse ideia originalmetne junto com meu amigo Binho Miranda, o mesmo que tirou as fotos do livro do Brown e esta editando o vídeo da tour do Merda e Leptospirose na Europa. Quando do nada, surgiu um rapaz de São Paulo, chamado Mobral, bom nome. Ele me falou que queria fazer um jogo do Merda. Eu falei pra ele que já estava com essa ideia junto com outra pessoa, mas pedi pra ele me mandar o que tinha em mente. Quando ele me mandou o desenho do cachorrinho eu pedi pra ele continuar na hora. Ele já tinha bastante coisa escrita, ai ficamos em cima criando essas historinhas podres e acabou que saiu até bem antes do que a gente esperava, quem jogou até agora gostou. A ideia de continuar fazendo outros jogos esta de pé e já tem uns 5 novos pra serem feitos, todos de bandas por enquanto, e no futuro talvez outros sem ser de banda.

Como surgiu a ideia mirabolante de criar o Merda - O Jogo de Jovens?
O mobral já tinha algumas ideias no papel e passei outras e fomos agrupando, mexendo no som, mudando, testando, consertando alguns erros que fomos encontrando quando iamos jogando, melhorando outras paradas e deu nisso.

O que pretendem com o jogo? Virar novos Bill Gates?
A primeira parte da nossa missão foi cumprida, que era fazer algo pra gente se divertir e divertir nossos amigos. Assim como 90% das coisas que faço na Laja. Agora vem a segunda parte, que é essa mesmo, ganhar dinheiro. Vamos correr atras de pai-trocinadores pra bancar os jogos no site. E caso não encontremos esses patrocinadores, tudo bem, os jogos vão continuar sendo feitos sem patro mesmo.

Vem mais jogos por aí? Talvez o Merda Guitar Hero?
Você acabou de nos dar uma boa ideia, obrigado. Vale lembrar que não será pago por ela, okay?

Os chefes das fases foram criados inspirados em alguém ou foi mera coincidência?
O porco policial é o porco policial né, hehe. A Amy é minha amante, a mulher dos meus pesadelos. o Gi-Lili, chefe máximo no final, representa o lixo musical que tanto amamos! Ah, vendi esses dias 2 cds do nxzero, porra, essa porra vende mesmo.

Por que o herói é um cachorro magricelo perebento? É uma alusão a alhum integrante da banda?
Aquele cachorrinho se chama “cachorrinho” é tipo um logotipo da banda e sempre aparece em encartes e cds do Merda, desde o primeiro lançamento. Cachorrinho é um heroi.

Agora vamos falar sério. Como foi feito o processo de criação do jogo?
Acho que até ja expliquei um pouco isso né. O Mobral já tinha alguma coisa em mente, ele me passou tudo que tinha, eu dei algumas sugestões, algumas imposições, hehe. Mas a gente se entendeu muito bem velho. O moleque conhece tudo do Merda e a gente se entendia. Uma das músicas do jogo, naquela hora que há a transformaçao dos monstros, não estava casando bem, estava um sambinha. Eu falei com ele, pedi pra ele procurar algo mais tenso, e ele encontrou a introduçao da música “eu te odeio II”, ou seja, ele tava completamente por dentro. O próximo jogo vai ser o Motoqueiro Doido, todo inspirado nos Pedrero, esse vai ter um som midi (igual do atari). A ideia foi do mobral também, mas agora eu já estou ajudando ele a criar os detalhes, tipo, matar nenem ganha x pontos, matar velha ganha tanto, beber gasolina, etc e por ai vamos.

O jogo está disponível para download ou só pode ser jogado no site da laja? Ele pode vir como bonus de futuros lançamentos da banda?
Por enquanto a ideia é fazer ali no site um mini portal de games de bandas da Laja, sem nenhuma pretenção de acontecer nada com isso, mas se a gente ficar milionário, vai ser legal pra caralho.

Há alguma possibilidade dos jogos serem disponilizados para outras mídias, talvez celulares?
É uma boa ideia, ja tivemos, mas é uma outra tecnologia, mas não é impossivel não. A gente quer colocar esse jogo pra download em outro sites também, talvez atraves de parcerias o jogo possa ser jogado em outro lugar, veremos.

Para jogar, clique aqui.

cyrus+daigo+oliva XVII Festival de Hardcore de São Paulo é do Confronto
Há 10 anos acontece o Festival de Hardcore de São Paulo. São dois dias de punk-hardcore-metal que agitam a galera hardcore de vários estados brasileiros. Um bom local para reencontrar os amigos do rock espalhados pelo país afora.
Este ano estive presente no primeiro dia de show. Vi os shows das bandas Red Dons, dos Estados Unidos; I Shot Cyrus, em seu show de despedida e o Confronto. Para o dia, todos os ingressos haviam sido vendidos antecipadamente. De acordo com a organização havia no local mais de mil pessoas entre público, bandas, convidados e organização.
O Red Dons veio de Portland, toca um punk rock bonitinho e bem trabalhado. Os músicos subiramm no palco vestidos, digamos, meio que Strokes. O show foi bom, mas não gosto muito da banda. Já havia assistido ao show deles no Rio de Janeiro. São bons músicos, mas o poder de criação um pouco limitado. As músicas são muito parecidas. Porém, parece que o púbico discordou de mim e fez a festa no show com muito pogo.
Na sequência, uma palestra que não me interessou muito. Fui trocar idéia com os amigos e esperar pelo show do I Shot Cyrus. Foi o último show depois de 11 anos de estrada. Muita gente foi para vê-los e tentar descobrir quem matou Cyrus. Saíram de lá sem a resposta. Mas com a certeza de que valeu a pena conferir o show. Enquanto os membros da banda arrumavam seus instrumentos as pessoas iam se aglomerando na frente do palco.
Tudo pronto, acordes soando e a porrada em cima do palco começou, na frente dele também. As pessoas correram para o mosh e circle pit, parecia uma mar de gente indo para frente. Foram feitos muitos agradecimentos, pessoas pedindo para a banda não acabar e muitas loucuras nos stage dives. Pessoas subiam em cima dos PA’s e se jogavam no pessoal do gargarejo. A banda fez um set list especial. Abriram um tópico em sua comunidade do Orkut e escolheram as músicas mais votadas.
Durante o show, membros de outras bandas que começaram junto com o Cyrus e fizeram muitas gig’s juntos, fizeram participações. O palco toda hora era invadido e em certos momentos era impossível ver algum integrante da banda no palco, devido a quantidade de pessoas que estavam por lá.
Quando o show terminou, pensei comigo. Vai ser difícil o Confronto fazer um show mais energético que esse. Pois é, me enganei. Em pouco tempo tudo pronto e a luz do galpão foi apagada. Microfonia da guitarra e barulho de pratos. O vocalista, Chehuan, gritou: “Confronto 2009. Dez anos. Sactuarim! Vamos ae Jabaquara!” Os presentes começaram a gritar. Logo já tocaram o hit do novo álbum, Sanctuarim das Almas, que foi cantado em coro. E assim foi em todas as músicas. confronto+mauricio+santana XVII Festival de Hardcore de São Paulo é do Confronto
Da parte do público, fora toda a insanidade, muitos rostos sangrando, alguns braços e ombros quebrados e deslocamentos. Posso dizer que a integração do público com a banda foi o dobro, o triplo; ou sabe-se lá que classificação numérica pode se dar para aquilo; do show do Cyrus.
Nunca tinha assistido show do Confronto na Terra da Garoa. Sempre me falaram que beira o absurdo. Neste dia pude comprovar isso e constatar que em São Paulo, no Jabaquara, Confronto é Rei! Dia 25 de abril a banda vai gravar seu primeiro dvd no mesmo local, e não poderia haver lugar melhor e com o público mais afinado. 2009, pelo que tudo parece, vai ser deles.

Foto I S Hot Cyrus por DAIGO OLIVA: http://www.flickr.com/photos/daigooliva

Foto Confronto por MAURÍCIO SANTANA: http://www.flickr.com/photos/tuxhc/

Athos Moura

Promulgado o Ato Institucional Nº 5

No dia 13 de dezembro de 1968 foi assinado o mais terrível Ato Institucional que a nação já tivera. Promulgado pelo então presidente da república Costa e Silva o AI-5 reforçou medidas adotadas nos AI’s anteriores e acrescentou demais medidas severas, como: confisco de bens, suspensão dos “habeas” políticos, restabelecimento das cassações e o fim de vitaliciedade. Na mesma ocasião também foi assinado o ato complementar nº 38 que decretou o recesso do congresso nacional.

A atitude foi tomada após o governo ter sofrido uma derrota no congresso nacional no dia anterior. Os deputados votaram contra o pedido de licença feito pelo Supremo Tribunal Federal para processar o deputado Márcio Moreira Alves.

O povo aguardou pacientemente por uma decisão do governo. Nos jornais saíram notícias de que o governo cassaria os mandatos parlamentares de cerca de 40 deputados da Arena e MDB. Não houve corridas aos bancos e muitos preferiram nem ir para suas casas. Esperaram para ouvir o pronunciamento oficial em seus escritórios ou nas ruas.

O discurso que comunicou a população o porquê do presidente ter acatado a decisão do Conselho de Segurança Nacional de editar o AI-5 foi veiculado pelas rádios e TV. Ficou a cargo do Ministro da Justiça, Luis Antônio da Gama e Silva a responsabilidade de fazer o pronunciamento.

O caso Márcio Moreira Alves

O Supremo Tribunal Federal encaminhou ao congresso um pedido de licença para processar o deputado do MDB pelo estado da Guanabara Márcio Moreira Alves. Meses antes o deputado lançou um manifesto incentivando a população a não assistir ao desfile de sete de setembro. Também pediu ás mães de meninas que não as deixassem namorarem cadetes.

O governo interpretou o episódio como um atentado contra a ordem democrática e crime de abuso do direito de opinião. Os três ministros militares fizeram representações contra o deputado e as encaminharam ao congresso através do procurador geral da república.

A votação

Por 216 votos contra, 141 a favor e 12 brancos. A câmara recusou o pedido de licença para processar Márcio Moreira Alves. Aplicando, assim, uma grande derrota ao governo. Após o anuncio do resultado da votação os presentes que lotavam as galerias bateram palmas e em seguida cantaram o hino nacional. O presidente da câmara José Bonifácio tentou normalizar a situação, mas não conseguiu e teve que permanecer de pé em respeito ao hino. Após o termino da manifestação terminou os trabalhos.

Em seu discurso o deputado Márcio Moreira Alves manteve um tom sereno e negou a intenção de ofender as forças armadas. Estratégica eficaz que o fez sair vitorioso na votação. Seus argumentos conquistaram os indecisos que fatidicamente dariam votos ao governo. Além de o governador de São Paulo, Abreu Sodré, ter recomendado que os deputados paulistas e paulistanos votassem contra a cassação.


O dia do decreto

Os quartéis da Vila Militar tiveram movimentações intensas ficaram em regime de prontidão durante todo o dia e os caminhões ficaram em posição de deslocamento. Policiais federais, militares civis e a guarda civil estavam espalhados pela Guanabara prontas para agir, totalizando mais de 400 homens.

Foram realizadas reuniões na área militar durante todo o dia. Os comandantes das principais unidades do Rio de Janeiro estavam presentes do Ministério do Exército, situação incomum. Porém, só uma reunião teve real importância. Costa e Silva se reuniu com o Conselho de Segurança Nacional e juntos resolveram pela promulgação do AI-5. O Ato entregue a imprensa pelo sub-secretário da diretoria do expediente do palácio do planalto, Mário Pirajá Alves e foi publicado no diário oficial no dia 16 de dezembro.

Veja, na íntegra, o AI-5.

Veja, na íntegra, o Ato Complementar nº 38

Athos Moura

Entrevista com o CVOD

cvod Entrevista com o CVODA banda CVOD (Cabeça Vazia Oficina do Diabo) está na ativa há 11 anos e é um dos ícones do hardcore do interior paulista, o famoso velho-oeste. Além de manter a Produções Peçonhentas, que realiza o “Hardcore na Cidade”, estão à frente do selo Caipira Bruto, que lançou este ano seu primeiro álbum, Não Espere Nada Em Troca.

Para os quatro integrantes o hardcore é muito mais que música, é o motor principal da cultura rock de sua cidade natal, Assis. Juntos desde 1996, eles levam o CVOD e seu hardcore old school a todos os cantos possíveis, mantém a Produções Peçonhentas, que realiza o “Hardcore na Cidade” e estão à frente do selo Caipira Bruto, que lançou este ano seu primeiro álbum, Não Espere Nada Em Troca. Conversei com o baterista, Lucas - veja como o HC pode movimentar as pessoas, uma cena, uma cidade.

Como foi montar uma banda de hardcore em uma pequena cidade do interior?

O CVOD em princípio foi uma banda de rapcore, com três vocais, duas guitarras, baixo e batera. Eu entrei ainda na fase rapcore, em 98, quem montou a banda foram o Fernando e o Elcinho, que é um batera que já tinha uma banda antes, de som pesado. Na verdade, CVOD foi á primeira banda com influências de hardcore a tocar e gravar demo na cidade. Até hoje tocamos aqui porque nós mesmos organizamos eventos por aqui. Claro que hoje em dia existe uma cena, uma molecada que ouve som, vai em shows, conhece as bandas e tal.


Vocês organizam o Hardcore na Cidade que em dezembro completou a sua décima edição. Como é manter a Produções Peçonhentas em uma cidade que está mais perto do Paraná do que da capital São Paulo? Desde o início houve resposta do público?cvoddddd Entrevista com o CVOD

O evento Hardcore Na Cidade surgiu depois de uma série de eventos de hardcore que fizemos aqui em Assis. Quatro anos atrás, quando surgiu o HC na cidade, já rolava uma molecada mais antenada, e também já rolava um intercâmbio entre as cidades vizinhas, pois o CVOD jÁ estava na estrada há algum tempo e construímos de certa forma essas ligações. A idéia do evento é incluir Assis na rota de bandas de rock independente e a cena do oeste paulista e do norte do PR (que está perto daqui) é muito legal e unida. Acho que a cena daqui tem algumas diferenças com relação à cena de cidades maiores. Aqui a molecada aceita bem o “novo”, estão abertos a conhecer, curtem demais os shows de bandas que nunca viram, compram os CDs das bandas no dia do evento, e agradecem pelo show. É bem legal!


Pelo que vocês diz parece que a cidade ainda é carente de hardcore. Você acredita que o CVOD ajuda a matar essa necessidade dos jovens por rock e mantém o lema de vocês mais forte do que nunca: “hardcore vivo”?

Acho que Assis, por ser uma cidade pequena, não tem a mesma quantidade de informação (quantidade de shows, bandas locais, materiais) que cidades maiores têm. Acho que o papel do CVOD, além de tocar, fazer músicas, é fazer o corre para que Assis (minha cidade) e Marília (cidade dos outros integrantes) tenham acesso a todo esse movimento que é a cena hardcore. Apesar de não haver uma grande quantidade de eventos sempre procuramos trazer bandas que estão despontando na cena do Brasil, junto com bandas da região (oeste paulista e PR), acho que dessa forma o hardcore se mantém muito verdadeiro.


Pelo seu show em Assis pude observar que a música do CVOD é idolatrada na região. Vieram vans fretadas de várias cidades e até do Paraná. O lançamento do CD Não Espere Nada em Troca foi uma realização não só pra banda, mas com certeza para o público. Vocês exercem um papel importante para o pessoal do velho-oeste. Como foi preparar o CD sabendo desta responsabilidade?

Levamos o CVOD com responsabilidade com relação ao que é o hardcore aqui na região. Temos consciência que fazemos parte da construção de tudo isso que rola hoje em dia por aqui e que temos o respeito do pessoal da região. Muitos acompanham a trajetória do CVOD faz tempo e são muito amigos. A construção do disco foi uma conseqüência de todo esse trabalho: muito ensaio e suor. Temos esse disco como uma conquista não só pessoal, mas como uma forma de fortalecer a cena daqui, do oeste paulista. Acho que pelo tempo que estamos levando o CVOD junto com toda a correria que fazemos para movimentar a cena por aqui (shows), o disco só tende a fortalecer a cena hardcore local como uma referência para bandas se apresentarem, além de haver um puta pessoal legal e super dispostos a fazer o rock nas cidades vizinhas.


Mesmo com a importância que a banda tem para a região e, por que não, para o estado de São Paulo, o disco saiu
de forma independente pelo selo da banda, Caipira Bruto. Não houve selos abraçando a idéia de lançar o CVOD?

Acho que apesar do CVOD ter muito tempo e de fazer um trampo sério, existe um receio de selos abraçarem bandas não muito conhecidas. Tivemos contato com alguns selos que se interessaram, mas achamos viável nós mesmos lançarmos. Acho que com o próximo disco teremos mais facilidade para lançar por algum selo. Esse primeiro disco tem aberto muitas possibilidades pra gente.


O CVOD este ano ampliou horizontes e estreitou laços com alguns selos devido a suas apresentações com diversas bandas do país e com The Miracles, da Itália. Já pensam em um novo disco? O que há de novidades vindo por aí?

Sim, fizemos três shows com os italianos e com o Fatal Blow, banda de Balneário Camboriú (SC), dos irmão Thiago e André, da No Mercy Records. Os caras já tinham despertado interesse pela banda antes, acho que esse rolê com eles serviu para nos conhecermos melhor, para ele conhecerem a banda ao vivo. Acho que foi uma experiência muito legal e proveitosa demais e a No Mercy com certeza é uma possibilidade para o lançamento do próximo disco. Em 2008 pretendemos fazer músicas e muitos shows.


Falando em shows, vocês começam 2008 tocando no 16º festival hardcore de São Paulo, o maior do estilo no país, organizado pelo núcleo Verdurada. O show de vocês tem uma pegada absurda. Vocês passam muito amor, expressão, vontade, dedicação quando estão no palco. Tudo isso pelo hardcore?

Cara, unica e exclusivamente. Você presenciou o que é o hardcore na nossa realidade quando veio a Assis com o Ataque Periférico. Estamos há 11 anos na estrada pelo que o hardcore pode proporcionar pra nós, as pessoas que conhecemos e a maneira que conduzimos nossas vidas tem tudo a ver com o hardcore, ele faz parte de nós.


Lucas, obrigado pela entrevista. Deixe o seu recado final.

Primeiro, gostaria de agradecer pelo espaço, a todos que têm nos ajudado no decorrer desses anos, comparecendo a shows, comprando nossos discos e ajudando a divulgar o CVOD. Para quem estiver interessado em conhecer o trampo da banda, temos o Fotolog www.fotolog.com/cvodhardcore , o Myspace www.myspace.com/cvodhardcore e temos também uma comunidade no Orkut, com algumas informações. Valeu, Athos! HARDCORE VIVO!

* Entrevista publicada no site Rock Press, clique aqui e leia.